Comunicação da campanha de Lula vai incorporar ramificações do "Mastergate"

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Comunicação da campanha de Lula vai incorporar ramificações do “Mastergate”

  • 22/06/2026
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O marqueteiro do Palácio do Planalto, Sidônio Palmeira, quer fazer do limão uma limonada. O envolvimento do líder PT no Congresso, Jaques Wagner, com o Master, muda, pelo menos em parte, o eixo da campanha eleitoral. Segundo uma fonte do RR, a nova orientação é que Lula seja uma espécie de “Eliot Ness” brasileiro. Vai cobrar mais apuração dos crimes, repetir que o país não aceita mais os acontecimentos recentes de ilicitudes e corrupção, bater na tecla de que cada um terá de pagar pelo que fez e dizer que, caso eleito, dará um fim a essa República de meliantes. O discurso é que o governo enfrentará todos os poderosos dos diversos estamentos. É o Lula xerife. Assim é se lhe parece.

E quanto a Jaques Wagner? A estratégia não muda. O presidente agirá como fez com outros “companheiros” envolvidos em ligações e situações perigosas. Dirá que não acredita nos fatos conforme foram apurados, que há engano no processo e que mantém seu apoio incondicional ao amigo e aliado.  Com essa iniciativa, espera ganhar tempo junto às mídias e amansar uma eventual irritação do aliado, evitando que ele se considere abandonado. Até aí, já serão realizadas as eleições.

O primeiro movimento, a declaração pública de Lula de que vai fortalecer ainda mais a Polícia Federal, já foi feita. Mal o episódio do envolvimento de Jaques Wagner veio à tona, o presidente empoderou o trabalho da PF. Obra da engenharia de comunicação de Sidônio Palmeira, que agora acompanha no detalhe a atuação da corporação. O Palácio está a par da inclusão de cada um dos novos personagens envolvidos no Caso Master, mesmo os coadjuvantes. O diagrama que a Polícia Federal construiu dos pontos entrelaçados no Caso inclui elementos notoriamente bipolares da política brasileira. Já há mais de uma centena de nomes e pistas. O Palácio acompanha cada grão de trigo dessas investigações. Criou uma linha direta com o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Andrei Augusto Passos. De acordo com a fonte do RR, Lula tem prestigiado o policial como nunca se viu em todas as suas gestões anteriores. Sidônio tem um sistema de informações combinado com Andrei Augusto para atualizar as investigações do “Mastergate” passo a passo. A linha que está sendo esticada pela PF é cada vez mais elástica e junta antípodas de toda ordem: partidos, candidatos, lideranças e amigos dos amigos. O caso Jaques Wagner puxou mais um fio na meada. A Bahia cresce como locus da investigação devido às ramificações coronelísticas do PT no estado. Wagner, para não dizer Rui Costa, é um político tentacular. E a Bahia é essencial para o PT.

O núcleo duro dos favorecidos por Vorcaro já está identificado. O problema é que ele não para de crescer. Até agora, os nomes e relações que integram o “diagrama Vorcaro” não deixam mais dúvidas. Ele prioriza os nomes dos bolsonaristas, sem exceção, que devem ser envolvidos no caso. Se já havia a missão natural de escrutinar todos, agora há apoio político redobrado. A segunda atenção especial está voltada para os assessores ou lideranças que mais próximos do presidente. Ou seja, constam da lista Rui Costa e Guido Mantega – responsável por levar Daniel Vorcaro para uma conversa pessoal com Lula -, e agora Jaques Wagner; em um plano inferior, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que advogou para o meliante. Do lado inverso, os ativos de Lula são o presidente do PP, Ciro Nogueira, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, envolvidos até o último fio de cabelo. Em uma linha mais abaixo está o deputado federal Mario Frias (PL-SP); e last but not least os ministros Alexandre Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes. Há também ao menos dois ex-governadores, Cláudio Castro e Ibaneis Rocha.

Esse fio condutor é considerado ainda muito incompleto. De certa forma, o surgimento de mais nomes – no raciocínio de Sidônio – com a devida cautela na comunicação, poderá permitir que o candidato Lula alargue seu discurso de higienizador do Brasil e da política nacional. De qualquer forma, o que causa mais estranheza de pensar é que a PF pudesse ter tamanho protagonismo político. Ela é um braço eleitoral de Lula e quem mais luta para que não se cumpra a máxima aristotélica: a democracia é uma forma degenerada de governo, um passo em direção à demagogia, e finalmente, à anarquia. Não raras vezes confundida com a Politeia (república), onde a maioria governa com foco na justiça.

 

#Lula

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