Copasa e eleições ameaçam licitação da Saneago

Saneamento

Copasa e eleições ameaçam licitação da Saneago

  • 7/05/2026
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Ronaldo Caiado deixou um problema de mais de R$ 6 bilhões sobre a mesa de Daniel Vilela, seu sucessor e candidato à reeleição ao governo de Goiás: o leilão da Parceria Público Privada da Saneago. A licitação, que estava marcada para março, foi cancelada por falta de candidatos. E as conversas mantidas com grandes players do setor, como BRK, Acciona e Iguá, na tentativa de atrai-los para uma segunda rodada têm sido desanimadoras. Segundo informações filtradas pelo RR, os investidores fazem severas críticas à modelagem elaborada pelo BNDES. O principal deles diz respeito ao capex de R$ 6,3 bilhões previsto no edital. Os players do setor entendem que o cálculo está subapreciado e que o custo real das obras será razoavelmente superior, exigindo uma estrutura de capital ainda maior. Por extensão, a chamada contraprestação, o valor periódico a ser recebido pelos serviços, também está defasado. Outro ponto de insatisfação é que, com o escalonamento previsto no edital, o parceiro privado só passará a ser integralmente remunerado a partir do nono ano de concessão. Nesses termos, as chances de licitação são muito reduzidas. Os investidores cobram uma nova modelagem para a PPP. A questão é: vai dar tempo de fazer uma concessão ainda em 2026?

O governo de Goiás está espremido pelo calendário. De um lado, há o leilão da Copasa, um concorrente desigual não só para a Saneago quanto para qualquer outro ativo do setor que venha a ser colocado sobre o balcão. A estatal mineira é uma das operações mais cobiçadas desse mercado. E, como tal, deve absorver uma parcela considerável do capital disponível para novos aportes em saneamento no país. Some-se o fato de que há uma retração de investimentos no setor: os lances nos leilões mais recentes se tornaram menos agressivos e os operadores já não compram mais a qualquer preço as teses de universalização dos serviços. Do outro lado, estão as eleições. A competição com a Copasa e a necessidade de uma reformulação do edital empurram o leilão da Saneago para dentro do segundo trimestre. No entanto, quanto mais próximo da eleição, menor a probabilidade de o negócio sair do papel. Ou seja: está cada vez mais difícil para Daniel Vilela cumprir a promessa de realizar a concessão do serviço de esgoto em 216 cidades de Goiás no seu atual mandato-tampão.

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