Credores da Oi partem para o ataque e tentam brecar venda da V.tal

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Credores da Oi partem para o ataque e tentam brecar venda da V.tal

  • 7/04/2026
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A agonia da Oi não tem fim. Segundo o RR apurou, Pimco, Ashmore e SC Lowy pretendem recorrer da decisão da juíza Simone Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que autorizou a venda da participação da operadora de telefonia na V.tal para o BTG. O ataque do trio de credores da Oi deve começar pelo valor da negociação, de R$ 4,6 bilhões. Os fundos sustentam que o ativo foi subapreciado – o valuation correto, segundo eles, seria da ordem de R$ 12 bilhões. Ou seja: para as três gestoras, houve destruição de valor e prejuízo objetivo aos credores. Assim é se lhe parece. Outro eixo de contestação é o desenho do processo. Pimco, Ashmore e SC Lowy alegam que a operação foi realizada sem competição efetiva e, nos bastidores, insinuam que teria havido um direcionamento implícito ao BTG. O banco, ressalte-se, já é o principal acionista da V.tal, maior empresa de fibra óptica do Brasil, com uma rede de mais de 400 mil quilômetros. No recurso, as três gestoras deverão ainda resgatar a tese do credit bid, defendendo o direito de usar seus próprios créditos para assumir o ativo. No mercado, a interpretação é que há uma boa dose de blefe no contencioso. O objetivo da tríade não seria anular a venda ao BTG e, muito menos, assumir a fatia de 27,5% da Oi na V.tal, mas, sim, obter a reabertura da negociação e consequentemente forçar a apresentação de uma oferta maior pelas ações. Procurada pelo RR, a Ashmore não quis comentar o assunto. Também consultadas, Pimco e SC Lowy não se manifestaram até o fechamento desta matéria.

A fatia de 27,5% na V.tal é, na prática, o último ativo de escala da Oi capaz de mexer ponteiro no seu segundo plano de recuperação. Depois de vender o que era vendável — móvel, torres, data centers —, sobrou um portfólio residual, com baixa tração operacional e pouca capacidade de geração de caixa. A V.tal, ao contrário, é um ativo estruturado, com receita previsível e relevância sistêmica no mercado de fibra. É o único cheque que ainda pode ser escrito com algum tamanho. É exatamente por isso que virou o principal campo de batalha entre a companhia e seus credores mais agressivos. Para Ashmore, Pimco e SC Lowy, a hora é de espremer o máximo do último fruto da Oi que ainda carrega algum sumo.

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