Chinalco faz da CBA trampolim para investimentos em energia no Brasil

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Chinalco faz da CBA trampolim para investimentos em energia no Brasil

  • 5/02/2026
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A compra da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), em parceria com a Rio Tinto, é o marco zero de uma estratégia de negócios mais ampla da Chinalco para o Brasil. O RR apurou que o grupo asiático planeja investir na área de energia. Há informações no mercado de que os chineses já abriram canais de interlocução com os governos do Piauí e do Rio Grande Norte para discutir projetos de geração eólica nos dois estados. A empresa teria a escolta financeira do China Development Bank e Asian Infrastructure Investment Bank, instituições, inclusive, que já mantêm acordos com o BNDES para investimentos em energia limpa no Brasil. A Chinalco olha para dentro e para fora da CBA. A premissa é garantir a autossuficiência da empresa que era a menina dos olhos de Antonio Ermírio de Moraes. Já há algum tempo, a CBA produz a maior parte da eletricidade que consome, mas ainda tem de buscar no mercado livre uma parcela expressiva da sua demanda, algo em torno de 40%. Como se sabe, fabricar alumínio é basicamente queimar energia – em plantas menos eficientes, o impacto do insumo sobre o custo de produção pode chegar a 50%. Mas a Chinalco quer ir bem além das paredes da CBA. Os chineses vislumbram a oportunidade de vender energia a terceiros, criando, assim, um segundo eixo estratégico no Brasil.
De certa forma, a compra da CBA já coloca a Chinalco no mercado de energia no Brasil – ainda que a produção da empresa seja quase que integralmente para consumo próprio. Com a incorporação da fabricante de alumínio, em sociedade com a Rio Tinto, os chineses herdarão 21 usinas hidrelétricas (15 delas controladas pela CBA e outras seis em consórcio) e dois parques eólicos. Trata-se de uma capacidade instalada de 1,6 GW, o equivalente a usina de Belo Monte. No fim do ano passado, por sinal, a CBA adquiriu junto à Casa dos Ventos uma participação no complexo de energia eólica Serra do Tigre, na divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte.
A Chinalco, 100% controlada pelo governo chinês, quer replicar no Brasil a lógica de integração vertical que carrega em seu país natal. Mineração, refino, metalurgia e energia formam um ecossistema único. Por meio da Chinalco Ningxia Energy, sua controlada, o grupo mantém um colar de participações em projetos de geração renovável. Entre outros ativos, o portfólio inclui usinas eólicas e solares integradas a polos industriais em Xinjiang e Ningxia, além de hidrelétricas de médio porte. Sua carteira tem espaço também para a velha energia suja, leia-se térmicas a carvão ultra-supercríticas – a exemplo do complexo de Lingwu -, que detêm tecnologia avançada de vapor em condições extremas de pressão e temperatura, superiores às das usinas convencionais.

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