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A Muyuan Foods, uma das maiores produtoras de suínos da China, iniciou estudos para operar no Brasil. Segundo o RR apurou, a empresa tem mantido conversações com os governos do Mato Grosso e de Goiás, dois estados estratégicos pela oferta de milho e de soja. Executivos chineses estiveram recentemente na cidade de Lucas do Rio Verde (MT). A Muyuan já compra grãos no Brasil. Agora, o projeto em análise é bem mais ambicioso: prevê uma operação verticalizada na cadeia da suinocultura, com criação, ração, abate e processamento de carne suína. A dinâmica industrial da companhia envolve genética, reprodução, engorda, fábrica de ração, biossegurança, abate, processamento e logística. Fundada em 1992 em Nanyang, na província de Henan, a Muyuan tornou-se uma companhia global. Em 2025, vendeu cerca de 78 milhões de suínos comerciais, com receita superior a US$ 18,5 bilhões. Em fevereiro, levantou US$ 1,4 bilhão com sua abertura de capital na Bolsa de Hong Kong.
Os planos de ingresso no Brasil ocorrem em um momento de pressão sobre o mercado chinês. A China enfrenta excesso de oferta de carne suína, margens comprimidas e consumo doméstico mais fraco, cenário que levou autoridades a pedir que grandes produtores reduzissem produção. Para a Muyuan, investir fora do país pode cumprir vários objetivos ao mesmo tempo: diversificar base produtiva, acessar grãos competitivos, reduzir exposição ao ciclo doméstico chinês, aproximar-se de uma origem relevante de proteína e construir uma plataforma de exportação. Ou seja: o investimento no Brasil é movido por uma lógica de arbitragem da cadeia. Em vez de apenas importar milho e soja, a empresa pretende transformar esses grãos em proteína animal no próprio Brasil, capturando mais valor localmente e criando uma operação com potencial de exportação, sobretudo para a Ásia.
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