Gestão Lula planeja choque de governança para deixar de ser “o último a saber”

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Gestão Lula planeja choque de governança para deixar de ser “o último a saber”

  • 25/03/2025
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A nova ministra da Articulação Política, Gleisi Hoffmann, recebeu sua primeira grande missão: coordenar um minucioso levantamento dos principais projetos em curso em todos os ministérios da gestão Lula. Gleisi assume a tarefa de braços dados com o chefe da Casa Civil, Rui Costa. Todos os ministros terão de prestar contas do que está andando e do que está parado. A ideia é colocar ordem na casa, uma casa, diga-se de passagem, desorganizada e pouco funcional.
Esse inventário permitirá ao governo verificar que programas estão atrasados ou sequer começaram a ser executados, identificar as razões do retardo e consequentemente buscar as soluções necessárias para destravar as ações. Até para que o Palácio do Planalto saiba a quem cobrar. A perquirição permitirá também mapear os riscos potenciais em cada área.
Sob certo aspecto, o que está em pauta é a necessidade de uma guinada na governança. Não deixa de ser um exercício de mea culpa de uma gestão que prefere apontar o dedo para os outros a se olhar no espelho. A tarefa entregue a Gleisi Hoffmann parte do diagnóstico interno de que este é um governo reativo, que espera o incêndio acontecer para só depois comprar extintores.
A crise dos preços dos ovos é um exemplo didático desse complexo de “último a saber”. A inflação dos alimentos vem de há muito. O ministro Carlos Fávaro e sua equipe estavam carecas de ter conhecimento de que havia uma escassez de oferta no mercado nos primeiros meses do ano. Mesmo assim, o governo nada fez.
Pesquisas encomendadas pela Secom identificaram que dificilmente a popularidade do presidente Lula vai reagir com essa postura complacente do governo, de esperar os problemas ocorrerem para, então, buscar as medidas corretivas. Mesmo porque qualquer iniciativa tem um período de inércia até que seus efeitos comecem a ser percebidos pela população. E tempo é um ativo de que Lula não dispõe em excesso.
A areia começará a cair de forma cada vez mais rápida na ampulheta eleitoral. 2026 é logo ali. Por isso mesmo, a ordem é que esse mapeamento dos riscos em cada área e dos programas ministeriais se dê com a maior brevidade possível para que as ações necessárias sejam implementadas ainda neste ano. É um diagnóstico comum no gabinete presidencial que Lula precisa ter novos projetos, bem distintos dos que propiciaram três grandes vitórias eleitorais, mas já deram o que tinham de dar.
Colocar mais um monte de dinheiro no Minha Casa, Minha Vida, na cesta básica ou em outras iniciativas de políticas assistencialistas já não tem o drive de impulsionar a popularidade do presidente. São colaborações que o eleitor considera como pertencidas, algo que já lhe é de direito. Sem nova e luzidia matéria-prima, Lula não conseguirá manufaturar o seu discurso. E só terá as bravatas, repetições, ainda que vitaminadas, do que foi feito e a pancadaria no lombo da concorrência, além, é claro, da venda da sua imagem.
Faltam imaginação e força. E o marqueteiro Sidônio Palmeira, chefe da Secom, precisa de ingredientes, ou seja, de fatos para trabalhar.

#Gleisi Hoffman #Lula

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