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Credores reviram todos os “tostões” da Hurb

2/06/2025
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Os credores da Hurb (antigo Hotel Urbano), notadamente bancos e companhias aéreas, estão levantando eventuais créditos tributários aos quais a empresa tenha direito. Miram também no patrimônio pessoal do empresário João Ricardo Mendes, acionista controlador da plataforma de viagens. Buscam caminhos possíveis na tentativa de receber ao menos parte do que a empresa lhes deve.

Na prática, é como se os credores já estivessem se antecipando e vasculhando o espólio da companhia. A situação da Hurb, como se sabe, é grave. Em abril, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça obrigou a empresa a suspender a comercialização de pacotes com datas flexíveis, modalidade responsável por mais de 95% do seu faturamento.

Quase que simultaneamente, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da Hurb, na prática impedindo a atuação da empresa no setor. Os números sobre a dívida da companhia são dispersos e imprecisos. Mas, no setor, estima-se que apenas as execuções judiciais contra ela somem R$ 100 milhões.

Em tempo: como se não bastasse sua delicada situação financeira, a Hurb é marcada também pelas polêmicas e fatos absolutamente incomuns protagonizados por João Ricardo Mendes, seu controlador.

Mendes está preso desde o fim de abril após ser flagrado furtando esculturas e quadros de um escritório de arquitetura no Rio de Janeiro. Antes, o empresário, que chegou a se definir como “Elon Musk brasileiro”, se notabilizou por ofensas a clientes da Hurb nas redes sociais.

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Embate com o Ministério da Justiça coloca Hurb em uma encruzilhada

17/04/2025
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Qual será o futuro da Hurb, agência de viagens online controlada pelo empresário João Ricardo Mendes? A decisão da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, que na última quinta-feira obrigou a plataforma a suspender a comercialização de pacotes com datas flexíveis, lança dúvidas sobre a própria continuidade da companhia. Essa modalidade de negócio responde por mais de 95% das vendas totais da Hurb, o antigo Hotel Urbano. Estima-se que o GMV (Gross Merchandise Volume) – ou Volume Bruto de Mercadorias – da empresa seja da ordem de R$ 1,5 bilhão por ano, cifra que vai despencar se a proibição da oferta de viagens com datas flexíveis for mantida.

No setor, há um entendimento de que João Ricardo Mendes só tem dois caminhos para sair desse corner. O primeiro é matar o problema pela raiz, ou seja, conseguir reverter a determinação da Senacon. Segundo informações filtradas pelo RR, a Hurb vai acionar a Justiça na tentativa de derrubar a decisão administrativa.

A segunda hipótese, tão ou mais complexa, é buscar um investidor que aporte capital imediatamente e permita à Hurb fazer uma guinada em seu modelo de negócio. No início deste ano, por sinal, a empresa protagonizou uma história até hoje muito mal contada. No mercado de turismo surgiu a informação de que o Ontario Teachers Pension Plan (OTPP), um dos maiores fundos de pensão do mundo, com mais de US$ 270 bilhões em ativos, estaria aportando R$ 140 milhões na Hurb.

O investimento chegou a ser mencionado pela Crunchbase, uma das maiores plataformas especializadas em dados sobre startups e venture capital do mundo. Poucos dias depois, o próprio OTPP desmentiu a informação.

A situação da Hurb perante o Ministério da Justiça é intrincada.

O impasse com a Secretaria Nacional do Consumidor já leva mais de dois anos. Em 2023, o órgão abriu um processo investigativo para apurar denúncias de que a empresa não honrou pagamentos a hotéis e pousadas prejudicando clientes que haviam comprado pacotes com datas flexíveis. Essa é uma modalidade voltada, sobretudo, para as classes B e C.

Passagens e estadias com datas flexíveis costumam ser, na média, 30% mais baratas do que pacotes com datas fixas. Durante os últimos 12 meses, a Hurb e a Senacon mantiveram tratativas para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta, mas a empresa não teria apresentado a documentação exigida. O RR entrou em contato com a Hurb.

Perguntada especificamente sobre a participação da venda de pacotes flexíveis em sua receita e se a decisão da Senacon representa um risco à continuidade das suas operações, a empresa limitou-se a dizer que “por questões legais, não comenta processos e/ou ações em andamento. Entretanto, a companhia afirma que está à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos”.

Em seus tempos áureos, a Hurb chegou a ser avaliada em quase US$ 600 milhões. Fundada há cerca de 13 anos, teve entre seus sócios nomes graúdos do venture capital, como Tiger Global e Insight Venture Partners. O Booking, gigante global de viagens online, também investiu na companhia. Todos deixaram o capital. O que se diz no setor é que saíram do negócio por divergências com João Ricardo Mendes. Essa experiência pregressa é tida no mercado como um dificultador a mais para a entrada de um novo investidor na empresa.

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