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Ao se referir ao buraco contábil de R$ 5 bilhões da Aegea como um “susto” – em entrevista publicada ontem pelo Pipeline, do Valor Econômico -, o presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal, valeu-se de um malabarismo semântico. Para os Setúbal, a crise da empresa de saneamento teve a força de um abalo sísmico, gerando fissuras na relação entre a Itaúsa, detentora de 13% do capital, e os demais acionistas, a Equipav e o GIC, fundo soberano de Cingapura. O que se diz no mercado é que a holding dos Setúbal quer distância do negócio e estaria apenas aguardando a primeira janela de oportunidade para se desfazer da sua participação. Além de ter sido obrigada a fazer um ajuste em seu próprio balanço da ordem de R$ 700 milhões, a Itaúsa se viu arrastada para a crise de credibilidade da Aegea, agravada pelas suspeições de inconsistências contábeis que se espalharam pelo mercado.
As perdas financeiras se somam a um abalo reputacional: independentemente de maior ou menor participação na gestão e responsabilidade sobre a governança da Aegea, o tratamento sanitário que precisou ser dado às demonstrações contábeis da companhia respingam sobre a imagem da Itaúsa. Logo após a republicação do balanço, os Setúbal, inclusive, teriam cobrado mudanças na gestão da Aegea – conforme o RR informou (Leia aqui). A empresa reapresentou suas demonstrações financeiras e reduziu em cerca de R$ 5 bilhões o patrimônio líquido consolidado, de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,4 bilhões. O problema, para os Setúbal, não é apenas o tamanho da baixa. É o que ela revela — ou pode revelar — sobre a qualidade dos controles, a governança e a confiabilidade dos números da Aegea.
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