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Política
O Palácio do Planalto baixou as lanças da articulação política — já bastante enferrujadas — e decidiu não comprar uma guerra aberta com a bancada ruralista na votação do pacotão do agro prevista para hoje no Congresso. Segundo informações que circularam no início da noite em Brasília, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, passou o dia de ontem em contatos com líderes da base aliada para evitar uma ofensiva governista contra as propostas que serão apreciadas hoje. Ainda ontem, havia focos de resistência no próprio PT e no PSOL. No Palácio do Planalto, o entendimento é que qualquer enfrentamento apenas servirá para colar no governo Lula mais uma derrota no parlamento. O caso mais sensível é o PL 5122/2023, em tramitação no Senado, sob relatoria de Renan Calheiros.
O texto autoriza o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento a produtores rurais atingidos por eventos climáticos. O dinheiro poderá ser usado para quitar dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratados até 30 de junho de 2025, com prazos de até dez anos — ou até 15 anos em casos especiais. O projeto também suspende cobranças e execuções das dívidas enquadradas durante o período de contratação. A equipe econômica chegou a trabalhar no Congresso na tentativa de brecar a aprovação. Provavelmente gastou cordas vocais à toa. O cálculo do Planalto é pragmático. Em ano eleitoral, Lula não quer oferecer à oposição a imagem de um governo votando contra produtores endividados. O resultado é que, no “Dia do Agro”, como a sessão de hoje no Congresso é chamada pela bancada ruralista, a Frente Parlamentar da Agricultura vai ditar a música.
Na Câmara, a ofensiva ruralista inclui o PL 2951/2024, que moderniza o seguro rural e amplia a cobertura para prejuízos causados por fenômenos naturais, pragas, doenças, danos a máquinas, galpões e animais. Também estão na pauta de hoje o PL 5900/2025, que amplia o peso do Ministério da Agricultura na análise econômica de normas que afetem o setor; o PL 2827/2025, sobre Imposto de Renda em arrendamento rural; o PLP 34/2026, de ajustes em incentivos ao agro; e o PL 3123/2025, que cria o Sistema Nacional de Gestão de Risco de Crédito Rural.
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