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A Loggi é uma empresa de logística que parece ter perdido a direção. A segunda troca de CEO no intervalo de apenas cinco meses – Rafael Szarf acaba de assumir no lugar de Viviane Sales – representa mais um brusco ziguezague na errática trajetória da empresa. Mais do que isso: reflete o grau de tensão interna e de cobrança por parte dos investidores. Segundo informações apuradas pelo RR, há forte pressão sobre a Capsur, que comanda a gestão da companhia. Os demais acionistas – um seleto time que inclui SoftBank, Monashees, Kaszek, Microsoft e Qualcomm Ventures – cobram da firma de venture capital medidas capazes de levar a Loggi ao breakeven. O clima é de ultimato. Há um fator adicional de inquietação entre os investidores, segundo o relato ao RR do gestor de um dos veículos sócios da Loggi. Diante da situação de momento, os fundos que entraram na última rodada de captação, a Série F, realizada em 2021, já temem até mesmo a possibilidade de não receber sequer o principal do capital investido – uma parcela expressiva dos recursos dessa rodada veio de clientes do Credit Suisse. Em contato com o RR, a Loggi nega essa hipótese. A empresa afirma que “a chegada de Rafael Szarf à presidência reforça o comprometimento da empresa com a execução de um plano sólido de gestão e liderança focado em excelência de serviço e crescimento do negócio”.
A insatisfação dos fundos é alimentada também pela dificuldade de enxergar uma janela de saída para o ativo. Diante do desempenho da empresa, as alternativas de desinvestimento e, portanto, de monetização dos recursos aplicados ficaram mais estreitas. Segundo o RR apurou, a Amazon chegou a analisar uma possível aquisição da Loggi, mas abandonou as conversas. Mais uma entre as tantas guinadas abruptas da startup.
A Loggi surfou na crista da onda da indústria de venture capital, aproveitando-se de um momento de alta liquidez global. Em 2019, subiu ao panteão dos unicórnios brasileiros, ultrapassando o valuation de US$ 1 bilhão. De lá para cá, no entanto, o cenário mudou consideravelmente. Se há algo que a companhia de encomendas expressas não tem conseguido entregar é resultado aos seus investidores. Não é por falta de recursos. Em 13 anos, a Loggi levantou quase US$ 500 milhões. Dinheiro que chegou, dinheiro que saiu, sem render os resultados esperados. De alguma forma, a startup reconhece que está em dívida com os investidores. O mea culpa veio na voz de Marcel Arins, chairman da empresa e managing partner da Capsur: “Precisamos deixar de queimar caixa”, disse em recente entrevista ao Neofeed. No mercado, a declaração foi interpretada como um pedido de waiver aos investidores. Ao RR, a Loggi disse que “o mercado está evoluindo e amadurecendo, e o crescimento da empresa está alinhado às expectativas dos investidores e estratégia do negócio. Neste momento, a empresa está entregando resultados de forma consistente e sólida, sem dívidas, com atingimento de breakeven nos próximos meses”.
A Loggi informou ao RR que “está investindo fortemente em qualidade de serviço – mais de R$ 100 milhões em operações, como já anunciado anteriormente, para ampliar e atender seus clientes, entre pequenos a grandes e e-commerces de todo o país”. O desafio é grande. A dificuldade da empresa em atingir a rentabilidade decorre, em parte, da própria natureza do negócio. A startup opera uma plataforma logística voltada ao transporte de encomendas para e-commerce, marketplaces e pequenos varejistas, competindo diretamente com Correios, Mercado Livre, Shopee, Amazon e uma série de operadores privados regionais. O problema é que seus principais concorrentes contam com vantagens difíceis de replicar. Os Correios possuem capilaridade nacional e escala construída ao longo de décadas. Mercado Livre, Amazon e Shopee utilizam suas operações logísticas para impulsionar ecossistemas muito mais rentáveis de comércio eletrônico.
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