Embate com o Ministério da Justiça coloca Hurb em uma encruzilhada

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Embate com o Ministério da Justiça coloca Hurb em uma encruzilhada

  • 17/04/2025
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Qual será o futuro da Hurb, agência de viagens online controlada pelo empresário João Ricardo Mendes? A decisão da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, que na última quinta-feira obrigou a plataforma a suspender a comercialização de pacotes com datas flexíveis, lança dúvidas sobre a própria continuidade da companhia. Essa modalidade de negócio responde por mais de 95% das vendas totais da Hurb, o antigo Hotel Urbano. Estima-se que o GMV (Gross Merchandise Volume) – ou Volume Bruto de Mercadorias – da empresa seja da ordem de R$ 1,5 bilhão por ano, cifra que vai despencar se a proibição da oferta de viagens com datas flexíveis for mantida.

No setor, há um entendimento de que João Ricardo Mendes só tem dois caminhos para sair desse corner. O primeiro é matar o problema pela raiz, ou seja, conseguir reverter a determinação da Senacon. Segundo informações filtradas pelo RR, a Hurb vai acionar a Justiça na tentativa de derrubar a decisão administrativa.

A segunda hipótese, tão ou mais complexa, é buscar um investidor que aporte capital imediatamente e permita à Hurb fazer uma guinada em seu modelo de negócio. No início deste ano, por sinal, a empresa protagonizou uma história até hoje muito mal contada. No mercado de turismo surgiu a informação de que o Ontario Teachers Pension Plan (OTPP), um dos maiores fundos de pensão do mundo, com mais de US$ 270 bilhões em ativos, estaria aportando R$ 140 milhões na Hurb.

O investimento chegou a ser mencionado pela Crunchbase, uma das maiores plataformas especializadas em dados sobre startups e venture capital do mundo. Poucos dias depois, o próprio OTPP desmentiu a informação.

A situação da Hurb perante o Ministério da Justiça é intrincada.

O impasse com a Secretaria Nacional do Consumidor já leva mais de dois anos. Em 2023, o órgão abriu um processo investigativo para apurar denúncias de que a empresa não honrou pagamentos a hotéis e pousadas prejudicando clientes que haviam comprado pacotes com datas flexíveis. Essa é uma modalidade voltada, sobretudo, para as classes B e C.

Passagens e estadias com datas flexíveis costumam ser, na média, 30% mais baratas do que pacotes com datas fixas. Durante os últimos 12 meses, a Hurb e a Senacon mantiveram tratativas para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta, mas a empresa não teria apresentado a documentação exigida. O RR entrou em contato com a Hurb.

Perguntada especificamente sobre a participação da venda de pacotes flexíveis em sua receita e se a decisão da Senacon representa um risco à continuidade das suas operações, a empresa limitou-se a dizer que “por questões legais, não comenta processos e/ou ações em andamento. Entretanto, a companhia afirma que está à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos”.

Em seus tempos áureos, a Hurb chegou a ser avaliada em quase US$ 600 milhões. Fundada há cerca de 13 anos, teve entre seus sócios nomes graúdos do venture capital, como Tiger Global e Insight Venture Partners. O Booking, gigante global de viagens online, também investiu na companhia. Todos deixaram o capital. O que se diz no setor é que saíram do negócio por divergências com João Ricardo Mendes. Essa experiência pregressa é tida no mercado como um dificultador a mais para a entrada de um novo investidor na empresa.

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