Nivea espreme o Brasil até a última gota de lucro - Relatório Reservado

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Nivea espreme o Brasil até a última gota de lucro

  • 26/02/2013
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O Brasil tornou-se uma espécie de hidratante financeiro da Nívea. Os alemães estão espremendo a subsidiária brasileira sem dó, como quem aperta um tubo de creme até extrair a última gota. O creme, neste caso, são os lucros que têm permitido ao grupo compensar o baixo crescimento de outros mercados na América Latina e, sobretudo, parte das perdas sofridas em alguns países da Europa, notadamente no lado Ocidental. E quanto mais a Nivea Brasil entrega, mais e mais a matriz exige. Para a angústia dos executivos da empresa no país, a meta de crescimento das vendas neste ano teria sido esticada para 20%. Segundo informações filtradas junto a  companhia, os próprios dirigentes têm batido cabeça em relação a  estratégia de vendas a ser adotada para alcançar uma expansão tão superlativa como esta. Para efeito de comparação, o índice é quase seis pontos percentuais superior a  média de aumento da receita da subsidiária nos últimos dois anos. Mais do que isso: tomandose como base a performance mundial do grupo no ano passado, seriam necessários quatro anos para que a Beiersdorf, holding controladora da Nivea, tivesse um resultado neste patamar. Os executivos da Nivea no Brasil estão diante de uma conta difícil de ser fechada. Um dos fatores que torna a equação ainda mais complexa é a verba de marketing. Os alemães mantiveram praticamente o mesmo orçamento do ano passado. Ou seja: os dirigentes da empresa vão ter de erguer um prédio alguns andares mais alto com o mesmo número de tijolos. A cobrança é proporcional a s expectativas que a Beiersdorf deposita na subsidiária. No mapa-múndi do grupo, o Brasil faz parte de uma restrita relação de países que deverão apresentar taxa de crescimento das vendas de dois dígitos nos próximos cinco anos. Por essas e por outras, virou um valioso exportador de divisas para a Beiersdorf. Para atingir o desempenho esperado, os alemães têm demonstrado que não vão poupar esforços e muito menos cabeças. A gestão da Nívea Brasil vem passando por importantes mudanças. Em janeiro, Theodoro Oliva Neto assumiu a diretoria de vendas. De acordo com fontes ligadas a  empresa, dois executivos serão substituídos até abril. Isso para não falar da ainda fresca troca na presidência da subsidiária brasileira. O alemão Christian Goetz está no cargo desde outubro do ano passado. No entanto, segundo línguas ferinas dentro da Nívea, parece que já se passaram uns dez anos desde que Goetz chegou ao Brasil. Não há creme capaz de esconder as marcas no rosto e o semblante permanentemente carregado do executivo. São as rugas do crescimento. Procurada, a empresa informou estar em período de silêncio e não se pronunciou sobre as metas de crescimento. Em relação a  possível troca de diretores, a Nivea disse desconhecer o assunto.

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