Governo da Itália entra em cena para blindar a Enel no Brasil - Relatório Reservado

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Governo da Itália entra em cena para blindar a Enel no Brasil

  • 22/10/2024
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A crise institucional da Enel subiu mais alguns degraus e se tornou uma questão de ordem diplomática. O RR apurou que o governo da Itália abriu conversas com o Itamaraty na tentativa de interceder a favor da companhia e evitar sanções mais severas, notadamente a intervenção ou mesmo a cassação da concessão da Enel Distribuição SP. A interlocução se dá tanto em Roma, junto ao embaixador brasileiro Renato Mosca de Souza, quanto em Brasília, por intermédio da Embaixada da Itália.

De acordo com a mesma fonte, autoridades diplomáticas italianas – à frente o embaixador no Brasil, Alessandro Cortese – já teriam requisitado audiências com o chanceler Mauro Vieira e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Em Brasília, há informações de que o próprio ministro do Meio Ambiente e Segurança Energética da Itália, Gilberto Pichetto Fratin, pretende vir ao Brasil, ou melhor, retornar, agora em caráter emergencial – em setembro, ele esteve no país justamente para o anúncio do novo plano de investimentos da Enel.

Consultada pelo RR, a Embaixada da Itália no Brasil não retornou até o fechamento desta matéria. Também procurada, a Enel não quis se pronunciar.

A entrada em cena do governo da Itália dá uma ideia da proporção a que chegou o embate entre a Enel e as mais diferentes instâncias de Poder no Brasil – Aneel, Ministério de Minas e Energia, Governo de São Paulo, Prefeitura de São Paulo. Revela também a apreensão da companhia e das autoridades italianas com a ameaça de perda da concessão em São Paulo.   A Enel Distribuição SP responde por quase metade do faturamento do grupo no Brasil, que somou R$ 43 bilhões no ano passado.

Por sua vez, a operação brasileira representa 25% da receita total da companhia nas Américas e quase 10% da arrecadação global. Portanto, há muito em jogo, em termos práticos e simbólicos. Para o próprio governo da Itália, a perda da concessão na capital paulista seria um revés político e econômico.

Embora a Enel seja uma empresa de controle pulverizado, o Estado italiano ainda é o maior acionista individual, com 23,6% do capital.

Esconder-se atrás do escudo do governo da Itália talvez seja mesmo a única possibilidade para a Enel neste momento, tamanha a sua fragilidade institucional. Seus dirigentes no Brasil, inclusive Guilherme Lencastre, que assumiu a presidência da Enel SP há apenas três meses, estão desmoralizados e têm pouco ou nenhum poder de voz junto às autoridades.

Ressalte-se que os italianos são reincidentes na prestação de maus serviços no Brasil. Antes dos apagões em São Paulo, a Enel foi escorraçada de Goiás pelo governador Ronaldo Caiado, também por seguidas falhas no fornecimento de energia. No caso da capital paulista, há um fator que agrava o cenário para a companhia: a notória politização dos blecautes, anabolizada pela proximidade com o segundo turno da eleição. De Alexandre Silveira a Guilherme Boulos, passando por Tarcísio Freitas e Ricardo Nunes, todos têm atirado sem dó nem piedade contra a Enel.

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