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A pílula de veneno da Natura vai resistir à chegada do Advent, à saída dos fundadores do centro decisório da companhia e ao pleito de investidores por uma nova correlação de forças no capital da empresa? Essa é a pergunta que pulula no mercado. A gestora norte-americana, que firmou um acordo para a compra de até 10% da companhia ao longo dos próximos seis meses, já teria sinalizado a intenção de alterar o estatuto da fabricante de cosméticos. O alvo principal seria a cláusula de proteção à dispersão acionária: hoje qualquer investidor que atingir 25% do capital da Natura está obrigado a realizar uma oferta pública de aquisição de ações. Ressalte-se: a empresa foi, inclusive, uma das companhias pioneiras no uso do mecanismo de poison pill no Brasil. A simples colocação desse assunto sobre a mesa é reveladora: indica, desde já, uma predisposição do Advent para aumentar seu quinhão no capital e, consequentemente, seu peso na gestão da Natura. Por ora, ao consumar a aquisição dos 10%, os norte-americanos poderão indicar dois nomes para o Conselho de Administração. Colegiado este, ressalte-se, que não terá mais a presença de Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos. O trio de criadores da Natura irá para um conselho consultivo ainda a ser criado.
O novo desenho inclui ainda a renovação do acordo de acionistas entre os blocos ligados aos fundadores e outros signatários por dez anos, prorrogáveis por igual período, sem alteração imediata das participações acionárias. É nesse tabuleiro que a pílula de veneno passou a ser vista por investidores como uma trava relevante. A cláusula de 25% limita, na prática, a possibilidade de um acionista ou grupo econômico avançar de forma mais agressiva sobre o capital sem disparar uma OPA. Para a Advent, que entra abaixo desse patamar, a regra não é um obstáculo imediato. Mas, para qualquer reorganização futura da base acionária, consolidação de posições ou composição entre investidores relevantes, o dispositivo funciona como uma barreira de custo e governança. A leitura nos bastidores é que a flexibilização ou derrubada da pílula de veneno pode se tornar uma das próximas frentes de pressão sobre a Natura. O argumento dos investidores é que a companhia precisa reduzir amarras estatutárias para atrair capital, permitir rearranjos societários e acelerar uma mudança de ciclo após anos de perda de valor, venda de ativos e questionamentos sobre sua estrutura de governança. Procurada, a Natura limitou-se a dizer que as informações sobre o acordo com o Advent estão no Fato Relevante. Sobre a possível alteração da poison pill, nenhuma palavra. Também consultado, o Advent não retornou.
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