Petrobras avalia reorganização interna e recriação da diretoria de Gás

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Petrobras avalia reorganização interna e recriação da diretoria de Gás

  • 8/04/2025
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O comando da Petrobras discute uma reestruturação interna com o objetivo de turbinar os negócios da companhia no mercado de gás. De acordo com informações filtradas pelo RR, os planos passariam pela recriação de uma diretoria específica para o setor. Hoje, os negócios da estatal na área estão pendurados na gerência executiva de Gás e Energia, por sua vez subordinada à diretoria executiva de Transição Energética e Sustentabilidade, a cargo de Mauricio Tolmasquim.

A medida seria uma demonstração da importância estratégica que a atual gestão da estatal dá ao setor. Em grande parte, esse peso está ancorado na Margem Equatorial. Os números ainda são imprecisos, mas estima-se que a Foz do Amazonas tenha cerca de 167 bilhões de metros cúbicos, ou seja, quase um quarto da totalidade das reservas atualmente comprovadas no país.

Outra peça importante no mosaico da Petrobras é a Colômbia. No fim do ano, a estatal, em parceria com a Ecopetrol, anunciou a descoberta do maior reservatório de gás do país vizinho, capaz de aumentar em 200% as reservas locais. Não por coincidência, dentro da Petrobras um dos principais articuladores da ideia de recriação da diretoria executiva de Gás seria Rodrigo Costa Lima e Silva.

Hoje, Costa Silva é gerente geral da empresa na Colômbia. Está na linha de frente das negociações com a Ecopetrol. Ele próprio já ocupou a antiga diretoria de Refino e Gás Natural, além de ter sido gerente executivo de Gás e de Estratégia.

É um currículo que o credencia para comandar a ressuscitada diretoria de Gás, ainda que carregue contra si o fato de ter sido diretor da companhia no governo Bolsonaro. A possível recriação da diretoria de gás é um movimento que vai muito além de um mero redesenho de organograma. Trata-se de uma iniciativa com efeitos práticos.

Uma diretoria executiva pressupõe aumento dos investimentos dentro do plano estratégico da companhia e maior força política para a aprovação e execução de projetos. As discussões internas partem da premissa de que a transição energética – assim como o futuro, diria Althusser – demora muito ainda. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), por exemplo, indicam que a demanda por gás natural no Brasil vai crescer 69% nos próximos dez anos.

No mesmo período, o consumo das térmicas, segundo a EPE, vai duplicar. São projeções que sustentam o reposicionamento estratégico da Petrobras e o aumento dos investimentos na área defendidos pela atual gestão. Para a estatal, há uma oportunidade entrelaçada com um desafio: de um lado, a possibilidade de surfar no salto da demanda por gás no país; do outro, a necessidade de recuperar o terreno historicamente perdido.

Os tempos de monopólio ficaram no passado. Com a Lei do Gás, a participação da Petrobras já decaiu para 67% no mercado cativo – no Nordeste, por exemplo, desabou para 29%. Há projeções de que, mantido o ritmo atual, o market share da empresa poderá chegar a 35% em uma década.

Em contato com o RR, a Petrobras informou que “o Plano de Negócios 2025-2029 prevê investimentos de mais de US$ 7 bilhões no desenvolvimento de novas infraestruturas, com projeção de aumento da oferta de gás nacional no nosso portfólio, que conta ainda com importação por gasoduto e por GNL. Com isso, incrementamos ainda mais a competitividade da companhia na participação em processos de compra promovidos por distribuidoras e consumidores livres”.

Consultada sobre a Margem Equatorial e seu potencial impacto positivo sobre a operação da empresa na área de gás, a estatal afirma que seu Plano de Negócio destina “US$ 7,9 bilhões na exploração de novas fronteiras, processo fundamental para a agregação de reservas, e para a manutenção de patamares mais altos de oferta nacional de gás, o que permitirá à Petrobras atender à demanda dos clientes por petróleo, derivados e gás natural, ofertando produtos de alta qualidade e de baixo carbono”. Perguntada especificamente se há estudos para a recriação da diretoria de Gás, a companhia não se pronunciou acerca do tema.

A Petrobras disse também ao RR que intensificou sua “atuação no mercado com uma carteira diversificada em preços, prazos, inícios de fornecimento, locais de entrega, indexadores e flexibilidades, dando aos clientes mais opções para formação do portfólio de compra de gás aderente às suas necessidades”. A estatal lembra ainda que, em 2024, lançou “o prêmio por performance e prêmio de Incentivo à demanda, mecanismos que buscaram aumentar a competitividade da companhia frente à concorrência, com produtos com preços menores para consumos adicionais a patamares pré-estabelecidos”.   

Em tempo: na Petrobras, a recente indicação de Maurício Tolmasquim para ocupar uma cadeira no Conselho da Eletrobras já é vista como um indício de que a cisão da diretoria de Transição Energética deverá sair do papel. A ida para o board da ex-estatal teria sido a engenharia encontrada para preservar o executivo de um inevitável downgrade e da perda de poderes decorrente do redesenho da sua diretoria. O ressurgimento da diretoria de Gás, se confirmado, representará automaticamente um esvaziamento da diretoria de Transição Energética.

O próprio Tolmasquim – figura de razoável proeminência em governos petistas (presidiu a Empresa de Pesquisa Energética entre 2005 e 2016) – já anunciou que deixará a Petrobras caso venha a ser eleito para o Conselho da Eletrobras.

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