WEG tenta desviar do bombardeio tarifário de Trump

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WEG tenta desviar do bombardeio tarifário de Trump

  • 19/06/2026
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O presidente da WEG, Alberto Kuba, tem mantido intensa interlocução com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. As conversas passam pela estratégia de negociação do governo Lula com Washington e pelo pleito de medidas compensatórias, capazes de mitigar o impacto da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A mobilização da WEG é proporcional ao estrago que o tarifaço reloaded de Trump pode causar em seus negócios. Caso nada mude, a fabricante de motores será uma das empresas mais duramente afetadas pela decisão do governo norte-americano. Cerca de 25% da produção da WEG no Brasil são destinados aos Estados Unidos.

O segmento de motores industriais já é atingido pela Seção 122 do Trade Act, de 1974, mecanismo que permite ao presidente dos Estados Unidos impor tarifas emergenciais para proteger a economia doméstica. O temor da companhia é uma eventual escalada para medidas enquadradas na Seção 301, instrumento muito mais agressivo, utilizado por Washington para retaliar países acusados de práticas comerciais consideradas desleais. Foi justamente esse dispositivo que serviu de base para boa parte das tarifas impostas por Donald Trump contra a China durante a guerra comercial. Nesse cenário, os custos de acesso ao mercado americano poderiam aumentar significativamente para fabricantes estrangeiros de equipamentos industriais. Mais preocupante ainda para a WEG é o avanço das investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 232. O dispositivo autoriza o governo americano a impor tarifas ou restrições comerciais sobre produtos considerados estratégicos para a segurança nacional. Foi essa mesma base legal utilizada por Donald Trump para sobretaxar as importações de aço e alumínio em seu primeiro mandato. 

A WEG se consolidou como uma fornecedora relevante de motores elétricos, transformadores, sistemas de automação, equipamentos para transmissão de energia e soluções ligadas à eletrificação e à transição energética. Trata-se justamente de setores que estão no centro da política de reindustrialização americana.  As novas tarifas atingem em cheio produtos industriais de maior valor agregado. Diferentemente de commodities agrícolas ou minerais, que podem encontrar mercados alternativos com relativa rapidez, equipamentos industriais exigem cadeias comerciais, certificações e relacionamentos construídos ao longo de anos. O momento é particularmente delicado para a WEG. Em 2025, a companhia registrou receita trimestral superior a R$ 10 bilhões e lucro líquido de R$ 1,59 bilhão, sustentada principalmente pela forte demanda global por infraestrutura elétrica, transmissão de energia, data centers e projetos ligados à inteligência artificial. Grande parte desse ciclo de investimentos está concentrada justamente nos Estados Unidos. Consultada pelo RR, a WEG não se manifestou.

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