Aegea e Orizon negociam fusão no tratamento de resíduos

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Aegea e Orizon negociam fusão no tratamento de resíduos

  • 30/04/2026
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O RR apurou que a Aegea e a Orizon negociam uma associação na área de gestão de resíduos sólidos. Segundo fontes próximas às duas empresas, as tratativas envolvem a combinação de ativos de destinação final, notadamente aterros sanitários. O acordo contemplaria ainda projetos de valorização de resíduos, leia-se geração de energia a partir de biogás. Ou seja: alcançaria de ponta a ponta a cadeia econômica dos resíduos, da coleta e tratamento de lixo à sua monetização energética. Trata-se, portanto, de um negócio que, já na partida, pode chegar a uma receita líquida anualizada de R$ 3,6 bilhões e a um Ebitda da ordem de R$ 1,2 bilhão. A aproximação entre as duas companhias se dá em meio a um processo de consolidação de um setor já bastante concentrado. Que o digam os próprios controladores da Orizon, Milton Pilão Jr. e Ismar Assaly, respectivamente CEO e chairman da empresa. A companhia protagonizou, no último mês de dezembro, uma das maiores operações de M&A já realizadas nesse mercado: a compra da Vital, junto à Queiroz Galvão, por R$ 3 bilhões. Com a aquisição, a Orizon praticamente duplicou de tamanho: saiu de 18 para 30 aterros sanitários e atingiu cerca de R$ 3 bilhões de receita anual e Ebitda na casa de R$ 1 bilhão. Procurada pelo RR, a Aegea não quis comentar o assunto. Também consultada, a Orizon não retornou até o fechamento desta matéria.

A Aegea, leia-se Equipav, GIC, fundo soberano de Cingapura e a família Setúbal, também fez um movimento agudo ano passado: a aquisição da Ciclus Ambiental, até então pertencente à Simpar, de Fernando Simões, por R$ 1,9 bilhão – R$ 1,1 bilhão em equity value e R$ 800 milhões em dívidas. Com isso, assumiu o CTR Seropédica, o maior centro de tratamento de lixo do Brasil e uma planta responsável pela produção de 60% de todo o biometano de resíduos consumido no país. Um ótimo negócio? Sim, mas até a página 3. O que se diz no mercado é que a Aegea pagou caro pelo ativo e agora precisa remontar o negócio com um parceiro que entende do riscado, como é o caso da Orizon. Além disso, como se sabe, a empresa de saneamento do trio Equipav, GIC e Setúbal não vive um momento dos mais prósperos. Há muitos resíduos financeiros a serem removidos. A Aegea enfrenta uma crise de confiança no mercado, impulsionada, sobretudo, pela sua alavancagem. A relação dívida líquida/Ebitda bateu em 3,78 vezes no fim de 2025, aproximando-se do máximo de quatro vezes fixado nas cláusulas de financiamento. Nesse contexto, a eventual associação com a Orizon seria também uma forma de dividir a conta dos investimentos no negócio de aterros sanitários e preservar liquidez. Mais do que isso: seria uma maneira de a Aegea manter exposição a um ativo estratégico sem carregar sozinha não apenas o capex, mas também a curva de aprendizado e o risco de execução de um negócio que, embora adjacente ao saneamento, tem dinâmica própria. Para a Orizon, por sua vez, a associação teria outro apelo: acesso a um dos ativos mais cobiçados do setor e eventual reforço em uma frente de negócios — valorização energética dos resíduos — que pode se tornar cada vez mais relevante na composição de margem das empresas de destinação final. Ou seja: é um jogo de ganha-ganha.

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