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A recuperação judicial da Estrela vai muito além de uma renegociação de dívidas. Segundo informações obtidas pelo RR, o plano de reestruturação em estudo pela fabricante de brinquedos contempla a atração de um novo sócio estratégico e a venda de uma participação de até 30% do capital da companhia. O objetivo é reforçar o caixa, melhorar a estrutura de capital e criar condições para a retomada dos negócios após o pedido de recuperação judicial protocolado em maio. Consultada, a Estrela não se pronunciou até o fechamento desta matéria.
Controlada por Carlos Tilkian, a Estrela entrou em recuperação judicial com dívidas de aproximadamente R$ 109 milhões, distribuídas entre oito empresas do grupo. A companhia atribuiu a medida ao elevado custo do crédito, às dificuldades de financiamento e às mudanças no comportamento do consumidor infantil, cada vez mais voltado para jogos eletrônicos e entretenimento digital.
Os números da empresa ajudam a explicar a gravidade da situação. Em 2024, último exercício com demonstrações financeiras amplamente disponíveis, a Estrela registrou receita líquida de R$ 154,5 milhões e prejuízo de R$ 24,2 milhões. Mais preocupante foi a deterioração patrimonial: a companhia encerrou o período com patrimônio líquido negativo de R$ 553,7 milhões e prejuízos acumulados de R$ 626 milhões. A despesa financeira alcançou R$ 91,4 milhões, valor equivalente a quase 60% de toda a receita líquida anual.
O desafio, porém, não é apenas financeiro. Encontrar um investidor disposto a aportar recursos em uma empresa com esse perfil não será tarefa simples. Além do passivo acumulado, a Estrela enfrenta um problema estrutural: a crescente invasão de brinquedos importados da China, que operam com custos significativamente menores e pressionam as margens de toda a indústria nacional. Some-se a isso a migração do público infantil para plataformas digitais e jogos eletrônicos, fenômeno que reduziu o espaço dos brinquedos tradicionais nas últimas duas décadas.
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