Fim da pílula de veneno embaralha ainda mais as cartas no Pão de Açúcar

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Fim da pílula de veneno embaralha ainda mais as cartas no Pão de Açúcar

  • 16/06/2026
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A derrubada da poison pill do Grupo Pão de Açúcar, aprovada ontem, suscitou diferentes interpretações no mercado. A mais óbvia e imediata é que a decisão abre caminho para a família Coelho Diniz, maior acionista da companhia, com 24,9%, assumir uma posição de controle. Pode ser; pode não ser. Entre os investidores, há quem enxergue um segundo cenário não tão cristalino: a criação de um Frankenstein societário. A leitura é que a retirada da pílula de veneno abre caminho para uma negociação com os credores e a conversão de debt em equity, com a possibilidade de os bancos passarem a ter mais de 25% do capital – a trava desbloqueada com o fim da poison pill. O GPA atravessa uma complexa recuperação extrajudicial envolvendo cerca de R$ 4,5 bilhões. Entre os principais credores estão instituições como Itaú, BTG Pactual e Rabobank. São os principais candidatos a assumir o comando na rede varejista no caso de conversão do passivo em participação acionária. Essa hipótese embaralharia ainda a composição de forças do GPA, que já convive hoje com uma estrutura acionária cheia de arestas. Logo atrás dos Coelho Diniz aparece o investidor ativista Silvio Tini, com 24,5%. Some-se o Casino, que tem 20,4% e quer deixar o negócio, mas enfrenta um contencioso com o clã mineiro que trava a venda das ações. Nesse contexto, o GPA pode sair da recuperação extrajudicial sem um controlador definido e com múltiplos polos de influência disputando espaço. De um lado, uma tradicional família do varejo alimentar. De outro, um investidor financeiro conhecido por operações oportunísticas. No meio do caminho, um Casino enfraquecido, mas ainda dono de uma fatia relevante do capital. Ao redor deles, bancos, gestores e credores que passaram a ter peso crescente na discussão sobre o futuro da companhia.

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