Enel lança estratégia para garantir sobrevida em SP até as eleições

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Enel lança estratégia para garantir sobrevida em SP até as eleições

  • 19/05/2026
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Todos os esforços da Enel estão voltados a atravessar o “Rubicão eleitoral”. Segundo informações filtradas pelo RR, a ordem no grupo italiano é usar de todos os expedientes possíveis no âmbito administrativo e, se necessário, judicial para garantir a sobrevida da concessão da distribuidora em São Paulo até o pleito de outubro. O primeiro movimento nessa direção foi o pedido à Aneel de contratação de uma perícia independente no processo que pode levar à revogação da concessão. O objetivo é esvaziar a base construída pela agência reguladora para sustentar a eventual perda da licença, alegando que o órgão usou critérios sem previsão regulatória clara. É só o começo. O que se diz nos bastidores é que os próximos passos já estão traçados: os italianos vão pedir produção de novas provas, questionar a metodologia da Aneel, contestar indicadores de continuidade e atendimento, atribuir parte das falhas a eventos climáticos extremos, alegar ausência de isonomia em relação a outras distribuidoras, entre outros expedientes para ganhar tempo. Isso apenas no âmbito administrativo. A possibilidade de judicialização é amplamente discutida na empresa.

A Enel joga suas últimas fichas na hipótese de que, passado o calor das urnas, a pressão política pela caducidade da licença da distribuidora paulista possa arrefecer. Hoje, a distribuidora paulista não enfrenta apenas um processo técnico na Aneel; enfrenta uma guerra política em pleno ano eleitoral. O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes transformaram a qualidade do serviço da companhia em vitrine de cobrança pública. Depois da decisão da Aneel de abrir o processo que pode levar à caducidade da concessão, ambos comemoraram o avanço do caso. O governador chegou a afirmar que a renovação do contrato da Enel seria uma “agressão” à população paulista; o prefeito, por sua vez, tem reiterado que os consumidores estão exaustos com a incapacidade da empresa de prestar um serviço digno. São frases boas de serem ditas em ano de eleição, sem entrar no mérito da qualidade – ou falta dela – dos serviços prestados pela empresa de energia. A distribuidora virou, na prática, o ponto de convergência entre três agendas: a pressão dos usuários depois dos apagões, a disputa institucional sobre a responsabilidade pela concessão e o cálculo eleitoral de quem não quer chegar às urnas associado à leniência com a empresa. É nesse tabuleiro que a Enel tenta ganhar tempo. 

 

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