Mercado argentino volta ao radar da Suzano

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Mercado argentino volta ao radar da Suzano

  • 4/05/2026
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Mesmo com os ziguezagues da economia argentina, a Suzano decidiu pisar no acelerador no país vizinho. A operação local voltou a ser vista como estratégica pela empresa da família Feffer. Há um mercado a ser reconquistado. O reposicionamento começa pela própria estrutura na Argentina. A subsidiária, até então chamada de Stenfar Suzano, em referência a uma empresa comprada há 30 anos, passará a adotar a marca global do grupo. A Suzano mira a possibilidade de ampliar participação no segmento de embalagens, notadamente para as indústrias alimentícia e farmacêutica. A empresa acredita ter um handicap competitivo: a proximidade com as fábricas no Brasil, responsáveis por abastecer o mercado argentino. A disputa pela demanda por embalagens na Argentina ainda é muito fragmentada, notadamente em relação à presença de fabricantes internacionais.

O pano de fundo do retorno da Argentina ao radar da Suzano são os sinais de retomada da demanda local. O país consome hoje cerca de seis milhões de toneladas de papel e derivados. Ainda está abaixo do nível verificado no início da década passada, quando a demanda beirou os sete milhões de toneladas. Mas há uma gradual recuperação. No segmento de embalagens — o foco da Suzano —, há um sobe-e-desce constante. Após um período de crescimento até 2017, o consumo caiu com a recessão. Em 2018 e 2019, houve retração acumulada próxima de 10% a 12%, acompanhando a queda da atividade industrial. Em 2020, com a pandemia, houve uma recomposição parcial puxada por alimentos e e-commerce, mas insuficiente para recuperar o nível pré-crise. Já em 2022, o mercado voltou a crescer entre 3% e 5%, impulsionado pela indústria de bens essenciais. Em 2023, porém, houve nova queda, estimada entre 4% e 6%, refletindo o aperto cambial, a inflação e a contração do consumo. Em 2024 e 2025, a demanda voltou a crescer. São as sístoles e diástole de uma economia marcada por arritmias constantes. Mesmo assim, o segmento de embalagens mostrou resiliência relativa frente aos demais. Enquanto o papel gráfico acumulou quedas superiores a 30% na última década, as embalagens operaram próximas à estabilidade, com oscilações cíclicas, mas sem ruptura estrutural da demanda. Hoje, representam a maior fatia do consumo de papel no país, concentrando mais de 50% do volume total. A Suzano vai atrás desse mercado.

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