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Quem vai dar o bote no Grupo Pão de Açúcar (GPA)? Essa é a pergunta que se ouve no mercado diante da escalada de Silvio Tini e da família Coelho Diniz, os dois maiores acionistas do GPA, no capital da rede varejista. Entre os investidores, a percepção é que tanto Tini quanto o clã mineiro preparam o terreno para um movimento mais contundente. Por movimento mais contundente entenda-se a aquisição da participação do Casino. Segundo informações filtradas pelo RR, Tini, de um lado, e os Coelho Diniz, do outro, vêm mantendo conversas com os franceses. O grupo francês, que não vê a hora de deixar o Brasil, detém cerca de 20% das ações do GPA. Quem conseguir fisgar essa fatia ficará em posição privilegiada para exercer a influência predominante sobre a governança e os rumos estratégicos da varejista. Ressalte-se que, na semana passada, os acionistas do Pão de Açúcar derrubaram a poison pill do estatuto da empresa, abrindo caminho para que qualquer investidor tenha mais de 25%. Hoje, Tini tem 25,8%; já os Coelho Diniz somam 24,6%.
É um xadrez societário entre jogadores de “estilos” diferentes. Os Coelho Diniz são do ramo. A família controla supermercados em Minas Gerais há décadas. Já Tini é um dos mais notórios ativistas do mercado de capitais brasileiro. Para ele, assumir uma posição de mando representará conduzir a negociação com os credores em meio ao processo de recuperação extrajudicial. Nessa disputa peça a peça, a relação entre os dois maiores acionistas do GPA é insondável. Não há sinais aparentes de desarmonia, mas tampouco existe qualquer evidência de aproximação. Até agora, não surgiram acordos de voto, alianças para o conselho ou qualquer indicativo de atuação coordenada. A questão agora é saber quem conseguirá transformar participação acionária em influência efetiva. O Casino pode ser o fiel dessa balança.
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