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Empresa

Bancos entram na justiça contra plano de recuperação da Ambipar

15/06/2026
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Os principais bancos credores da Ambipar, entre os quais Santander, ABC Brasil e Sumitomo, estão se mobilizando para entrar na Justiça com o objetivo de brecar o acordo costurado pela companhia com os bondholders. As instituições financeiras alegam que a empresa desenhou um plano de recuperação judicial on demand, para atender aos interesses dos detentores de títulos no exterior, criando uma assimetria entre os credores. O ponto central é a Ambipar Response, a divisão de emergências ambientais e industriais, vista pelo mercado como uma joia do grupo. A nova versão do plano discutida com os bondholders envolve justamente a transferência do controle da Response aos credores externos, em troca de apoio para aprovar a reestruturação. Para os bancos, isso equivale a retirar do tabuleiro o ativo mais precioso da Ambipar antes que os demais credores tenham participação efetiva na divisão do espólio. O acordo com os bondholders ganhou força depois que um grupo com mais de 50% dos títulos firmou um acordo de vinculação de voto, modelo pouco usual no Brasil, para negociar em bloco e evitar a entrada de investidores oportunistas no mercado secundário.  Na leitura dos bancos, a Ambipar estaria organizando uma saída em que os credores externos ficam com o miolo e os credores locais com a casca. A reação judicial deve explorar justamente esse ponto: tratamento desigual entre credores, concentração de valor nos bonds e risco de esvaziamento patrimonial da companhia. A disputa também carrega um histórico de desconfiança. Desde o início da crise, os bancos questionam manobras processuais da Ambipar, incluindo a escolha do foro da recuperação no Rio de Janeiro, embora a sede da empresa seja em São Paulo.

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Mercado

O que há de tão grave assim nos balanços da Ambipar?

20/05/2026
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A Ambipar está no centro de um tiroteio de especulações no mercado. O novo adiamento da divulgação dos balanços – a empresa não apresenta suas demonstrações desde junho do ano passado – aumentou a desconfiança dos investidores sobre o real estado financeiro da companhia. Entre investidores, circulam rumores de que a causa da nova postergação seriam graves inconsistências contábeis e falhas de compliance que teriam sido flagradas pela auditoria. Dessa forma, os auditores independentes estariam enfrentando dificuldades para validar informações essenciais, como caixa, dívida, covenants financeiros e contingências. No mercado, correm ainda informações de que a Ambipar teria sido obrigada a fazer reclassificações contábeis relevantes e revisar passivos. São especulações que só amplificam a desconfiança dos agentes financeiros em relação à gestão da empresa de Tercio Borlenghi. Procurada pelo RR, a Ambipar não quis comentar o assunto.

Tudo parece depor contra a Ambipar. A demissão de 35 executivos de áreas sensíveis, como financeiro, jurídico, tributário, RI, RH e controladoria, no fim do ano passado, adicionou novas camadas de descrédito e suspeições no mercado. À época, a própria empresa atribuiu as dispensas a “falhas graves na execução das melhores práticas de governança e gestão de riscos”. Que falhas graves foram essas? Tudo é difuso, não dito, o que aumenta a percepção de risco entre os investidores e faz com que as ilações mais corrosivas ganhem eco no mercado.

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Mercado

Conversão de dívida entra na órbita dos credores da Ambipar

8/05/2026
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A possibilidade de conversão de dívida em participação acionária ronda as negociações entre a Ambipar e seus credores. Segundo informações filtradas pelo RR, as discussões passam pelo uso dos créditos para a subscrição de novas ações que seriam emitidas pela companhia, com a consequente diluição da participação de Tércio Borlenghi Junior, fundador e controlador. Qualquer tratativa nesse sentido passa obrigatoriamente pelo BTG, hoje um dos principais credores da Ambipar. Há informações no mercado de que o banco segue comprando dívidas da empresa e já teria acumulado cerca de R$ 1,2 bilhão em recebíveis, notadamente bonds lançados no exterior. Ou seja: o BTG já responde por cerca de 10% do passivo total da Ambipar incluído na recuperação judicial, da ordem de R$ 10,4 bilhões. Não obstante o seu já conhecido apetite por distressed assets das mais distintas naturezas – créditos contra empresas, carteiras de empréstimos com inadimplência, precatórios e ativos de instituição financeiras em liquidação -, a voracidade com que tem comprado títulos da Ambipar vem alimentando no mercado a percepção de que o banco de André Esteves enxergou algo que não está à vista de todos. Procurado pelo RR, o BTG não se manifestou até o fechamento desta edição. Também consultada, a Ambipar não quis comentar o assunto.

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