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A menos de 20 dias da COP30, Lula tem um abacaxi ambiental para descascar. O anúncio da licença do Ibama para a Petrobras explorar um poço na Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial, coloca em xeque, desde já, os compromissos a serem assumidos pelo Brasil durante a Conferência Climática.
O que mais será dito pelos ambientalistas durante o evento é que Lula cedeu às pressões para a ampliação do consumo de energia fóssil. Mais trabalho para Sidônio Palmeira: o assunto já está na mesa do ministro-chefe da Secom. Sidônio tem discutido com o presidente uma saída pela tangente: a invenção de uma reserva técnica de combustível.
O governo se comprometeria com a manutenção debaixo do solo de uma parcela do petróleo existente nas jazidas futuramente descobertas. Essa trava seria calculada em cima de indicadores, a começar pela demanda energética. É uma daquelas propostas que tem todo o jeito de um balão de ensaio para ser solto durante a COP30. Se tiver gás e subir, ótimo; se lamber, o governo sopra as cinzas para longe.
Como construção de narrativa, a criação dessa geringonça energética surge como uma ideia oportuna, ainda mais com a capacidade de interpretação de Lula. Só que posterga para a próxima COP uma decisão tão ou mais complexa. Diversos países vivem do trade do petróleo. Essas nações teriam de cancelar uma possibilidade de enriquecimento com a decisão do governo brasileiro de abdicar da extração de parcela expressiva das suas reservas.
É um nó a mais para ser desatado. Nesse caso, a fábrica de balões do Palácio do Planalto já teria outro modelo colorido para lançar aos céus da COP30: a ideia de um estudo para o uso do petróleo como lastro cambial. Lula apresentaria ao mundo a proposta de criação de uma moeda ou de uma cesta de moedas indexada às reservas globais do combustível.
Mais uma vez, se vai colar ou não, é o que menos importa. Para o anfitrião da Conferência Climática, seria uma iniciativa compensatória ao anúncio hiperpoluente da Margem Equatorial. É mais uma ideia para evitar que Lula, em vez de ser reconhecido como uma liderança mundial na preservação do meio ambiente, deixe a COP30 como um bufão que não faz o que prega.
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