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A Cotribá avalia caminhos para contornar as restrições impostas pelo modelo cooperativado e atrair capital sem mexer diretamente na estrutura da empresa-mãe. A alternativa mais provável passa por algum tipo de segregação de ativos, com a criação de veículos próprios, sociedades de propósito específico ou subsidiárias capazes de receber recursos de bancos e fundos. A engenharia permitiria preservar o controle dos cooperados sobre a Cotribá e, ao mesmo tempo, abrir espaço para investidores participarem do equity de negócios específicos, como armazenagem, unidades industriais, recebimento de grãos ou operações logísticas.
A fórmula não é trivial, mas parece cada vez mais necessária. A cooperativa, fundada em 1911 e considerada a mais antiga do país em atividade, carrega uma dívida estimada em R$ 1,7 bilhão. São cerca de R$ 900 milhões em débitos com mais de 30 instituições financeiras e outros R$ 800 milhões com produtores e fornecedores.
O problema é que, antes de convencer investidores, a Cotribá precisa convencer a Justiça e seus credores. A recuperação judicial da cooperativa é um terreno movediço. Depois de obter uma decisão favorável em primeira instância, a cooperativa sofreu revés no TJ-RS, que entendeu que uma cooperativa não poderia pedir recuperação judicial. A empresa voltou à Justiça em abril de 2026, mas o risco jurídico permanece: a Lei de Recuperação Judicial foi desenhada para empresários e sociedades empresárias, enquanto cooperativas têm natureza própria e continuam sendo tratadas em uma zona cinzenta pelos tribunais. Conforme o RR informou (Leia aqui), Banco Votorantim e Santander, dois dos principais credores da Cotribá, tentam barrar o pedido de RJ da companhia justamente com o objetivo de inibir outras cooperativas a buscarem o mesmo caminho.
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