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Quem, afinal, vai mandar no Carrefour Brasil? Essa é a pergunta que vem sendo feita nos próprios corredores da companhia e começará a ser respondida a partir desta semana, quando o francês Julien Munch assume o cargo de “deputy-CEO”, criado sob medida para ele. Para todos os efeitos, Munch será algo como um vice-CEO, ficando, portanto, abaixo de Pablo Lorenzo, presidente do grupo no Brasil. Mas será que tudo é como parece ser? Dentro da empresa a nomeação do executivo francês tem alimentado rumores de um possível enfraquecimento da posição de Lorenzo, no posto de CEO há apenas cinco meses. Desde já, a percepção é que Munch chega para quebrar hierarquias na governança do Carrefour Brasil e funcionar como uma espécie de “interventor”, com poderes para atuar de forma transversal em todas as áreas do grupo – supermercados, hipermercados, a bandeira atacadista Sam’s Club e o braço imobiliário. Para se ter uma ideia do status com que desembarcou no país, além do figurino de “deputy-CEO” feito sur mesure, ele acumulará funções até então divididas entre dois executivos – José Rafael Vasquez, que ocupava a função de CEO de Varejo e do Sam’s Club, e Liliane Dutra, que comandava a divisão de real estate. Ambos deixaram a companhia em dezembro, assim como Marcelo Tardin, que chefiava a área de transformação.
O frenético troca-troca no apagar das luzes de 2025 aumentou a tensão entre os executivos do Carrefour Brasil. Primeiro, pelo instinto de sobrevivência. Na empresa o que se diz à boca miúda é que a chegada de Julien Munch deverá deflagrar novas mudanças na diretoria. Além disso, há uma apreensão de como, na prática, se dará o jogo hierárquico entre Munch e Pablo Lorenzo. Há espaço para a coabitação de dois executivos com o peso e a trajetória que ambos carregam dentro do grupo? Lorenzo conduziu a reestruturação do Carrefour na Argentina, a incorporação do Grupo BIG no Brasil e assumiu também o comando da empresa na América Latina. Munch, por sua vez, ocupava até dezembro o poderoso cargo de chefe geral de operações do grupo na França. Não obstante o currículo, talvez os cinco meses no cargo já tenham sido suficientes para gerar algum desgaste e até mesmo colocar em xeque a liderança de Lorenzo. O RR encaminhou uma série de perguntas ao Carrefour Brasil, por meio de sua assessoria, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
O Carrefour atravessa o que talvez seja a sua maior reestruturação em 50 anos no país. A reorganização vai do intenso troca-troca de executivos à transferência da sua própria sede no Brasil, de Barueri para o centro de São Paulo. A nova gestão – seja ela comandada por Lorenzo ou por Munch – tem a missão de atacar o que, aos olhos dos franceses, são lacunas deixadas pela gestão de Stéphane Maquaire, que ocupou a presidência do Carrefour Brasil de 2021 até julho do ano passado. Segundo informações filtradas pelo RR, foram identificadas falhas no processo de integração entre varejo e atacado e processos defasados com gargalos em controle de estoque, fluxo de pagamentos, logística e compliance. Esses entraves, segundo fontes do setor, contribuíram para atrasos operacionais, falhas de comunicação interna e perda de competitividade. A governança corporativa também emerge como área prioritária de reforma. A antiga estrutura era percebida como dispersa, com centros decisórios fragmentados e pouca coesão entre diretorias. Some-se o fato de que o Carrefour Brasil está no meio de um processo de repactuação de seu passivo, da ordem de R$ 9,8 bilhões. Uma parte das dívidas foi contraída junto à própria matriz, que refinanciou a empresa para o pagamento antecipado de diversas séries de debêntures simples e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
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