Buscar
Destaque
A Trafigura, uma das maiores tradings do mundo, com receita de US$ 250 bilhões, enxergou uma luz em meio à grave crise no mercado livre de energia no Brasil. A empresa se movimenta para comprar carteiras de contratos ou mesmo o controle de comercializadoras que atuam nesse segmento no país. Segundo informações filtradas pelo RR, há conversações com a Tradener, que atravessa uma delicada situação financeira. A empresa foi à Justiça para suspender execuções de contratos no valor total de R$ 5,4 bilhões e evitar seu desligamento da CCEE, na prática uma tentativa de ganhar tempo para renegociar obrigações com credores e contrapartes. Outro alvo seria a Electra, igualmente com dificuldades de cumprir acordos para a entrega de energia. Procuradas pelo RR, Trafigura e Electra não quiseram comentar o assunto. A Tradener, por sua vez, informou ter ingressado “com medida cautelar perante a 27ª Vara Cível e Empresarial de Curitiba/PR, com o objetivo de assegurar a continuidade de suas operações e proteger o atendimento aos seus clientes enquanto negocia, de forma ordenada, uma solução com suas contrapartes”. A empresa afirma que “o mercado livre de energia atravessa um período de instabilidade sem precedentes, causado por uma combinação de fatores estruturais: mudanças regulatórias nos modelos setoriais, expansão da energia solar em ritmo muito superior ao planejamento oficial do setor e restrições crescentes na capacidade de entrega das fontes renováveis ao sistema”. Perguntada especificamente sobre as conversas com a Trafigura, a Tradener não se manifestou.
O que está em marcha é uma ofensiva oportunística da Trafigura. A trading de Cingapura está criando uma estrutura de comercialização de energia no Brasil – a cargo do ex-Light Pedro Vidal – justamente no momento em que o mercado livre enfrenta um apagão. Para muitos, o cenário atual já pode ser classificado como uma crise estrutural. O problema ganhou escala, sobretudo, entre comercializadoras de médio porte, que operavam altamente alavancadas e expostas a contratos de longo prazo fechados antes da derrocada dos preços de energia. Muitas passaram a enfrentar dificuldades simultâneas: inadimplência de clientes, chamadas adicionais de garantias financeiras na CCEE, descasamento entre compra e venda de energia e perda de capacidade de honrar contratos. Aos casos da Tradener e da Electra somam-se, por exemplo, os pedidos de recuperação judicial em série da IBS Energy, Gold e 2W. Onde muitos enxergam apenas breu, a Trafigura vê uma avenida reluzente. A trading vislumbra a possibilidade de encurtar etapas e montar uma posição relevante nesse mercado a partir da aquisição de um combo fechado de ativos – licença, equipe, sistemas, cadastro na CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), carteira de clientes, relacionamento com consumidores livres etc. Os asiáticos chegam com voltagem de sobra para conquistar espaço no mercado livre de energia, que já responde pela compra a venda de mais de 40% da eletricidade consumida no país – na indústria, esse índice já chega a 95%.
Todos os direitos reservados 1966-2026.