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Os atuais administradores do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e o Casino, antigo controlador e ainda hoje acionista relevante da companhia, estão em guerra aberta. A empresa varejista, leia-se a gestão conduzida pela família Coelho Diniz, prepara uma contraofensiva com o objetivo de derrubar a decisão judicial favorável aos franceses. Na semana passada, a Justiça de São Paulo autorizou o Casino a concluir a venda de uma pequena parcela da sua participação no GPA, realizada antes do bloqueio requerido pelo GPA. O valor correspondente foi depositado em juízo, conforme determinado pelo magistrado. As demais ações permanecem bloqueadas, conforme comunicado ao mercado. No entendimento do Pão de Açúcar, a autorização pode produzir efeitos práticos irreversíveis antes do julgamento do mérito. O GPA deve apresentar recurso à Justiça de São Paulo alegando que o depósito na conta-garantia pode até reduzir em parte o risco patrimonial, mas não eliminaria o potencial dano societário. Uma vez alienadas as ações, o efeito seria praticamente incontornável: muda a base acionária, altera a correlação de forças em assembleias e abre espaço para novos investidores com interesses próprios em temas sensíveis da governança.
Em paralelo, a administração do GPA deve reforçar a ofensiva na arbitragem contra o Casino. Nos bastidores, o que se diz é que uma das medidas prováveis é o pedido de uma nova ordem de urgência aos árbitros, agora ajustada à decisão judicial mais recente. Seria uma forma de preservar o resultado útil da arbitragem, sobretudo se o recurso à Justiça paulista não restabelecer a trava integral sobre as ações. Nesse caso, o GPA buscaria uma medida cautelar para alcançar não apenas a venda em si, mas também os atos acessórios capazes de esvaziar economicamente a posição do Casino antes do encerramento da arbitragem. Isso incluiria registros, liquidação, transferência, cessões de direitos, compensações financeiras ou qualquer estrutura que permita ao Casino esvaziar economicamente sua posição antes de encerrada a arbitragem. O objetivo é impedir que a decisão judicial seja convertida pelo grupo francês em salvo-conduto para uma retirada definitiva e pouco controlada do capital.
A disputa entre GPA e Casino remete a um passivo tributário bilionário herdado dos anos em que o grupo francês controlava a varejista brasileira. Em maio de 2025, o GPA abriu uma arbitragem na Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional contra o Casino para discutir responsabilidades relacionadas a autuações fiscais envolvendo a amortização de ágio entre 2007 e 2013. O valor em discussão é estimado em aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
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