Política
Custo eleitoral surge como entrave ao enxugamento dos Correios
O plano de reestruturação dos Correios, que prevê o fechamento de cerca de mil agências e um amplo programa de demissão voluntária, enfrenta resistências dentro do PT. Em um ano eleitoral, alas do partido avaliam que o custo político do enxugamento da estatal pode ser mais elevado do que o desgaste provocado pelos prejuízos bilionários acumulados desde 2022. A leitura é pragmática: déficits contábeis não votam, mas fechamento de unidades e cortes de pessoal produzem efeitos imediatos sobre bases eleitorais, sobretudo em municípios médios e pequenos, onde as agências dos Correios cumprem papel simbólico e social relevante.
Nos bastidores, dirigentes petistas têm alertado o governo para o risco de transformar a reestruturação em munição para adversários. A avaliação é que imagens de portas fechadas e trabalhadores deixando a empresa tendem a repercutir mais do que números de balanço, ainda que superlativos – somente neste ano, os Correios acumulam prejuízos superior a R$ 6 bilhões. Esse cálculo político ajuda a explicar a cautela do Palácio do Planalto em acelerar o cronograma de cortes. Ainda que a direção dos Correios insista na necessidade de ajustes para garantir a sobrevivência da empresa, setores do PT defendem diluir ou postergar decisões mais impopulares.
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