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Agronegócio
A nova lei que abriu às cooperativas o acesso a até R$ 3 bilhões dos fundos regionais – Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) – dificilmente produzirá crédito e, consequentemente, dividendos políticos antes das eleições. Na prática, o impacto concreto da nova regra, aprovada na semana passada, só deverá aparecer em 2027, frustrando a expectativa do governo de exibir ainda neste ano uma resposta à crise financeira que avança sobre o cooperativismo agropecuário. A vitrine foi montada, mas o produto, ao que tudo indica, não chegará às prateleiras a tempo. Os primeiros empréstimos dependem da adequação dos regulamentos, manuais operacionais, critérios de enquadramento e ritos internos das superintendências regionais. Só depois disso as cooperativas poderão protocolar projetos com chance real de análise. Terão de apresentar documentação regular, garantias, licenças, estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental e comprovação de capacidade de pagamento. Não é exatamente um trâmite dos mais rápidos.
O timing é especialmente incômodo para o Planalto. A medida chega quando o cooperativismo agropecuário enfrenta uma das fases mais delicadas dos últimos anos. O agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 56,4% sobre 2024, segundo a Serasa Experian. Não há um levantamento público consolidado que separe, dentro desse universo, quantas são cooperativas agropecuárias. Mas os casos conhecidos bastam para mostrar a temperatura do problema. A Cotribá, cooperativa mais antiga do país, voltou a tentar recuperação judicial neste ano, com dívida na casa de R$ 1,7 bilhão. A Languiru segue como símbolo da crise gaúcha, em liquidação extrajudicial e com horizonte de anos para equacionar seu passivo. O pano de fundo é uma combinação de juros altos, margens comprimidas, quebras de safra, endividamento acumulado e restrição de crédito.
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