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Agronegócio
A Cotribá, que entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 1,4 bilhão, desponta como uma espécie de laboratório de engenharia societária para o cooperativismo em crise. Os dirigentes e credores da empresa agrícola já cogitam soluções menos convencionais para contornar amarras impostas pelo modelo de cooperativa. Entre os caminhos em discussão estaria a criação de veículos paralelos, como holdings operacionais ou SPEs, para concentrar determinados ativos, e a formação de joint ventures com grupos do agro ou fundos financeiros. Também estão sobre a mesa estruturas próximas de quasi-equity, nas quais o investidor não se torna dono da cooperativa, mas passa a ter participação econômica em fluxos, receitas ou unidades de negócio. Nos tubos de ensaio das negociações com os credores, surgem ainda outras fórmulas eventuais, como a entrada de fundos de investimento em recebíveis, contratos futuros, estoques ou ativos operacionais, antecipando caixa à cooperativa em troca de garantias e prioridade de pagamento. Na prática, seria uma espécie de capitalização por fora: a Cotribá preservaria sua natureza cooperativa, mas parte de seus ativos ou resultados passaria a sustentar instrumentos financeiros negociados com credores e investidores.
A Cooperativa Agrícola Mista General Osório, fundada em 1911 em Ibirubá, no noroeste do Rio Grande do Sul, é considerada a cooperativa agrícola mais antiga do Brasil em atividade. Com faturamento na casa de R$ 4 bilhões e forte presença na originação de grãos, fornecimento de insumos e relacionamento com produtores rurais, a empresa vive sua maior crise financeira. A lista entregue pela cooperativa à Justiça dá a dimensão do problema. São mais de 78 mil registros de débitos, distribuídos em 1,7 mil páginas, envolvendo 20.614 credores. Do total de R$ 1,4 bilhão informado no processo, R$ 1,3 bilhão corresponde a créditos quirografários, sem garantia real, espalhados por 19.624 credores. Outros R$ 99,7 milhões têm garantia real, e R$ 10,2 milhões são créditos trabalhistas.
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