Delação de ex-chairman da Copasa acende sinal de alerta no governo Zema

Política

Delação de ex-chairman da Copasa acende sinal de alerta no governo Zema

  • 23/02/2026
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A ruidosa renúncia do presidente do conselho de administração da Copasa, Hamilton Amadeo, abriu uma frente sensível para o governo de Minas Gerais. Nos bastidores, assessores de Romeu Zema discutem a necessidade de conduzir uma dupla blindagem: uma corporativa, voltada à preservação do ativo e da modelagem da privatização da empresa de saneamento; e outra política, destinada a evitar que o episódio contamine diretamente o próprio governador, pré-candidato à Presidência da República ou à vaga de vice em uma chapa encabeçada por Ratinho Jr. Na semana passada, vieram a público detalhes da delação premiada de Amadeo ao Ministério Público Federal. O executivo admitiu ter autorizado o pagamento de propinas a políticos quando era presidente da Aegea, entre 2011 e 2020. Para todos os efeitos, os crimes ocorreram a léguas de distância da Copasa. Mas, tanto no mercado quanto na política, há dois mundos: o real e o percebido. Ainda que os fatos narrados na delação não guardem relação direta com a Copasa, a presença de Amodeo empurrou essa crise para a estatal e consequentemente para a gestão Zema. A simples associação do nome do presidente do conselho a pagamentos ilícitos lança dúvidas sobre critérios de escolha, filtros de governança e mecanismos de compliance. Ao mesmo tempo, alimenta ilações sobre os parâmetros usados por Zema para o preenchimento de cargos.   

No plano empresarial, a prioridade é reforçar a narrativa de que a crise está circunscrita a fatos pretéritos e individuais, sem vínculo com a atual gestão da Copasa. O governo trabalha para sustentar que a governança da companhia permanece íntegra e que o cronograma de privatização segue inalterado. A avaliação interna é que qualquer percepção de fragilidade institucional pode impactar o apetite de investidores e pressionar o valuation do ativo. Cabe lembrar que no dia em que a delação de Amadeo veio à tona, 13 de fevereiro, a ação da Copasa chegou a cair 3,5%. No terreno político, o esforço do Palácio Tiradentes é distanciar o máximo o ex-chairman da Copasa de Zema, na tentativa de evitar que sua conduta pregressa na Aegea se torne munição para adversários nas eleições.

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