E se a União Europeia vetar a carne brasileira...

Política externa

E se a União Europeia vetar a carne brasileira…

  • 14/05/2026
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A preocupação do Ministério da Agricultura com a ameaça da União Europeia de veto à carne brasileira é ainda maior devido ao risco de um efeito dominó sobre o comércio exterior. Dentro da Pasta, o temor é que a eventual sanção de Bruxelas passe a funcionar como uma espécie de alerta sanitário global, levando outros países a rever habilitações, exigir documentação adicional, ampliar inspeções ou suspender temporariamente compras de proteína animal brasileira. O primeiro círculo de risco está no próprio entorno regulatório da União Europeia. Noruega, Islândia e Liechtenstein integram o Espaço Econômico Europeu ou seguem regras sanitárias fortemente alinhadas às de Bruxelas. A Suíça, por sua vez, participa de um espaço veterinário comum com a UE. Na prática, são países que historicamente tendem a acompanhar listas, exigências e controles europeus para produtos de origem animal. Não são os maiores compradores da carne brasileira, mas sua adesão reforçaria a narrativa de isolamento sanitário.

O segundo círculo alcança países que não seguem automaticamente a Europa, mas costumam reagir de forma preventiva quando há suspeitas sanitárias envolvendo grandes exportadores. O precedente mais recente veio com a gripe aviária no Brasil, em 2025. Após a confirmação de um foco em granja comercial no Rio Grande do Sul, China, Coreia do Sul, México, Chile, Uruguai e a própria UE suspenderam compras de produtos avícolas brasileiros, total ou parcialmente, ainda que alguns tenham adotado restrições regionais e outros, nacionais.

No Ministério da Agricultura, há quem lembre do precedente de 2018, quando a União Europeia restringiu importações de carnes de estabelecimentos brasileiros por preocupações com salmonella e falhas de controle após a Operação Carne Fraca. O episódio foi parar na OMC e deixou uma lição incômoda para Brasília: uma restrição europeia raramente fica confinada ao seu efeito comercial imediato. Ela contamina a percepção sobre o sistema de fiscalização do país exportador.

 Em 2025, o Brasil vendeu cerca de US$ 1,8 bilhão em carnes para o bloco, considerando carne bovina e carne branca. O montante equivale a menos de 6% das exportações brasileiras de proteína animal. No entanto, o debate dentro do governo vai muito além das cifras. O risco maior é exatamente o de multiplicação de barreiras. Se outros compradores seguirem a UE, ainda que parcialmente, a indústria brasileira pode enfrentar um encadeamento de problemas: redirecionamento de cortes e produtos para mercados menos rentáveis, queda de preços em determinados segmentos, pressão sobre plantas habilitadas, revisão de turnos, acúmulo de estoques e perda de margem. No limite, uma disputa regulatória sobre antimicrobianos pode virar uma crise de confiança na carne brasileira.

 

#Ministério da Agricultura

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