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A Petrobras vai acelerar a campanha de exploração na Margem Equatorial. Segundo o RR apurou, a direção da companhia inseriu no planejamento a perfuração de três poços adicionais no bloco FZA-M-059, na Foz do Rio Amazonas. O pedido de extensão das operações de sondagem foi encaminhado ao Ibama em janeiro. É importante ressaltar que não se trata de uma nova licença, o que provavelmente empurraria a análise apenas para 2027, mas, sim, de uma ampliação da autorização já concedida pelo Instituto em outubro do ano passado. Faz toda a diferença. Na prática, esse movimento permitirá à estatal manter operação permanente no Amapá.
Consultado pelo RR, o Ibama confirmou que a Petrobras solicitou o acréscimo de três poços. O Instituto informa que “solicitou informações adicionais ao empreendedor (confirmação da sonda a ser utilizada, a definição de um cronograma para o desenvolvimento das atividades e se haveria alteração na análise de risco já realizada)”. O Ibama disse ao RR que “ainda aguarda a apresentação das informações requeridas”. O órgão acrescenta que, “em caso de descoberta, se for de interesse da Petrobras produzir petróleo na área do bloco FZA-M-59, esta deverá elaborar um projeto de desenvolvimento da produção, que terá de passar por um novo processo de licenciamento ambiental, de rito trifásico, com elaboração de novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), realização de audiências públicas e demais ritos cabíveis”. Também procurada, a Petrobras não se manifestou até o fechamento desta matéria.
De acordo com uma fonte da Petrobras, a decisão da diretoria causou surpresa dentro da própria área técnica da empresa. Nessa fase preliminar, a atividade de perfuração se baseia em simulações sísmicas, e o grau de incertezas ainda é muito grande. Em condições normais de temperatura e pressão, novas perfurações ocorrem apenas após o avanço das pesquisas no(s) poço(s) já abertos e a consequente obtenção de resultados que justifiquem a expansão da campanha exploratória. No setor em questão, mudanças de padrão como essa sempre causam certo receio por trazerem a reboque um aumento de riscos em todos os sentidos, a começar por acidentes. Em janeiro, não custa lembrar, a Petrobras chegou a interromper os trabalhos de perfuração na região após identificar um vazamento no poço Morpho.
A pisada no acelerador da Petrobras se justifica por uma combinação de fatores, globais e internos. O rush na campanha exploratória da Margem Equatorial é um reflexo direto do cenário geopolítico cada vez mais incerto. A perspectiva de conflitos prolongados em regiões estratégicas para o mercado internacional de petróleo — especialmente no Oriente Médio — tem levado governos a reforçar suas apostas na expansão de reservas próprias. A tensão em torno do Irã e o risco recorrente de instabilidade no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, estão no centro das preocupações das grandes nações petrolíferas, assim como das corporações do setor. O presente aponta para um futuro de guerras longevas, quase permanentes, no Oriente Médio. Portanto, a ampliação das reservas domésticas é uma exigência do nosso tempo, condição fundamental para o reposicionamento do Brasil no tabuleiro energético internacional. Hoje, o país está na 15ª posição do ranking das maiores reservas globais, com 15,9 bilhões de barris. Essa mesma preocupação tem levado a estatal a buscar também oportunidades para exploração e produção em águas profundas em países africanos, como Namíbia, Gana e Costa do Marfim.
No front interno, a decisão de intensificar a campanha exploratória tem forte componente político. Lula ganha um novo “pré-sal” para os palanques eleitorais. Ao mesmo tempo, injeta combustível aditivado em uma pauta do interesse de governadores, parlamentares e candidatos do Norte e do Nordeste, que poderão levar para suas respectivas campanhas a promessa de um novo ciclo de investimentos, royalties e geração de empregos nas duas regiões. O avanço das operações no Amapá será, por exemplo, um presente, com laço e tudo, para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
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