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O olhar intencionalmente perdido e a distância que Sergio Moro manteve de Flavio Bolsonaro durante o pronunciamento deste último, ontem, na Câmara dos Deputados são mais do que reveladores. Aos poucos, a candidatura do “01” começa a encontrar focos de resistência dentro do próprio PL. E Moro é um deles. Segundo o RR apurou, Flavio tem uma viagem a Curitiba marcada para o próximo dia 29, onde se encontrará com Moro e com Filipe Barros, aliado do ex-ministro da Justiça e candidato ao Senado pelo PL. A princípio, o roteiro traçado previa uma declaração de ambos em apoio a Flavio. No entanto, a revelação das relações promíscuas com Daniel Vorcaro deverá provocar rasuras no script. De acordo com a fonte do RR, Moro está reticente em se manifestar formalmente a favor da candidatura de Flavio à Presidência. A interlocutores próximos, o ex-juiz já confidenciou que, à luz dos novos fatos, não está disposto a entrar na batalha sanguinolenta entre Lula e os Bolsonaro. Ele pode até bater no presidente da República – afinal, para os seus, sempre terá o capital político de poder dizer “eu coloquei o Lula na cadeia -, mas não pretende fazê-lo na posição de backing vocal do clã Bolsonaro.
Moro está hoje em uma posição razoavelmente confortável no Paraná. Lidera com folga todos os cenários para o governo estadual e já consolidou o apoio do eleitor bolsonarista, historicamente predominante no estado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril mostrou o senador com 35% das intenções de voto, contra 18% de Requião Filho e 15% de Rafael Greca. Em um cenário sem Greca, o ex-ministro sobe para 42%. Com esse capital político já sedimentado entre os eleitores de direita, Moro avalia que pode preservar um prudente distanciamento do clã Bolsonaro sem perder sua base eleitoral no Paraná — sobretudo no momento em que as revelações envolvendo Daniel Vorcaro aumentam o custo de uma associação ostensiva a Flavio Bolsonaro.
A resistência de Moro não é um caso isolado, mas parte de um movimento mais difuso de cautela dentro da própria direita. Nos últimos dias, aliados de Flavio passaram a tratar o caso Vorcaro não apenas como um problema eleitoral, mas como uma crise de confiança. Integrantes da própria campanha, a começar pelo coordenador, senador Rogério Marinho (PL-RN), foram surpreendidos pela extensão dos contatos do senador com o ex-dono do Banco Master e passaram a temer que novas mensagens, diálogos ou acusações venham à tona. O desconforto já se traduz em sintomas visíveis: a defesa pública de Flavio por aliados próximos do PL tem sido menos efusiva do que o próprio senador esperava. A reviravolta do senador — primeiro negando maior proximidade com Vorcaro, depois admitindo conversas e a visita ao banqueiro — deixou aliados atordoados. No núcleo de campanha, há uma crescente sensação de que o que Flavio diz não se escreve.
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