Mercado
Credores veem blefe de Ometto em ameaça de saída da Raízen
Entre os credores da Raízen, há quem interprete a possibilidade da Cosan de deixar a companhia, informação que correu no mercado na última sexta-feira, como um blefe de Rubens Ometto. A leitura é que o empresário estaria usando a ameaça para tentar inverter a correlação de forças da negociação justamente no momento em que cresce a pressão de bancos e bondholders para que ele deixe a presidência do conselho da Raízen como parte da reestruturação financeira da empresa. É quase uma bala de prata. Por essa lógica, a hipótese de saída seria um artifício para forçar credores, Shell e mercado a confrontarem um cenário desconfortável: quem assumiria o ônus político, financeiro e operacional da companhia sem a Cosan? A avaliação de aliados do empresário é que, apesar da crise, a presença de Ometto ainda funciona como uma espécie de âncora de estabilidade institucional para a empresa. Sua deserção abrupta poderia agravar a percepção de risco da Raízen, dificultar a captação de recursos, pressionar ainda mais os títulos da companhia e elevar o custo da própria reestruturação. Ao lançar mão de uma renúncia à lá Jânio Quadros – no caso do presidente da República, o tiro saiu pela culatra -, Ometto buscaria também evitar uma diluição excessiva da sua participação na conversão de dívida em ações e aumentar o poder de barganha da holding nas negociações com bancos e bondholders. Pode ser, pode não ser, mas situações limítrofes – como parece ser o caso da Raízen e da Cosan – exigem movimentos limítrofes.
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