Votorantim avança na Hypera e mira poder compartilhado com Junior

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Votorantim avança na Hypera e mira poder compartilhado com Junior

  • 26/05/2026
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Os Ermírio de Moraes caminham a passos largos para se tornarem coprotagonistas no comando da Hypera, a empresa farmacêutica de João Alves de Queiroz Filho, o Junior. Segundo o RR apurou, a Votorantim voltou a comprar ações da companhia em bolsa. Em outro front, tem buscado também a aquisição de lotes maiores junto a minoritários. O grupo pretende elevar sua participação no capital da Hypera dos atuais 15,8% para algo em torno de 23,3%. O sarrafo, com a precisão da casa decimal, é cirúrgico. O alvo é atingir o equivalente a 90% da posição de Junior, fundador e dono da maior fatia societária da companhia, que detém 25,9%. Pelo acordo de acionistas, esse é o patamar que dará à Votorantim os mesmos poderes políticos do empresário, estabelecendo, assim, uma nova correlação de forças dentro da Hypera. Os Ermírio de Moraes passariam a ter três assentos no Conselho de Administração, a exemplo de Junior – hoje são dois representantes, Cláudio Ermírio de Moraes, vice-presidente do Conselho de Administração da Votorantim, e João Henrique Batista de Souza Schmidt, diretor-presidente da Votorantim. No entorno da Hypera, já se especula, inclusive, o redesenho do board, com a criação de duas copresidências, a serem ocupadas por indicados tanto de Junior quanto dos Ermírio de Moraes. Essa isonomia de poder se refletiria também na gestão executiva. Procurada pelo RR, a Hypera informou que “não comenta rumores e especulações do mercado”. A Votorantim, por sua vez, não se manifestou.

Antes que alguém pense se tratar de uma ofensiva indesejada, com o intuito de cindir o poder na Hypera, o avanço da Votorantim ocorre em um regime de conveniência recíproca. A relação entre os Ermírio de Moraes e João Alves de Queiroz Junior pode ser definida como uma espécie de mutualismo societário, em razão dos ganhos de parte a parte. Ao investir na Hypera, a Votorantim dá mais um passo no processo de diversificação de seus negócios – uma marca da quarta geração do clã Ermírio de Moraes, hoje à frente do conglomerado empresarial. O grupo enxerga no laboratório farmacêutico a possibilidade de fincar bandeira em um setor com margens altas, demanda resiliente, favorecida pelo envelhecimento da população, e menos suscetível a arritmias no consumo. Do seu lado, Junior vê nos Ermírio de Moraes uma muralha para se proteger contra novas tentativas de tomada de controle. Em 2024, a EMS, de Carlos Sanchez, apresentou à Hypera uma oferta hostil para uma troca de ações entre os dois grupos, na prática um takeover em pele de M&A. Ainda que barrada por Junior e outros acionistas, a investida revelou uma vulnerabilidade da empresa a “invasões bárbaras”. Com os Ermírio de Moraes, o fundador da Hypera acredita ter passado uma tranca na porta. Ainda que, para isso, seja obrigada a dividir a casa com um novo proprietário. Na prática, é uma reorganização silenciosa de poder. A Votorantim ganha os anéis. Júnior tenta preservar os dedos.

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