Bancos
Do Excel ao BRB, o roteiro se repete nos gramados
O Brasil é o país do “footwashing”. Ao renovar a parceria com o Flamengo até 2029, o BRB ganha um lugar de destaque no escrete de instituições financeiras encalacradas que tentaram higienizar sua reputação unindo-se a clubes de futebol. A relação é razoavelmente extensa. Outro exemplo recente é o da Fictor, que se notabilizou pela suposta proposta de compra do Banco Master. Em março de 2025, o grupo firmou um acordo de patrocínio com o Palmeiras no valor de R$ 30 milhões. Menos de um ano depois, o contrato foi rompido na esteira do pedido de recuperação judicial e das denúncias de irregularidades que pesam sobre a instituição financeira. Voltando no tempo, uma das figuras mais pródigas na estratégia de pisar nos gramados para lustrar a imagem de seus negócios foi o banqueiro Ezequiel Nasser. Entre 1996 e 1998, o Banco Excel, que havia herdado os despojos do Banco Econômico, patrocinou não apenas um, mas três clubes: Corinthians, Botafogo e Vitória. Mais do que patrocinar, influenciou diretamente na gestão do trio, notadamente na contratação de jogadores. O jogo não durou muito. Em 1998, o Excel quebrou e seus ativos acabaram incorporados pelo espanhol Bilbao Vizcaya. Outro caso célebre é o do PanAmericano, o antigo banco de Silvio Santos. A instituição patrocinou o Corinthians entre 2009 e 2010. Certamente, buscou o alarido das arquibancadas para abafar o som que estava por vir. Àquela altura, já havia sob o banco um vulcão contábil prestes a entrar em erupção. Em 2010, as fraudes de R$ 4,3 bilhões vieram à tona – no ano seguinte, em uma “solução de mercado”, o PanAmericano acabou colocado no colo do BTG. A bola rola, e o futuro parece repetir o passado. Mesmo após ser tragado pelo escândalo do Master e de receber um aporte emergencial de R$ 8,8 bilhões, o BRB decidiu estender a tabelinha com o Flamengo – um acordo de R$ 42 milhões por meio do banco digital Nação BRB Fla.