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Acervo RR
Os fundos de investimento acionistas da Lojas Renner estão convictos de que chegou a hora de redesenhar o futuro societário da empresa. Há o consenso de que a rede varejista é, potencialmente, a principal candidata a encabeçar um processo de consolidação do varejo no segmento de vestuário. Os principais defensores do imediato projeto de expansão são o Aberdeen Asset Management e o Blackrock, não por acaso os maiores sócios individuais da rede varejista e os fundos com mais influência na gestão da empresa. De acordo com informações filtradas junto a própria Renner, um nome tem sido recorrentemente repetido sempre que o assunto é tratado nas reuniões de Conselho: Riachuelo. Seja pelo porte, pela posição geográfica e pelas sinergias operacionais, os fundos de investimento enxergam a rede varejista controlada pelo Grupo Guararapes, leia-se o empresário Nevaldo Rocha, como a alma gêmea da Renner. Nenhuma outra empresa se encaixa tão bem nas pretensões dos sócios da Renner e no modelo de negócio da companhia gaúcha. Não é a primeira vez que a Renner ensaia uma investida para cima da Riachuelo. Em 2003, a JC Penney, então controladora da rede gaúcha, tentou costurar uma associação entre as duas empresas. As linhas não se cruzaram, o tempo passou e o próprio grupo norte-americano acabou deixando o Brasil. Se, na época, a JC Penney era motivada pela intenção de montar uma grande operação de varejo e fincar raízes no país, agora os fundos de investimento pensam como fundos de investimento. Já de olho no inevitável momento de desinvestimento do negócio, Aberdeen e Blackrock enxergam um pote de ouro no fim deste arco-íris varejista. A fusão entre Renner e Riachuelo fermentaria o valor de suas respectivas participações acionárias, aumentando significativamente o potencial de lucro no momento de venda de suas ações. Para os fundos, vale até enfrentar uma “Batalha da Riachuelo”, ou seja, dobrar a notória resistência de Nevaldo Rocha a venda de parte da empresa. A isca seria a possibilidade de a família ter uma participação em um negócio duas vezes maior. Juntas, as duas empresas faturam por ano cerca de R$ 5 bilhões e reúnem mais de 260 lojas. No aspecto geoeconômico, as duas redes são peças que se encaixam quase que a perfeição. Enquanto a maior parte da operação da Renner está concentrada na Região Sul, notadamente o Rio Grande do Sul, o forte da Riachuelo é o cobiçado mercado paulista.
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