16.07.19

Com Bolsonaro, sempre dá factoide na cabeça

O presidente Jair Bolsonaro vai acelerar com a sua agenda de costumes e leis que mistura factoides e a satanização de representações do cotidiano brasileiro. Na contramão do projeto de liberação do jogo que se encontra no Congresso Nacional, Bolsonaro relançará a vilania do jogo do bicho, associando-o ao tráfico de drogas e às milícias. Um verdadeiro bumba meu boi do crime organizado. O presidente quer colocar a parte mais provinciana da contravenção dirigindo os bois, ou seja, jogar sobre os bicheiros a responsabilidade pelo comando das demais ilegalidades.

Tudo como num passado em que a juíza Denise Frossard despontava como um híbrido de magistrada e paladina do Velho Oeste. Bolsonaro deverá seguir seu périplo de estranhezas enquanto sua equipe solta a lenha em reformas e medidas que vão jogando de ponta cabeça as estruturas econômicas e as organizações sociais brasileiras. A fórmula tem dado certo. Quando parece que Bolsonaro é letra morta, ele se reinventa e levanta da falsa cova em que se meteu, na verdade uma trincheira de luta com a qual o país não estava acostumado. Atualmente, os bicheiros, que já representaram a elite do crime, encontram-se “domesticados”.

É esta categoria hoje menos visível que Bolsonaro pretende carimbar como um inimigo de maior relevância. Nunca é demais rememorar que os banqueiros do jogo do bicho têm mil serventias. Em outros idos já tiveram suas imagem e atividades associadas a grupos midiáticos que o presidente elenca entre seus adversários figadais. Se houver algum sentido nessa transfusão de meliantes será encontrar os nomes dos assustadores novos barões do bicho. Os antigos ou já morreram ou estão decrépitos. Mas essa é a parte mais fácil. A árvore genealógica está aí mesmo para isso.

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