Política
“Cavalo de Troia” de Ciro Nogueira não passou da porta do Planalto
Ainda que todas as atenções estivessem voltadas para o encontro com Donald Trump, durante o dia de ontem assessores de Lula celebravam, aliviados, que as tentativas de reaproximação do senador Ciro Nogueira com o presidente da República tenham morrido de morte morrida. Foram ao menos duas conversas na virada de 2025 para 2026, um deles na Granja do Torto com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta. Ontem, alguns auxiliares de Lula se referiam aos movimentos de Nogueira como uma espécie de “Operação Cavalo de Troia”. A metáfora ganhou força com o mandado de busca e apreensão contra o senador. No entorno de Lula, a interpretação é que o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro tentou levar para dentro do Palácio do Planalto o escândalo do Banco Master, que ele já sabia de antemão que, mais cedo ou mais tarde, explodiria no seu colo, dada a sua relação com Daniel Vorcaro.
Ciro Nogueira é um pêndulo. Sempre soube se mover entre polos antagônicos sem perder capacidade de negociação – já foi aliado de Lula e depois se tornou o principal operador político de Bolsonaro. Em tese uma reconexão com o Planalto poderia abrir uma fresta importante para Lula no campo da centro-direita, ajudando a atrair pedaços do PP, reduzir resistências no Congresso e ampliar a base de sustentação do governo. Mas, no encontro de contas, a leitura entre os assessores mais próximos do presidente é que, a valor presente, essa reaproximação sairia a um preço alto demais.
#Ciro Nogueira