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11.12.18
ED. 6012

Bolsonaro ataca a judicialização do setor elétrico

O governo Bolsonaro pretende atacar, logo na partida, o excessivo grau de judicialização do setor elétrico. A principal proposta discutida na equipe de transição é a publicação, logo nos primeiros 60 dias de gestão, de uma Medida Provisória com o objetivo de revogar parte dos efeitos da MP 579/2012, posteriormente convertida na Lei 12.873/2013, e da Lei 13.203/15. Um dos maiores nós a serem desatados é o chamado risco hidrológico – medido pelo fator GSF, que corresponde à relação entre o volume de energia gerado pelas usinas e a garantia física total delas.

A diferença gera uma conta de compensação que é cobrada às distribuidoras e, na última linha, aos consumidores. Descontentes com os valores recebidos, as geradoras dispararam uma guerra de liminares contra a Aneel e a União. A MP teria como intuito uma repactuação dessas cifras repassadas às hidrelétricas, oferecendo, em contrapartida, uma extensão dos respectivos prazos de concessão. Outro impasse que deságua nos tribunais é a dívida de mais de R$ 60 bilhões referente à RBSE (Rede Básica de Sistemas Existentes) indenização paga a concessionárias de transmissão.

A equipe de transição, com anuência do futuro ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Lima Leite, já desenha um modelo de parcelamento do valor. Mais de metade desse montante devido pela União, algo como R$ 35 bilhões, tem como credor a própria Eletrobras. Resolver a judicialização do setor elétrico é um desafio somente comparável à reforma da Previdência, com permissão para o exagero. Michel Temer chegou a tatear a questão, mas deu meia volta quando mediu as dificuldades e o tamanho do barulho. O emaranhado de ações judiciais é considerado condição sine qua non para destravar os investimentos no mercado de energia. Somente o estoque de ações contra a União envolve cerca de R$ 110 bilhões.

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11.12.18
ED. 6012

Fala que eu te escuto

O cerimonial do Palácio do Planalto está quebrando a cabeça para encaixar no protocolo os líderes de mais de uma dezena de igrejas evangélicas que querem se pronunciar no ato ecumênico programado para a posse de Jair Bolsonaro.

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10.12.18
ED. 6011

“Superagência” da Agricultura morre antes de brotar

“Super” no governo Bolsonaro, ao que parece, só Paulo Guedes e Sérgio Moro. A proposta de transformação da Secretária de Defesa Agropecuária (SDA) em uma “superagência” fiscalizadora do agronegócio, que conta com o aval da futura ministra, Tereza Cristina, deverá morrer ainda na raiz. O projeto não poderia ter maior adversário na “nova República”: o próprio Guedes. O ministro da Economia não quer concorrência para a Receita Federal. O projeto, concebido pelo atual ministro Blairo Maggi e levado para a mesa da equipe de transição por Tereza Cristina, prevê que a “superagência” seja responsável não apenas pela fiscalização, mas pela cobrança, arrecadação e gestão de metade das multas aplicadas ao setor agrícola – papel que compete ao Fisco. O “super” ministro da Economia não admite abrir mão dessa receita.

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10.12.18
ED. 6011

Arrastão chinês

Logo no início do mandato de Jair Bolsonaro, que tanto critica a invasão chinesa no setor elétrico, a Three Gorges deverá anunciar a compra de um pacote de ativos na área de energia.

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10.12.18
ED. 6011

Descontaminação

João Amoedo tem feito de tudo para defender a “pureza” do Partido Novo. Diz a quem quiser ouvir que a nomeação de Ricardo Salles, integrante da sigla, para o Ministério do Meio Ambiente é uma escolha pessoal de Jair Bolsonaro e não uma indicação partidária. Só não dá o mesmo disclosure à informação de que Salles o consultou e teve seu aval para assumir a Pasta.

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07.12.18
ED. 6010

Voto impresso racha os “bolsonaristas”

Uma pauta controversa provoca fissuras no núcleo duro do próximo governo. A bancada do PSL, notadamente o Major Olímpio, costura o apoio de outras legendas para a aprovação do voto impresso obrigatório. Aliada do PSL, a deputada eleita Bia Kicis (PRPDF) deverá apresentar, logo no início do mandato, projeto de lei determinando a adaptação do atual sistema do TSE para a impressão dos comprovantes de votação em todas as urnas eletrônicas. A premissa é a redução do risco de fraude eleitoral. A medida, no entanto, encontra resistências entre os assessores de Bolsonaro para a área de segurança. O temor é que o governo eleito com um forte discurso de combate ao crime organizado acabe dando um presente de bandeja para traficantes, milicianos e congêneres. Estes passariam a ter uma arma de grosso calibre para coagir o eleitor a votar em candidatos de seu interesse, com a devida “prova do crime”. Dados da Inteligência da PF indicam que criminosos têm influência direta sobre as eleições em pelo menos nove estados. Como seria de se esperar, o caso mais dramático é o Rio de Janeiro. Só no Grande Rio, estima-se que mais de dois milhões de eleitores vivam em áreas sob ingerência de traficantes e milícias.

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07.12.18
ED. 6010

Manaus chora o refrigerante derramado

O governador eleito do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e congressistas do estado têm feito uma romaria junto à equipe de transição de Jair Bolsonaro. Levam o pleito de que Bolsonaro revogue o decreto assinado por Michel Temer em setembro, que ceifou os incentivos tributários federais via IPI concedidos a fabricantes de concentrados de bebidas instalados na Zona Franca de Manaus. Lima teme iniciar seu mandato sob uma revoada de empresas e empregos. O receio é que AmBev e Heineken sigam os passos da Pepsico. A Pepsico não se fez de rogada e anunciou o fechamento de sua fábrica na Zona Franca em resposta ao corte dos benefícios fiscais, demitindo cerca de 50 trabalhadores. O governador eleito do Amazonas carrega a esperança de que uma reversão do decreto possa fazer com que a própria multinacional norte-americana volte atrás na sua decisão. A missão de Lima, no entanto, é das mais duras. Como se sabe, Paulo Guedes e sua equipe transpiram hectolitros de antipatia em relação a incentivos fiscais à indústria.

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06.12.18
ED. 6009

Agricultura morde mais um pedaço do Itamaraty

O governo Jair Bolsonaro prepara mais uma medida para esvaziar o Itamaraty. O novo movimento neste sentido passa pelo Ministério da Agricultura. A ideia é fortalecer a Secretaria de Relações Institucionais da Pasta, que, curiosamente, esteve a um passo da extinção. A Secretaria terá seu escopo ampliado, com uma presença maior na negociação de imbróglios multilaterais no agronegócio. O modelo, já em discussão na equipe de transição, tem o aval da futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina. O nome mais cotado para o cargo é o de Orlando Leite Ribeiro, diretor do Departamento de Promoção Comercial e de Investimentos do Itamaraty. A gestão Bolsonaro parece talhada para murchar as Relações Exteriores. Bolsonaro tem usado do expediente de espalhar atribuições do Itamaraty entre outros ministros. É o caso de Paulo Guedes, na Economia. O ministro montou uma Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais para o diplomata Marcos Troyjo e deverá contar ainda com a assessoria especial de Carlos Langoni para temas relacionados às relações externas.

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06.12.18
ED. 6009

O Capitão não veio para explicar, mas para confundir

Aliados próximos do presidente eleito Jair Bolsonaro somente conseguem entender suas declarações desencontradas sobre a reforma da Previdência como parte de uma estratégia diversionista, que busca confundir suas reais intenções. Uma derivada do dividir para reinar. O futuro mandatário confunde para negociar. Quando Bolsonaro diz que a reforma é prioritária e será encaminhada imediatamente ao Congresso, que o projeto pode ser o mesmo enviado na gestão Temer; ou que ela será aprovada de forma gradual com um projeto próprio que está sendo preparado por Paulo Guedes; ou que ela será apresentada aos pedaços, uma parte agora outra parte até o final do ano, ele somente desinforma.

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Bolsonaro parece fazer política usando o método de Francisco José Fonseca de Medeiros em sua apostila sobre a Atividade de Inteligência no Mundo atual: a recomendação é não deixar ninguém entender o que você está pensando; afirmar o que não pensa; e mudar permanentemente o que disse anteriormente. Bolsonaro personifica com distinção a máxima do teórico da espionagem: “Fazer Inteligência não é coisa de inteligentes”. Talvez seja até o contrário. A estratégia cada vez mais nítida do presidente eleito de desorientar primeiro para depois entrar em campo se espraiou para o seu futuro gabinete no governo. Onyx Lorenzoni, convidado para a chefia da Casa Civil, entorta ainda mais o propósito de fazer da Previdência a viga central da estabilização econômica. Segundo Lorenzoni, a reforma pode ser aprovada em qualquer dos quatro anos.

O governo não se estressará com isso. O ministro da Economia, Paulo Guedes, diz o oposto. Os filhos de Bolsonaro também desdenham hoje do projeto que foi tratado na campanha como demonstração de que o presidente tinha entendido a lógica da urgência do ajuste fiscal. O presidente eleito sabe que não há nada que substitua o efeito positivo sobre as expectativas do que a aprovação da reforma da Previdência, o quanto mais rápida e austera possível. Sabe que as agências de rating deverão reagir de forma favorável, o que reduzirá o risco do país, atraindo mais capitais. Tem convicção de que os ativos públicos a serem privatizados aumentarão de valor e poderão ser levados com maior velocidade a leilão. Não tem dúvida da importância da medida para que se zere o déficit primário e se busque a seguir a realização de um superávit. Muito menos do seu papel na redução da taxa básica de juros com um efeito virtuoso sobre toda a economia. Talvez só exista uma explicação para essa algaravia de proposições e ideias: Bolsonaro quer confundir.

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06.12.18
ED. 6009

Turismo receptivo

Eduardo Bolsonaro foi encarregado da missão de importar Olavo de Carvalho para a posse de Jair Bolsonaro. Como se sabe, o mago do “bolsonarismo” não gosta de se deslocar da sua base, na Virgínia, nos Estados Unidos.

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05.12.18
ED. 6008

Bolsonaro estica a marquise do Fies para o ensino a distância

Jair Bolsonaro vai cumprir mais uma promessa de campanha: o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), alvo de duras críticas do Capitão durante a campanha, não vai ficar como está. A equipe de transição já tem recomendação expressa de fazer profundas no escopo do programa. A mais contundente será a sua expansão para alunos do segmento de ensino a distância (EAD). Hoje, a concessão de crédito está restrita a estudantes de cursos presenciais. Em seu ápice, em 2014, o Fies chegou a beneficiar 700 mil alunos. No entanto, as regras mais rígidas estabelecidas no governo Temer afunilaram o acesso ao programa. Em 2017, segundo dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), apenas 170 mil estudantes ingressaram em escolas de nível superior por intermédio do Fies, o menor número em seis anos. Na avaliação de assessores de Bolsonaro para a área de educação, o Fies é hoje um programa capenga, divorciado da realidade do setor. Estudos do Ministério da Educação recebidos pela equipe de Bolsonaro mostram que, até 2023, o número de alunos de graduação a distância deverá superar o de estudantes em turmas presenciais. Em 2017, o segmento de EAD já somava 46,8% do total de matrículas do país. Ressalte-se que um dos principais conselheiros de Bolsonaro para o setor é o professor Stavros Xanthopoylos, diretor da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância). A ampliação do Fies para os cursos a distância é uma reivindicação antiga dos grupos privados da área de educação. Outro pleito é que o governo flexibilize as regras para a renegociação de dívidas no âmbito do Fies. Hoje, cerca de 500 mil jovens estão em atraso no pagamento do financiamento. As instituições privadas alegam que as formas de negociação vigentes, com parcelas mínimas de R$ 200, têm dificultado a regularização das dívidas.

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05.12.18
ED. 6008

Marrocos não verá Michel Temer

Micou a viagem que Michel Temer faria ao Marrocos na semana que vem. O Itamaraty aconselhou o presidente a não participar de cúpula da ONU marcada para os dias 10 e 11, em que será tratada a situação global de migrantes e refugiados. O Ministério das Relações Exteriores alertou Temer sobre a possibilidade de protestos no país árabe devido à anunciada decisão de Jair Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira em Israel de Telaviv para Jerusalém. Em tempo: o cancelamento da viagem causou frustração entre ministros e, sobretudo, assessores que estavam destacados para fazer parte da comitiva. Esta seria a última viagem de mais fôlego do presidente Temer – na agenda há apenas uma visita ali ao lado, ao Uruguai, para uma reunião do Mercosul.

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05.12.18
ED. 6008

Segurança de Bolsonaro é uma questão de fé

Nunca se rezou tanto por um presidente antes que tomasse posse. Aliás, um presidente no gozo da sua saúde, antes que se faça qualquer correlação com Tancredo Neves. Hoje, nesta hora, neste exato minuto, há fieis orando por Jair Bolsonaro. Um fenômeno conquistado com um discurso permanente sobre o risco da integridade física do futuro mandatário. Antes mesmo de tomar a facada que mudou o rumo da história, entre as hostes bolsonímicas já se levantava a probabilidade de um atentado contra o candidato do PSL e a mudança que ele representava.

Dito e feito. Houve o atentado. E nunca mais se parou de aventar a possibilidade dele se repetir. Os principais assessores do presidente eleito e seus próprios filhos são os responsáveis pelo clima de medo e tensão permanente, levantando suspeitas, inclusive, entre os mais próximos de Bolsonaro. Entre estes, as maiores interrogações recaem sobre os aliados de últimahora. São também potenciais matadores o PT, o MST, indigenistas, sindicalistas e os “esquerdopatas” de vários matizes.

Estranha-se que, em meio à tamanha preocupação e cuidados com a saúde do futuro presidente, tenham se esquecido de dar a transparência devida ao depoimento de Adélio Bispo, o homem da faca. Ninguém nunca leu a íntegra do seu depoimento. O grau de ansiedade tem se ampliado em direção aos próprios filhos, que deverão ter proteção especial e andar em carros blindados. Se houver realmente uma conspiração para o extermínio de Bolsonaro, é algo demasiadamente preocupante. Caso contrário, pode ser uma estratégia muito bem feita de comunicação.

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05.12.18
ED. 6008

Glória a Deus

A bancada evangélica está promovendo o milagre da multiplicação. Desde a eleição, o número de deputados e senadores reunidos para a próxima legislatura já subiu de 88 para 108. Não faltam parlamentares de fé dispostos a se juntar ao que promete ser um dos mais fortes grupos no Congresso no governo Bolsonaro.

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04.12.18
ED. 6007

Bolsonaro ameaça o estado de direito com o risco de criminalização da repatriação

O governo Bolsonaro vai usar e abusar do medo como prática política. Arrefecerá o grau de fricção com o uso permanente do balão de ensaio como mediador das suas atitudes – dependendo da rejeição à medida, com recuos logo a seguir. É o stop and go aplicado à política. está operando com tensão permanente, usando para isso os filhos, suas manoplas ministeriais, Sergio Moro e Paulo Guedes, e o exército de contingência que ficará sediado no Planalto e demais pastas, leia-se os generais quatro estrelas. O Estado policial que vai ganhando contornos a partir de anúncios recentes se assentará sobre compensações junto aos mais carentes.

Nada mais clássico na história dos populismos de corte autoritário. Sem recursos para investir em políticas assistencialistas, o presidente eleito vai extrair essa poupança do empresariado afeito a práticas inconfessáveis. É o método Moro elevado à política de Estado. Esse é o desenho nítido do governo Bolsonaro que o próprio establishment procura tornar opaco. Faltando pouco menos de um mês para a sua posse, Bolsonaro dá dois exemplos de medidas agudas que passam a ideia de um estado policialesco. Uma delas traz a reboque a premissa da criminalização a priori e se constitui em uma ameaça ao próprio estado de direito, ao colocar sob risco contratos firmados. Trata-se da possibilidade de uma devassa dos contribuintes que aderiram aos programas de repatriação de recursos não declarados à Receita promovidos nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.

O balão de ensaio subiu aos céus e não foi furado: a informação foi amplamente disseminada na mídia no fim de semana sem ser desmentida. Caberá a Sergio Moro investigar a origem dos quase R$ 175 bilhões regularizados nas duas edições. A rigor, de antemão, a medida já colocaria sob suspeição os quase 27 mil cidadãos e 123 empresas que internalizaram o dinheiro e pagaram suas respectivas multas sob a promessa de que o assunto estaria encerrado aos olhos da Receita Federal e demais autoridades da área financeira. Agora, no entanto, os beneficiários do programa se veem diante do risco de revogação deste indulto. A situação dos contribuintes que aderiram à repatriação, ressalte-se, é razoavelmente frágil do ponto de vista jurídico.

Todos os beneficiários do programa automaticamente assumiram a culpa por manter recursos não declarados ao Fisco no exterior. Portanto, são potencialmente réus confessos. À época, não faltaram juristas elevando a voz em relação a essa vulnerabilidade, que poderia ter sido evitada, por exemplo, com a aprovação de uma PEC. Novos governos geram dúvidas sobre o futuro. A gestão Bolsonaro já se notabiliza por lançar interrogações sobre o passado. Vai pelo mesmo caminho a voracidade com o que o futuro governo promete caçar novos acordos de leniência com empresas que admitiram irregularidades em contratos com a administração pública. Assessores de Bolsonaro já soltaram ao vento a meta de arrecadar cerca de R$ 25 bilhões com as multas.

Não se sabe os critérios utilizados para se chegar a tal cifra, o que, por ora, abre um vasto leque de especulações sobre a amplitude da medida. Todas as empresas que prestam serviços ao setor público são suspeitas até prova em contrário? Essas medidas seriam embaladas com um discurso em nome da transparência, da faxina na corrupção, da higienização da República, o que conferiria legitimidade e asseguraria o apoio popular às ações. Mas o grande apelo seria a indexação das propostas ao bem-estar social. Ao colocar direitos adquiridos no espremedor, Bolsonaro retiraria o sumo necessário para cobrir a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco salários mínimos, a instituição do 13º do Bolsa Família, a garantia de creche universal para as crianças em idade pré-escolar, renda mínima, entre outras agendas. Dinheiro do crime para o povo. Crime? Qualquer coisa que assim pareça.

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04.12.18
ED. 6007

Beijo no asfalto

O PR, que esperou, em vão, por um ministério para Magno Malta, tenta ao menos preservar alguns de seus anéis no governo, a começar pelo DNIT. O partido trabalha junto à equipe de transição de Jair Bolsonaro pela permanência de José da Silva Tiago à frente da autarquia. Se Bolsonaro quiser fortes emoções nas estradas brasileiras, faz sentido. O PR comandou a área de transportes durante boa parte dos governos do PT e da gestão Temer, com um vasto acervo de denúncias e acusações a reboque. O próprio Tiago é réu em ação de improbidade administrativa.

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04.12.18
ED. 6007

Caravana de pedintes

A posse de Jair Bolsonaro, no dia 1 de janeiro, promete ser das mais concorridas. Ao menos 16 dos 26 governadores já sinalizaram a Bolsonaro que vão antecipar sua própria diplomação e correr para o beija-mão em Brasília. A maioria terá de cumprir o itinerário repetidas vezes, com o pires na mão.

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03.12.18
ED. 6006

Bolsonaro joga na conta de Temer a quebra das algemas fiscais

A cordialidade entre Jair Bolsonaro e Michel Temer pode não durar até a posse. O futuro presidente está sendo aconselhado pelo seu grupo mais próximo a denunciar publicamente a herança que receberá de Temer em duas algemas fiscais: a Regra de Ouro e a PEC do Teto. Em ambas, o governo não cumprirá as exigências e terá de pedir a flexibilização das regras ao Congresso. No caso da Regra de Ouro, o Congresso terá de aprovar um crédito extraordinário ao orçamento; quanto à PEC do Teto, provavelmente seria necessário uma nova PEC desautorizando a anterior. Apontar o dedo em riste na direção de Temer como o responsável pelo descalabro ajudaria na gestão da imagem, mas não necessariamente nas negociações com o Legislativo. Por enquanto, Bolsonaro matuta entre os seus o que fazer. Paulo Guedes já deu suas sugestões. O Capitão está desconfortável em iniciar o mandato tendo de ir ao Congresso pedir arrego como se fosse o culpado pelas batatas quentes fiscais, correndo o risco de políticos o incriminarem, no caso da Regra de Ouro.

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30.11.18
ED. 6005

Redenção das empreiteiras nacionais ganha espaço na agenda do governo Bolsonaro

O resgate das quatro grandes empreiteiras do país – Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão – está entre as premissas da equipe de Jair Bolsonaro para a reconstrução do setor de infraestrutura. Os principais defensores desta agenda seriam os auxiliares militares do presidente eleito. A descontaminação das grandes empresas de construção pesada é considerada essencial para a conclusão das mais de 2,7 mil obras paradas e o início de outras tantas. Esta retomada é necessária para que o país possa crescer acima dos 3,5% a 4%. Sem o avanço da infraestrutura, o teto do PIB é baixo.

O ajuste das contas públicas e mesmo o equilíbrio geral dos fatores poderão atrair recursos externos para os investimentos. Mas a equação da empreitada das obras permanece um dilema. Os assessores de Bolsonaro duvidam que mesmo a vinda em profusão de construtoras chinesas, por exemplo, não daria conta do conhecimento necessário para levantar os projetos de infraestrutura. Que empreiteira do país asiático conseguiria mobilizar a Amazônia em torno de grandes obras de energia e logística essenciais? As quatro grandes empreiteiras, que representavam mais de 50% do faturamento total do setor, foram praticamente interditadas com a operação Lava Jato. Agora, pagas as multas, punidos os gestores e controladores e fechados os respectivos acordos de leniência, estariam dadas as condições para a descriminalização ampla, geral e irrestrita das companhias.

Aliás, uma das autocríticas compartilhadas pelas equipes de Michel Temer e do futuro presidente é que as operações das empreiteiras deveriam ter sido preservadas. Uma coisa é a culpa dos homens; outra é o capital humano e a capacidade de contribuição das construtoras. Outro dado é que a Lava Jato mudou a intensidade do compliance das contratantes e das contratadas. As condições do passado para práticas de corrupção hoje são exíguas. Durante o processo de expurgo das big four, a construção pesada perdeu cerca de 400 mil postos de trabalho.

Uma parcela desse contingente era altamente especializada. Existe sempre a possibilidade de grupos estrangeiros sublocarem parte das empreiteiras nacionais, assumindo em bloco contratos, mão de obra etc. A receita parece trivial, mas, na prática, nunca deu certo, pelo menos na escala necessária. As diferenças de culturas e de conhecimento das peculiaridades locais não podem ser ignoradas. No Equador, por exemplo, onde houve um aumento expressivo do número de obras tocadas por companhias chinesas, operários dormiam amontoadosdentro de contêineres. O Brasil detém uma das melhores expertises internacionais no setor de construção pesada. O que mudou foi a higienização de expedientes inaceitáveis. A qualidade dos serviços permanece a mesma.

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30.11.18
ED. 6005

A “cessão onerosa” da telefonia

As grandes operadoras de telefonia trabalham a múltiplas mãos em um plano para a expansão da banda larga no interior do país, notadamente em áreas rurais. O projeto deverá ser colocado sobre a mesa dos assessores de Jair Bolsonaro antes mesmo da posse. Uma parcela expressiva dos investimentos já está amortizada, uma vez que envolve projetos já deflagrados por estas empresas em regiões mais remotas utilizando-se tecnologia 3G. A proposta pode ser interpretada como uma contrapartida das empresas de telecomunicações para que a gestão Bolsonaro acelere a concessão da frequência de 5G. Trata-se de uma troca que interessa, e muito, ao governo, que conta com a receita dos leilões de 5G, estimada em R$ 20 bilhões, no esforço do ajuste fiscal.

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30.11.18
ED. 6005

Um adubo para os canaviais

Uma das missões de Frederico D´Avila, ex-diretor da Sociedade Brasileira Rural e recém-embarcado na equipe de transição de Jair Bolsonaro, será formular uma política para a retomada dos investimentos e dos postos de trabalho no setor sucroalcooleiro. Talvez não dê para salvar a maioria das mais de 70 usinas do país em recuperação judicial, mas já será um lucro para o governo Bolsonaro evitar que essa conta aumente.

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29.11.18
ED. 6004

Centrais sindicais se esfarelam

Um problema a menos para o governo Bolsonaro: as centrais sindicais estão mais preocupadas em sobreviver do que chacoalhar o chão de fábrica e fazer barulho. Depois da CUT, que cortou mais de metade do seu quadro de funcionários, a Executiva Nacional da Força Sindical vai se reunir no próximo dia 5 para deliberar sobre um drástico programa de desmobilização patrimonial. Segundo o RR apurou, a entidade pretende se desfazer da sua sede 12 andares e 1.900 metros quadrados no bairro da Liberdade, em São Paulo. Também está colocando à venda suas instalações no Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. A Caixa Econômica Federal foi chamada para avaliar os imóveis – de acordo com a fonte do RR, o laudo deverá ser concluído ao longo do mês de dezembro. Não obstante ser a entidade dos trabalhadores com o maior entroncamento com o Poder, por conta da fluidez política do deputado federal Paulinho da Força, aliado de todos os governos, a Força Sindical não resistiu ao fim das contribuições obrigatórias. Mesmo com 4,5 milhões de trabalhadores em 550 sindicatos associados, sua arrecadação caiu 90% neste ano.

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29.11.18
ED. 6004

O equilíbrio distante entre militares e tecnocratas

Há demasiada curiosidade em Brasília sobre os últimos arremates do ministério Bolsonaro. A inquietação diz respeito à composição final do time de ministros. São mais militares do que tecnocratas? São militares versus tecnocratas? Quem são os mais resilientes: militares ou tecnocratas? Por enquanto, os militares lideram a disputa. Se forem incorporados na conta os comandantes das Forças Armadas, que não são ministros, mas têm tropas, a conta dispara.

Se, de um lado, os tecnocratas ocuparam os cargos com o controle das finanças, de outro os militares sitiaram o Palácio do Planalto. A nomeação de um general para o Ministério dos Esportes, por exemplo, pode disparar o quesito numérico em favor dos militares. Bolsonaro cumpriu o que disse e esvaziou as pastas de políticos. A essência é de militares e tecnocratas. O futuro ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que fez carreira como professor da Escola de Comando do Estado Maior, é um militar honorário, assim como o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que começou no Exército, se formou em engenharia no IME e esteve no Haiti com a tropa de paz.

E os filhos de Bolsonaro, notadamente Eduardo, são quase militares, pelo menos no espírito. Que ninguém se engane: o pessoal de verde oliva não pensa igual à turma de Chicago. O que não quer dizer que haja dissensão, ruptura, cisão. Em 1964, o grosso da milicada achava tenebrosa a política econômica de Campos e Bulhões, tanto que, com a saída da dupla, virou tudo de ponta cabeça. Mas, enquanto o general Castello Branco, o Bolsonaro da época, esteve à frente da presidência, todos seguiram, em silenciosa obediência, a cartilha da dobradinha ultraliberal. De qualquer forma, há uma diferença indiscutível entre a resistência dos dois grupos: tecnocratas entram no governo e podem sair a qualquer momento; militares entram e não saem. Que sejam harmônicos enquanto dure.

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29.11.18
ED. 6004

Os renegados

Líderes do PSC, Patriota e PTB tentam há duas semanas marcar uma audiência com Jair Bolsonaro. Não passam sequer do primeiro portão do condomínio onde mora o Capitão. As três siglas, as primeiras a apoiar Bolsonaro no segundo turno, se queixam de que não têm sido contempladas na formação do governo.

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28.11.18
ED. 6003

Reconhecimento internacional

Carlos Bolsonaro, mentor da campanha do pai, Jair Bolsonaro, nas mídias digitais, já teria recebido o convite de duas universidades norte-americanas para falar sobre a estratégia que jogou o Capitão nas alturas das redes sociais.

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27.11.18
ED. 6002

Padilha, o maquinista

O ministro Eliseu Padilha tem mantido intensas tratativas com o TCU com o objetivo de conseguir o sinal verde para a privatização de mais de dois mil quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, travada pela Corte devido a uma série de inconsistências no processo. Fica como um regalo do governo Temer para Jair Bolsonaro.

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26.11.18
ED. 6001

Temer deixa uma porta entreaberta no setor nuclear

A Era Temer vai deixar um legado atômico para Jair Bolsonaro. O ministro Moreira Franco encaminhou à equipe de transição de Bolsonaro um projeto que prevê a venda de até 49% da Eletronuclear. O estudo técnico para a operação foi concluído na semana passada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A entrada de um investidor privado na estatal teria como premissa a conclusão da construção de Angra 3 – o custo estimado gira em torno de R$ 20 bilhões. Mesmo em seu crepúsculo e sem poder decisório sobre o amanhã, o governo Temer tem mantido intensa interlocução com grupos estrangeiros interessados no negócio. Segundo o RR apurou, nas últimas semanas mais duas grandes corporações da área de energia atômica abriram conversações com a Pasta de Minas e Energia: a China General Nuclear Power Group e a Nuclear Power Corporation of India. De acordo com uma fonte do Ministério, executivos das duas empresas devem visitar o site de Angra 3 até o fim do ano. Há um consenso entre as autoridades do setor elétrico de que o projeto de Angra 3 só será retomado com a injeção de recursos privados. No entanto, a gestão Bolsonaro traz uma variável de significativo peso sobre o assunto: o notório entrelaçamento entre o futuro governo e as Forças Armadas. O ingresso de um investidor estrangeiro na Eletronuclear é uma agenda que certamente será tratada com cautela pelo estamento militar, que olha para o programa nuclear brasileiro sob a ótica da soberania nacional.

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26.11.18
ED. 6001

Está chegando a hora da onça beber água

O grande desafio do governo Jair Bolsonaro no ano da graça de 2019 não será a reforma da Previdência, que representará, sem dúvida, um tento, mas já está dada como pré-condição para o ajuste fiscal. O teste de força será a apresentação, nos primeiros seis meses do ano, da “agenda do incômodo”. São as medidas que baterão de frente com os grupos de interesse e lobbies mais poderosos do país. O RR considera que são três os maiores espinheiros: a desregulamentação, que envolve cortes de subsídios, renúncias fiscais, barreiras tarifárias e desonerações tributárias; o choque anticorporativista, que prevê alterações no fim da estabilidade dos cargos do funcionalismo público, demissões, um pacto pela produtividade, mudanças no Sistema S, entre outras medidas dolorosas; e o ajuste fiscal dos estados e municípios. É no interior desse mosaico que será capturado o complemento para zerar estruturalmente o déficit primário. As privatizações maciças são mais um discurso de campanha, já que a equipe econômica sabe que não é simples a venda de estatais a granel. Mas empresas vinculadas às estatais poderão ser vendidas sem a burocracia das licitações clássicas, tais como os ativos de distribuição e refino da Petrobras e subsidiárias do Banco do Brasil. Os grupos de interesse já estão se movendo para defender os seus territórios. Algumas federações de indústria já buscaram dar o seu apoio de praxe, para depois negociar alguns pontos. Isso teria provocado, inclusive, algumas rachaduras entre essas entidades. Espera-se que os cortes e fim das tarifas alfandegárias estejam vinculados, em alguns casos, a contrapartidas do aumento da produtividade. Haveria métricas próprias e prazos para que fossem cobrados os compromissos, algo que nunca foi feito nesses de distribuição farta de benefícios.

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26.11.18
ED. 6001

O head hunter de Bolsonaro

Paulo Guedes recebeu carta branca de Jair Bolsonaro para indicar também os vice-presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Serão mais 20 integrantes da área econômica com o imprimatur do superministro. No caso da Caixa, que responde à Lei das Estatais, a rigor os nomes dos 11 VPs terão de ser submetidos ao Conselho de Administração. Trata-se de um mero detalhe.

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23.11.18
ED. 6000

Bolsonaro herda o big data contra o crime

A despeito de heranças indesejáveis, sobretudo na área fiscal, a gestão Temer deixará para o governo Bolsonaro – e mais especificamente o superministro Sérgio Moro – uma arma de grosso calibre para o com- bate ao crime organizado. Trata-se de um inovador e ainda confidencial sistema de inteligência em segurança pública, que combina tecnologias como machine learning, mecanismos de rastreamento de informações em redes sociais e uma rede de câmeras instaladas em ruas, prédios e veículos de transporte público, notadamente nas grandes cidades. Os eixos centrais são a coleta de informações em tempo real; integração dos dados, inclusive com a base de registros criminais das polícias; predição, recomendação e apoio a decisões, com uso de inteligência artificial.

O projeto contempla também o desenvolvimento de um aplicativo que auxiliará as forças policiais durante as operações.O big data contra o crime, em desenvolvimento no Laboratório Integrado de Segurança Pública da Polícia Rodoviária Federal (PRF), tem sido apresentado de forma reservada a militares, representantes da cúpula das policiais estaduais e também a pequenos grupos de empresários. A versão beta do sistema já está sendo testada no Ceará. Os primeiros resultados são alvissareiros: em seis meses, a ferramenta levou a uma redução de 40% dos roubos de cargas e de 45% nos roubos de veículos, graças ao mapeamento das áreas com maior incidência de crimes.

O projeto parece ter sido feito sob medida para um presidente que se elegeu em cima de um discurso radical de combate ao crime. Jair Bolsonaro poderá capitalizar a inovação antes mesmo da sua posse: uma unidade da PRF com o novo sistema deverá ser instalada no Arco Metropolitano do Rio de Janeiro ainda durante o governo de transição. O local foi escolhido a dedo: como o nome sugere, o Arco circunda toda a Região Metropolitana do Grande Rio, com integração direta à Rodovia Presidente Dutra e outras vias de acesso à cidade comumente usadas para o transporte de cargas roubadas e mesmo armas e drogas.

A equipe de transição de Bolsonaro já trabalha para viabilizar a implantação do sistema em todos os estados do país até o fim de 2019. Parte do financiamento virá da Medida Provisória 846/2018, mais conhecida como MP das Loterias, que propõe a destinação de aproximadamente R$ 1 bilhão para a área de segurança pública. Já existe uma recomendação para que o futuro ministro Sérgio Moro use a verba integralmente para agilizar a instalação do sistema. A MP foi aprovada nesta semana tanto na Câmara quanto no Senado em uma espécie de rito sumário: um acordo de lideranças permitiu a votação nas duas Casas em menos de 24 horas. O presidente Michel Temer compromoteu-se a sancioná-la nos próximos dias. As circunstâncias pedem que ele seja rápido no gatilho: a MP caduca na próxima quarta-feira, dia 28.

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22.11.18
ED. 5999

Bolsonaro quer “higienizar” agências reguladoras

O governo Bolsonaro mira nas agências reguladoras. A equipe de transição discute, desde já, propostas para alterar as regras de nomeação dos dirigentes da Anatel, ANP, Aneel e suas congêneres menos votadas. A premissa é que a excessiva politização destes órgãos tornou-se um fator de engessamento das decisões regulatórias e, consequentemente, um entrave à execução de projetos estruturantes. Ou seja: a “descontaminação” das agências é vista no núcleo duro do futuro governo como condição sine qua nom para reverter o gargalo de investimentos em infraestrutura e deslanchar a agenda de concessões e privatizações a partir de 2019. A ideia é estimular a contratação de nomes da iniciativa privada para os órgãos reguladores.

Entre as mudanças estudadas, está a exigência de formação acadêmica compatível com o cargo e a comprovação de experiência profissional na área em questão. Outra proposta é estabelecer uma lista tríplice para a indicação do diretor-geral ou presidente das agências, com a criação de uma comissão independente para avaliar o currículo dos candidatos. Pesquisa realizada pela FGV em 2016 mostrou que 81% das indicações para as agências reguladores vêm de órgãos públicos – Câmara, Senado, ministérios, estatais, além da própria agência.

Na ocasião, apenas 6% dos servidores mapeados pelo estudo tinham passagem pela iniciativa privada. A equipe de Bolsonaro cogita a possibilidade de editar uma medida provisória logo no início do mandato para agilizar a questão. Seria, inclusive, uma forma de pressionar o Congresso a votar um dos três projetos de lei em tramitação para alterar a Lei 9.986/2000, que rege as contratações para as agências reguladoras. Todos estão na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). O mais avançado deles e com maiores chances de aprovação no plenário é o PL 495/2015, de autoria do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). Entre outros pontos, o texto exige experiência profissional ou acadêmica de, no mínimo cinco anos, a todos os indicados para a diretoria de órgãos reguladores.

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22.11.18
ED. 5999

Eduardo Cunha está presente?

Erick Bill Vidigal está cotado para assumir a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Bolsonaro. Seu nome conta com o importante apoio do próprio Onyx Lorenzoni, futuro titular da Pasta. Filho do ex-ministro do STJ Edson Vidigal, o jurista ocupa hoje a cadeira de subchefe adjunto da área jurídica da Casa Civil. Integra também a Comissão de Ética da Presidência da República. Mas, como quase sempre, há um “porém”. O senão à indicação é a sua sinuosa ligação com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Vidigal foi levado para o governo por Gustavo Rocha, atual subchefe da área jurídica da Casa Civil. Este, por sua vez, chegou ao Ministério pelas mãos de Cunha, para quem advogou. Vidigal sempre negou a conexão direta com o ex-parlamentar. No entanto, além da relação com Rocha, em 2016 ficou célebre por publicar um artigo afirmando que beneficiários de trusts não são necessariamente seus proprietários – justamente a tese pregada pela defesa de Cunha.

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21.11.18
ED. 5998

Carta fiança

O Pátria Investimentos está posando como avalista informal do governo Bolsonaro. Em teleconferências com investidores internacionais, o economista chefe da gestora de recursos, Luis Fernando Lopes, tem reafirmado, como um mantra, que a democracia brasileira não corre risco com a eleição de Bolsonaro.

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20.11.18
ED. 5997

O satélite de Kassab

O ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, tem usado da sua razoável influência junto à equipe de transição de Jair Bolsonaro para defender a assinatura do acordo entre a Telebras e a norte-americana Viasat, suspenso pelo TCU. Em jogo, a gestão do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas. As Forças Armadas veem a terceirização com bons olhos, o que é meio caminho andado…

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20.11.18
ED. 5997

Bolsonaro não precisa de horário eleitoral

Na visita que fez à presidente do TSE, Rosa Weber, na semana passada, Jair Bolsonaro lançou no ar a ideia de se extinguir o horário eleitoral obrigatório no rádio e na TV. Com a sua habitual crueza, o presidente eleito, que se valeu como ninguém das redes sociais em sua campanha, chegou a dizer que: “Ninguém mais assiste a esse negócio. As pessoas preferem jantar e conversar com a sogra”. A ministra Rosa Weber apenas ouviu, sem tecer qualquer comentário.

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20.11.18
ED. 5997

O ministro sem Pasta de Bolsonaro

O ex-ministro do Trabalho do governo Temer, Ronaldo Nogueira (PTB-RS), vem se revelando um influente conselheiro de Jair Bolsonaro. Nogueira tem sido uma das principais vozes na defesa da extinção da Pasta do Trabalho, medida que vai e vem na cabeça de Jair Bolsonaro. Também partiu dele a indicação de Pablo Tatim, seu assessor no Ministério, para a função de coordenador jurídico da equipe de transição de Bolsonaro. Nogueira, ressalte-se, é persona non grata entre as grandes centrais sindicais do país. Líderes da classe trabalhadora costumam acusá-lo de trabalhar pelo fim da Pasta por dentro, desde quando ainda ocupava o cargo de ministro. Nogueira, coadjuvado pelo próprio Pablo Tatim, teve papel marcante na articulação com o Congresso para a aprovação da reforma da CLT. O projeto, ressalte-se, começou com dez emendas e terminou com mais de cem, em grande parte graças à atuação da dupla Nogueira/Tatim.

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20.11.18
ED. 5997

Feitos um para o outro

Se não ocorrer algo extraordinário, o DEM vai anunciar nos próximos dias seu alinhamento formal ao governo Bolsonaro. A costura tem sido feita, de um lado, por Rodrigo Maia e ACM Neto e, do outro, pelo próprio Capitão e por Eduardo Bolsonaro. Entre outros pontos, o acordo passa pela garantia de que o PSL não indicará candidato à presidência da Câmara.

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19.11.18
ED. 5996

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político – Um macaco de imitação às avessas

Jair Bolsonaro venceu a eleição se apresentando como o anti-Lula. Acaba de escolher como chanceler um diplomata que se apresentou durante sua campanha como o anti -Amorim. Ali e aqui, as identidades foram cuidadosamente modeladas conforme o esquema conservador de se mirar no inimigo, usandoum espelho invertido. Qual a surpresa? Por que o espanto? Tudo me parece de grande coerência. Se quiserem entender as ações publicitárias do próximo governo, façam assim: imaginem como os conservadores veem os passados governos do PT e multipliquem por menos um. Será um macaco de imitação às avessas. Inclusive no pragmatismo que provavelmente vai aparecer debaixo da lorota ideológica. Por isso, não fiquem espantados. Em breve, estarão mortos de tédio.

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19.11.18
ED. 5996

Bajulação digital

João Doria encabeçou a criação de um grupo no WhatsApp com os governadores que apoiam o presidente eleito Jair Bolsonaro.

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16.11.18
ED. 5995

Ozires ajuda no plano de voo de Bolsonaro

O coronel Ozires Silva, que vinha hibernando há alguns anos, foi resgatado pelos assessores militares de Jair Bolsonaro. Ozires, cuja história se confunde com a criação da Embraer, tem sido consultado sobre a fusão da companhia com a Boeing. Não se sabe se foi por sua influência, mas o general Mourão já se mostrou simpático ao negócio. Ozires tem dado conselhos também sobre projetos estruturantes de economia física. Como se sabe, ele foi ministro da Infraestrutura no governo Collor. Sua gestão, porém, foi considerada morna, não deixando legado ou nada de relevante a relembrar. O eterno presidente da Vale e polivalente ministro de vários governos, Eliezer Batista, dizia que era “melhor deixar o Ozires lá na Embraer, porque a infraestrutura já estava complicada o suficiente”.

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16.11.18
ED. 5995

Diplomacia quatro estrelas

Jair Bolsonaro manifestou a aliados a intenção de ter um conselheiro da área de Relações Exteriores ao seu lado no Palácio do Planalto. O cargo pode ser ocupado por um general. Mal comparando, seria algo similar à figura de Marco Aurelio Garcia no governo Lula. A ideia não desperta simpatias no Itamaraty, que teme um duplo comando na Pasta.

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16.11.18
ED. 5995

Educativa

A ideia de transformar as emissoras da EBC em rádios educativas entrou na frequência de Jair Bolsonaro.

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14.11.18
ED. 5994

Namoro na TV

Bolsonaro vem aí, lará, lará, lará… Bolsonaro vem aí, lará, lará, lará”. O próprio Silvio Santos, de viva voz, cantarolou o refrão para o presidente eleito ao lhe fazer o convite para uma entrevista ao vivo e a cores antes da sua posse. O Homem do Baú já anuncia aos quatro cantos a participação de Bolsonaro em seu programa. A ida ao auditório de Silvio sinaliza, desde já, o que será a “mídia técnica” no próximo governo. Programas populares do circuito alternativo à Rede Globo, a exemplo de Ratinho ou Luciana Gimenez, serão tratados como prioridade para a exposição do Capitão. Em 2019, vai ter mais Bolsonaro na TV do que se imagina.

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14.11.18
ED. 5994

Fast track

A equipe de infraestrutura de Jair Bolsonaro, à frente o general Oswaldo Ferreira, pretende destravar a renovação da licença da Malha Paulista, leia-se Cosan, no primeiro trimestre de 2019. O pedido ricocheteia na ANTT, no Ministério dos Transportes e no TCU há mais de um ano. Junto com ele um programa de investimentos de R$ 5 bilhões.

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14.11.18
ED. 5994

Mubadala nos trilhos

Representantes do Mubadala teriam se reunido com assessores de Jair Bolsonaro manifestando o interesse em investir em concessões de transportes no Brasil. Na mira, notadamente ferrovias. O fundo de Abu Dhabi, não custa lembrar, tentou comprar a Invepar, dona, entre outros negócios, do Metrô no Rio.

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14.11.18
ED. 5994

O conveniente trade off de Bolsonaro

Jair Bolsonaro está aprendendo a jogar o jogo contra as oligarquias. Quando os lobbies pela restauração ou ampliação de benefícios fiscais o emparedam, lança mão de um programa social de última geração. É um ou é outro. Foi assim com o programa creche universal. Colocou na mesa o trade off: menos dinheiro barato do governo para os empresários e sua acumulação de capital em troca de atendimento de crianças até três anos em creches públicas. Com a reforma da Previdência, já pretende lançar como contrapartida do empresariado o décimo terceiro do Bolsa Família, renda mínima, isenção do salário mínimo para faixas mais baixas. Bolsonaro tem dado um nó em muita cobra velha.

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13.11.18
ED. 5993

Programa de satélites brasileiro vai para o espaço por falta de verbas

Uma herança incandescente da era Temer vai cair feito um meteorito no colo do futuro ministro da Ciência e Tecnologia, o efêmero astronauta Marcos Pontes. O programa de satélites do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) está fora de órbita, com graves restrições orçamentárias e atrasos no cronograma. Sem recursos, o INPE não conseguirá lançar ainda neste ano o Amazônia (SAR), fundamental para o monitoramento e combate ao desmatamento da Região Amazônica.

Trata-se do primeiro satélite integralmente produzido no país, mas o que era para ser motivo de celebração e orgulho se tornou um símbolo das mazelas do programa e da penúria que atinge o INPE. Também pela escassez orçamentária, o INPE tem postergado o lançamento do CBERS-4A. Sua entrada em órbita, prevista para dezembro deste ano, já teria sido empurrada para maio de 2019. Na própria estatal, no entanto, a expectativa é de que o equipamento só sairá do chão no último trimestre do ano que vem, portanto quase um ano após a previsão original.

Ressalte-se que o atraso se acentuou, mesmo com a transferência do lançamento para a China – o sistema CBER foi desenvolvido em parceria com o país asiático. Neste caso, há um agravate em particular: produzido ao custo de US$ 120 milhões, o CBERS-4A foi concebido para substituir sua versão anterior, o CBER-4, cuja vida útil se extinguiu no fim do ano passado. Ou seja: neste momento, há um ponto cego no monitoramento do setor agrícola. O sistema CBER tem um papel relevante na vigilância de plantações brasileiras e no envio de informações para pesquisadores, dados que são decodificados, mastigados e ajudam a aumentar a produtividade rural.

O governo Temer mandou o INPE para alguma galáxia distante. Com exíguos R$ 40 milhões para atravessar todo o ano de 2018, a estatal recebeu a menor verba em mais de uma década. Nem mesmo a previsão do tempo resistiu à tempestade financeira do INPE. No ano passado, o Tupã, o supercomputador que processa os dados meteorológicos de todo o país, teria parado de funcionar por alguns dias por falhas de manutenção. Caberá a Marcos Pontes, com sua alardeada proximidade do Capitão Bolsonaro, arrancar do Tesouro recursos para acelerar os projetos do INPE.

Curiosamente, ao menos em tese, era para o Instituto ter tudo, menos um big bang orçamentário. O programa de recepção, distribuição e uso de imagens de sensoriamento remoto da estatal conta com verba do Fundo Amazônia. Este, por sua vez, tem na Noruega um de seus principais contribuintes. O governo do país europeu chegou a disponibilizar cerca de US$ 1 bilhão para programas de controle desmatamento no Brasil. Uma parte destes recursos iria justamente para deslanchar o monitoramento por satélites. No entanto, os noruegueses suspenderam uma parcela dos repasses devido a falhas na política do governo brasileiro para a área de meio ambiente.

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13.11.18
ED. 5993

Bolsonaro não se esquece do Supremo

Jair Bolsonaro ainda não desistiu de ampliar a Corte do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro chegou a declarar que passaria dos atuais 11 para 21 ministros. A ideia de aumento continua na pauta, mas o número vai ser bem menor. Com três ou quatro juízes adicionais, o presidente eleito já consegue diluir em parte o Supremo. Isso sem contar com o Fator Moro. Um ministro da Justiça com tantos poderes de escuta, Inteligência e espionagem, por si só, embaça o vedetismo do STF. Se há algo que Bolsonaro jurou é que não será uma marionete nas mãos dos mandarins do Supremo. Está cumprindo a promessa.

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13.11.18
ED. 5993

Um combustível para o conteúdo local?

Diante da intenção de Jair Bolsonaro de reduzir a exigência de conteúdo local na área de óleo e gás, um dado curioso: fabricada integralmente no Brasil, a plataforma P-66 tornou-se neste mês a maior produtora do pré-sal, batendo as marcas de 148,3 mil barris de petróleo e seis milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Por sua vez, a P-67, concluída no estaleiro Modec, da China, só deverá entrar em operação no fim de dezembro, um ano e meio depois do que previa o cronograma original da Petrobras. O equipamento chegou ao Brasil com problemas no flare (mecanismo de queima de gases e líquidos eliminados durante o processo de exploração) e no sistema de ancoragem. Estima-se que o atraso no início das atividades da P-67 tenha representado um prejuízo de aproximadamente R$ 5 bilhões para a Petrobras. Procurada, a estatal confirmou que a plataforma está sendo deslocada para o Campo de Lula e iniciará suas atividades ainda neste ano. Sobre o valor das perdas, com a P-67, a companhia diz “não ter essa informação”.

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13.11.18
ED. 5993

O avatar de Bolsonaro

O empenho de João Doria em mimetizar o governo Bolsonaro deve abrir caminho para Janaina Paschoal (PSL) assumir a presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo. O senador eleito Major Olímpio articula o apoio de Doria e da bancada tucana à candidatura da musa do impeachment para o comando da Casa. Aliás, os ventos paulistas mudaram de direção. Antigo desafeto de Doria, Major Olímpio aproximou-se do governo eleito desde o segundo turno das eleições.

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13.11.18
ED. 5993

Colheita de votos

A deputada Tereza Cristina recebeu uma dupla missão no governo Bolsonaro. Além de assumir o Ministério da Agricultura, foi escalada por Onyx Lorenzoni para ajudar na articulação política e assegurar o apoio da bancada ruralista à aprovação da reforma da Previdência. Seja qual reforma for.

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13.11.18
ED. 5993

Divertimento

Assessores de Jair Bolsonaro se divertiam ontem com a boutade de que, após indicar Maitê Proença para o Meio Ambiente, Paulo Marinho vai emplacar Odile Rubirosa no Ministério da Saúde. Odile sempre teve uma enorme saúde.

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13.11.18
ED. 5993

O “candidato” do Capitão

O deputado, delegado e pastor João Campos (PRB-GO) tem dito a quem quiser ouvir que Jair Bolsonaro “simpatiza” com a sua candidatura à Presidência da Câmara. Só de usar o nome do Capitão, já é carta incinerada no baralho.

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12.11.18
ED. 5992

“MP da Sede” deixa prefeitos e governadores de garganta seca

A manifesta decisão de Jair Bolsonaro de extinguir o Ministério das Cidades serve como pano de fundo para uma disputa pelos recursos destinados à área de saneamento. O ponto central é a possível mudança no marco legal do setor. Segundo o RR apurou, um grupo de prefeitos e governadores – entre os quais os petistas Rui Costa (Bahia) e Camilo Santana (Ceará) – solicitou a Bolsonaro que ele e sua equipe de transição trabalhem para derrubar a Medida Provisória 744. Do lado oposto, investidores privados desaguaram na Câmara e no Senado com uma intensa operação de lobby a favor da medida. O duelo é apimentado justamente pelo fim da Pasta das Cidades, hoje responsável pela gestão e liberação de recursos para o setor. A proposta – apelidada de “MP da Sede” – estipula que os municípios assumam as licitações para projetos de saneamento, esvaziando o poder das concessões estaduais. Dito desta maneira, até soa estranho que os alcaides estejam contra a medida. No entanto, as prefeituras fazem coro com os governadores por enxergar uma pegadinha no texto, que teria sido feito sob medida para os grandes grupos privados. O entendimento é que apenas as maiores cidades serão beneficiadas com o novo marco legal, justamente as que despertam o interesse dos investidores. Governadores e prefeitos fazem pressão para que o projeto não seja votado antes de 19 de novembro. A partir desse dia, a MP perde validade e o assunto volta à estaca zero.

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12.11.18
ED. 5992

Vale na mira do Capitão

Há uma tese sendo defendida na banca de doutorado do governo Bolsonaro. A gestão da Vale deve ser profissional e independente, e seus quadros, altamente capacitados. Mas isso não exclui um maior alinhamento com o governo. Ou, melhor dizendo, uma identificação direta com a tropa de Bolsonaro.

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12.11.18
ED. 5992

As últimas ligações da Telebras

O ministro Gilberto Kassab – um pêndulo entre o governo Temer e o governo Bolsonaro dado o seu desabrido apoio ao Capitão – tem feito pregação pela sobrevivência da Telebras. Mais do que isso: trabalha também pela permanência de Jarbas Valente na presidência da estatal. Seria como se o próprio Kassab estivesse na Telebras.

Do outro lado, no entanto, a avaliação sobre a Telebras é inclemente. A própria performance financeira da empresa tem sido usada pela equipe de transição de Jair Bolsonaro como um dos argumentos mais fortes para a sua extinção. A companhia vem operando com um déficit mensal da ordem de R$ 20 milhões. Em tempo: os dois principais projetos da Telebras já têm seu destino traçado caso se confirme o fim da empresa. O plano nacional de banda larga ficaria pendurado no Ministério da Ciência e Tecnologia/Comunicação; já a gestão do satélite geoestacionário iria para a Pasta da Defesa.

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12.11.18
ED. 5992

Plano de saúde

Afastado da Câmara desde o atentado de 6 de setembro, Jair Bolsonaro continuará recebendo salário da Casa até fevereiro. Para não perder o benefício, ele apresentou um atestado médico.

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08.11.18
ED. 5990

General Heleno amplia o raio de ação do GSI

A julgar pelas missões desempenhadas pelo general Augusto Heleno na equipe de transição, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) terá um perímetro mais amplo de atuação e representatividade no governo Bolsonaro. Na última quinta-feira, Heleno teve uma reunião a portas fechadas com executivos da indústria siderúrgica no Hotel Hilton, no Rio de Janeiro. Segundo o RR apurou, a questão China dominou o encontro. Representantes da CSN, Gerdau, Arcelor Mittal e Usiminas, entre outras menos votadas, bateram na tecla dos estragos que a crescente entrada do aço chinês no Brasil tem causado à indústria nacional.

Ao longo de 2017, a participação do insumo importado no mercado brasileiro subiu de 8% para 13%. Estima-se que este índice feche 2018 acima dos 15%. O produto oriundo do país asiático responde por mais de 50% das importações. Resultado: a ociosidade do parque siderúrgico brasileiro já passa dos 30%: são 34 milhões de toneladas de aço produzido para uma capacidade instalada próxima dos 52 milhões de toneladas. O general Heleno saiu do encontro devidamente municiado de números e mais números. Os executivos chamaram especial atenção para os mais de 12 mil postos de trabalho fechados nos últimos quatro anos.

De acordo com a fonte do RR, as palavras “protecionismo” e “barreiras” não foram pronunciadas durante a reunião reservada. Nem seria preciso. No discurso dos siderurgistas está mais do que subtendido de que vai ser difícil segurar a concorrência com o aço chinês sem sobretaxas. Até porque a China deve intensificar sua investida sobre o mercado brasileiro diante das crescentes restrições alfandegárias impostas pela Europa e, sobretudo, por Donald Trump, nos Estados Unidos. A questão tributária tem sido alvo de embates entre a siderurgia e o governo Temer. Em maio, a Camex adiou por um ano a imposição de tarifas ao aço chinês por considerar o atual regime de “interesse público”, tendo em vista o aumento dos preços e a crise econômica no país.

Em parte, significa dizer que o lobby das montadoras e da indústria de eletrodomésticos, entre outros setores intensivos em aço, foi mais bem-sucedido. Os siderurgistas sabem que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, é contrário, por definição, a tarifas protecionistas a qualquer setor da economia. Portanto, as barreiras alfandegárias serão poucas para muitos pedintes. Os empresários do aço sabem que o general Heleno será o contraponto de Guedes no Palácio do Planalto.

Trata-se de um oficial especializado em assuntos estratégicos, cuja visão dos interesses do Estado vai além da simples aritmética sobre as vantagens de um setor ou outro da indústria. Seu horizonte de atuação institucional alcançará o aconselhamento sobre os países-chaves nas relações comerciais e de segurança. A China é um deles. Há poucos dias, Heleno pediu a Bolsonaro que fosse mais manso em suas declarações sobre o país asiático. Pequim também está atenta a essa movimentação. O em-baixador da China no Brasil fez uma visita em caráter extraordinário ao Capitão Bolsonaro, em sua residência, na Barra da Tijuca. Ou seja: bem antes de se aproximar o quinto mês do governo Bolsonaro, data prevista para a Camex reavaliar a questão, as reivindicações da indústria siderúrgica estão subindo de decibéis.

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07.11.18
ED. 5989

Rússia mobiliza bancada ruralista

O futuro ministro da Agricultura sequer foi escolhido, mas já tem sua missão nº 1. Os líderes da Frente Parlamentar da Agricultura fecharam um acordo com Jair Bolsonaro para que o novo titular da Pasta vá à Rússia em caráter de urgência logo no início do mandato. Caberá a ele buscar uma solução definitiva para o embargo daquele país às carnes bovina e suína brasileira. O atual ministro, Blairo Maggi, falhou. Depois de 10 meses de pleno bloqueio, os russos reabriram as importações, mas de maneira quase pró-forma. Apenas nove frigoríficos brasileiros foram autorizados pelo governo Putin a retomar os embarques. Antes do embargo, eram 48. Ou seja: o risco social ainda é grande. Bolsonaro convive, desde já, com a ameaça de iniciar seu mandato em meio a uma nova temporada de demissões no setor. Em 2018, mais de 2,5 mil postos de trabalho foram fechados, a maior parte em razão da suspensão das vendas para a Rússia.

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07.11.18
ED. 5989

Paulo Guedes ensaia sua lua de fel com a indústria

Há três hipóteses perambulando na avenida da indústria brasileira. A primeira delas é o ministro da Economia, Paulo Guedes, conseguir se impor junto aos empresários e retirar barreiras às importações, cortar subsídios, reduzir o BNDES e esvaziar as entidades do setor. A segunda: Guedes tenta, tenta, há uma forte reação dos industriais, e ele não leva. Finalmente, a terceira e mais provável: Guedes fica soltando seus balões de ensaio e Jair Bolsonaro vai furando um por um. Em todas as alternativas, é previsto o conflito entre o ministro e o setor. Guedes não tem a menor afeição aos industriais. A recíproca também é verdadeira. O economista declarou em outras oportunidades que o sumiço de certos setores da indústria seria bom para o país. Assim, segmentos sem vantagem competitiva estrutural, como o têxtil, moveleiro, calçados e brinquedos, só para citar alguns, poderiam muito bem desaparecer. Guedes acha que são os empresários acostumados aos favores do Estado que tornam a indústria ineficiente. Os industriais consideram o contrário: não há concorrência possível se os fundamentos são assimétricos. Juros, tributos, infraestrutura, custo do trabalho, o Brasil perde em todas na comparação com o exterior. A briga é boa. Um “desindustrialista” contra empresários industriais, em período no qual a participação do setor no PIB desaba.

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07.11.18
ED. 5989

Amélia não tinha a menor vaidade…

Ontem, a senadora Ana Amélia (PP-RS) surgiu com força na lista de ministeriáveis de Jair Bolsonaro. Seu nome vem sendo ventilado para o que já é chamado de “Ministério da Família”, que juntará as Pastas do Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Candidata a vice na chapa de Geraldo Alckmin, Ana Amélia ajudaria a cumprir a “cota” feminina no Gabinete do Capitão. Neste caso, Bolsonaro teria de buscar outra cadeira para o aliado e amigo Magno Malta, cotado para o mesmo cargo.

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07.11.18
ED. 5989

Os sentinelas de Bolsonaro

Os quatro senadores eleitos pelo PSL, de Jair BolsonaroFlávio Bolsonaro (RJ), Major Olímpio (SP), Juíza Selma Arruda (MT) e Soraya Thronicke (MS) – vão se reunir pela primeira vez, hoje, em Brasília. O objetivo é discutir a estratégia da bancada para a disputa da mesa diretora da Casa. Nos primeiros contatos por WhatsApp, segundo o RR apurou, o quarteto definiu veto “total” à eleição de Renan Calheiros para a Presidência do Senado. Mas tudo pode mudar: o dono da palavra final, o próprio Bolsonaro, não faz parte do animado grupo de conversas pelo celular.

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07.11.18
ED. 5989

Contentamento

O empresário Flavio Rocha, que chegou a almejar um assento de primeira classe no Ministério de Jair Bolsonaro, já se contenta com um bilhete de econômica para o secretariado de João Doria.

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06.11.18
ED. 5988

Bolsonaro planeja “golden share fundiária” para destravar venda de terras a estrangeiros

Enquanto se debate a polêmica fusão entre os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, o futuro governo vai passando o rodo nos assuntos fundiários, antiga pasta da Reforma Agrária. A gestão da área será transferida integralmente para o Ministério da Agricultura. Há planos ambiciosos para o setor. A ideia na equipe de Jair Bolsonaro é resolver o imbróglio da compra de terras por estrangeiros, favorecendo o crescimento da produção agrícola. Quem comprasse os latifúndios seria obrigado a cumprir determinada meta de hectares plantados. Seria uma espécie de “golden share fundiária”. A medida, em tese, permitiria um aumento do agronegócio, notadamente das exportações de commodities. Contribuiria também para os planos do guru Paulo Guedes de fazer uma varredura nos ativos da União que podem ser vendidos ou securitizados para o abatimento da dívida pública. Com um novo ordenamento jurídico mais firme, as terras ganhariam maior liquidez e poderiam ser incorporadas, junto com os imóveis do Estado, em um fundo similar à BNDESpar composto por esses ativos.

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05.11.18
ED. 5987

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político: Sérgio Moro é Sérgio Moro

Só digo uma coisa aos que acham que o juiz Sérgio Moro será garantia de estado de direito no governo Bolsonaro: Moro não é Luís Roberto Barroso. Sérgio Moro parece conservador de quatro costados, ao passo que Barroso é um “liberalão”. Isso significa que ele usará a sua criatividade doutrinária para chancelar medidas repressivas. Querendo entrar para o Supremo Tribunal Federal (STF), como quer, terá de amarrar sua sorte à do futuro presidente por mais de um ano e meio, até vagar o assento na Suprema Corte. A ver.

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01.11.18
ED. 5986

Sérgio Moro leva Bolsonaro a remontar o tabuleiro da Defesa e da Segurança Pública

O fator Sérgio Moro divide o mandato sobre a segurança pública na gestão de Jair Bolsonaro. O afã de conceder superpoderes ao juiz e, assim, atrai-lo para o governo pode acabar mudando os planos do presidente eleito de atribuir ao general Augusto Heleno o controle total sobre essa área. Segundo o RR apurou, o modelo originalmente concebido previa a fusão dos Ministérios da Defesa e da Segurança Pública, sob o comando do general Heleno.

No entanto, a ideia do convite a Moro surgiu transversalmente, exigindo novas adequações. Tirar a Polícia Federal da Segurança e passá-la para a Justiça faz sentido. Ainda que se possa ponderar sobre um possível efeito colateral: deixar a PF sob a batuta de Moro traria a reboque o risco de restringi-la às funções de braço policial de uma Lava Jato ampliada, agora não mais em Curitiba, mas em Brasília.

No entanto, deslocar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública) para o Ministério da Justiça desmontaria toda a concepção que vinha sendo estudada, esvaziando, antes mesmo do seu nascedouro, uma Pasta da Defesa com um perímetro de atuação ainda mais amplo. Ressalte-se que os dados ainda estão rolando e, por ora, nenhum dos modelos cogitados pode ser dado como decidido. Até mesmo em função do iminente aceite de Sérgio Moro, a equipe de Bolsonaro trabalha para encontrar uma divisão diplomática e operacionalmente lógica para a montagem deste puzzle ministerial. Esta questão passa pelo coração da campanha de Bolsonaro.

O combate à violência sempre esteve no epicentro da candidatura e do discurso do Capitão, sendo um dos pontos-chave para a sua eleição. No que depender do desejo do grupo de quatro estrelas que acompanha Bolsonaro, o general Heleno teria o comando central de todo o aparelho de Defesa e Segurança na esfera federal, englobando sob o mesmo guarda-chuva as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança, além dos respectivos serviços de Inteligência destas instituições e da própria Abin. A integração das Pastas da Defesa e da Segurança Pública é vista pelos próprios generais Hamilton Mourão e Augusto Heleno como um encaixe de maior nexo, seja pela afinidade das atribuições envolvidas, seja pela probabilidade de resultados mais eficazes.

A própria presença de Bolsonaro na Presidência da República reforça a ideia de aproximação entre as Forças Armadas e a segurança pública. Com a eleição do Capitão e de Wilson Witzel, que também fincou sua campanha no discurso do combate ao crime, a possibilidade de que a intervenção federal no Rio de Janeiro se estenda por 2019 já está dada. O próprio governador eleito anunciou que solicitará a manutenção do decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) por mais dez meses além do prazo original (dezembro), o que, no mínimo, representaria a permanência dos militares nas ruas do Rio até outubro do próximo ano.

Por esta linha de raciocínio, há ainda outro ponto importante: os elevados índices de criminalidade em grandes regiões metropolitanas do país aumentam as chances de que as Forças Armadas sejam convocadas para atuar na segurança em outras unidades da federação. Por outro lado, os cenários cruzados sobre os quais Bolsonaro e sua equipe trabalham também apontam para uma sinergia considerável caso a Segurança Pública fique na Pasta da Justiça. Moro passaria a comandar um sistema unificado de informações, contemplando também a Secretaria da Transparência e Combate à Corrupção, a CGU e o Coaf. Esta integração seria de grande serventia, por exemplo, para a asfixia do crime organizado. A solução para a equação sairá nos próximos dias. Sobre um ponto não há qualquer discussão no entorno de Bolsonaro: o general Heleno e Sérgio Moro são vistos como peças valiosas e imprescindíveis para o próximo governo.

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01.11.18
ED. 5986

Racha sindical

Os sensores psicossociais da equipe de Jair Bolsonaro estarão concentrados, hoje, em São Paulo. O Dieese convocou as centrais sindicais para uma reunião em sua sede, na capital paulista, a primeira após as eleições. Segundo o RR apurou, a CUT sinalizou que vai propor um Dia Nacional de Paralisação contra a reforma da Previdência. Parece que a entidade perdeu o juízo. Menos mal que deve ficar falando sozinha. De acordo com a fonte da newsletter, a ideia não encontra eco entre as demais centrais. A percepção geral é de que não existe qualquer clima para greve, notadamente na iniciativa privada. Não é de hoje. Segundo dados do próprio Dieese, das 94 mil horas de paralisações em 2017, o setor privado respondeu por apenas 33 mil horas.

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01.11.18
ED. 5986

A malha fina do Capitão Bolsonaro

A precaução de Jair Bolsonaro com o perfil ilibado dos futuros ministros alcançou a equipe de transição na área econômica. O rigor excluiu o economista Rubem de Freitas Novaes do time formado por Paulo Guedes. Em todas as listas até então, o nome de Novaes esteve presente como uma das primeiras opções de Guedes. As afinidades entre ambos são muitas. Novaes é doutor em economia pela Universidade de Chicago, verdadeira igreja para o futuro ministro da Economia. Ele também trabalhou no Banco Pactual, onde Guedes iniciou sua carreira como financista de prestígio. Foi esta passagem pelo banco que cassou o passaporte de Rubem Novaes para o governo de Bolsonaro. O economista foi citado em episódio de venda de informações do Banco Central. Na ocasião o Ministério Público chegou a pedir a quebra do seu sigilo telefônico. Nada ficou provado contra Novaes, mas Jair Bolsonaro já deixou claro que não formará seu governo por profissionais condenados ou mesmo suspeitos da prática de ilícitos

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01.11.18
ED. 5986

A hora do 5G

As operadoras de telefonia já trabalham junto ao entorno de Jair Bolsonaro para que o leilão da frequência 5G seja antecipado de 2020 para 2019. Sobre a mesa um pacote de investimentos da ordem de R$ 50 bilhões.

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01.11.18
ED. 5986

Custo caro

O uso da residência de Paulo Marinho, no Rio, como estúdio de televisão pode vir a custar caro a Jair Bolsonaro.

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31.10.18
ED. 5985

Bancada ruralista e lobby privado duelam pela Pasta da Agricultura

O Ministério da Agricultura – dono de um orçamento de R$ 12 bilhões e por onde passam quase 24% do PIB – desponta como uma das esferas de Poder mais disputadas do governo Bolsonaro. A novidade é a entrada na arena da indústria da agrociência, que duela com a bancada ruralista pela indicação do futuro titular da Pasta. Segundo o RR apurou, grandes companhias do setor teriam feito chegar a Bolsonaro os nomes de Laércio Giampani e Rodrigo Santos.

O primeiro deixou a presidência da subsidiária brasileira da Syngenta, uma das maiores fabricantes mundiais de sementes, em julho deste ano. Santos, por sua vez, é o todo poderoso CEO da divisão de CropScience da Bayer-Monsanto na América Latina. De acordo com a fonte do RR, as indicações teriam chegado por intermédio do deputado estadual eleito Frederico D ́Avila (PSL-SP), que durante a campanha serviu de ponte entre o Capitão e empresários e grupos da cadeia do agronegócio.

A eventual escolha de um destes dois nomes seria um sinal de que o governo Bolsonaro pretende dar ênfase à agrotecnologia em suas políticas para a área da Agricultura. Em contrapartida, poderia ser encarada também como uma influência excessiva de grandes multinacionais da cadeia do agronegócio na futura gestão da Pasta. Não custa lembrar que embaixo do Ministério da Agricultura estão a Embrapa e seu cobiçado banco de patentes estimado em mais de US$ 1 bilhão – noves fora seu valor intangível.

Do lado da bancada do agronegócio, o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan, que chegou a ser tido como favorito para o cargo, perdeu fôlego. De domingo para cá surgiram à mesa os nomes de Antonio Galvan, vice-presidente da Aprosoja, e do deputado Valdir Colatto (MDB-SC). Por sua vez, a Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) intensificou o lobby pela escolha de Luiz Carlos Heinze, eleito para o Senado pelo Rio Grande do Sul.

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31.10.18
ED. 5985

Quatro rodas

As montadoras convidaram Jair Bolsonaro para o Salão do Automóvel, na próxima semana. Sua presença seria um sinal de apoio do futuro presidente ao Rota 2030, novo regime para o setor automotivo, que deverá ser anunciado pelo “coadjuvante” Michel Temer na abertura do evento. Em tempo: o Rota 2030 não combina nada com Paulo Guedes.

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30.10.18
ED. 5984

Bolsonaro pretende alistar as Forças Armadas na reforma da Previdência

Jair Bolsonaro e Paulo Guedes poderão surpreender os mercados com o anúncio da realização da reforma da Previdência dos militares. Até então esta hipótese, se não des- cartada, quando muito era colocada em um horizonte de médio e longo prazos – o próprio governo Temer decidiu passar ao largo da questão. Aideia de Bolsonaro e de seu ministro é divulgar simultaneamente a execução das duas reformas, uma para a seguridade social dos civis e outra para a das Forças Armadas – cada projeto com as devidas adaptações que cabem aos respectivos regimes previdenciários.

As duas reformas seriam anunciadas e levadas à votação no Congresso logo no início do mandato, como um cartão de visitas de alto impacto do governo Bolsonaro. O duplo anúncio teria um efeito estupendo sobre a economia e os mercados. A aposta no entorno de Bolsonaro é que a divulgação da reforma da Previdência dos militares mexeria ainda mais com as expectativas devido à mensagem emblemática que ela traria a reboque: as Forças Armadas se apresentariam dando a sua cota de sacrifício para o equilíbrio das contas públicas e o desenvolvimento econômico. O próprio General Hamilton Mourão, vice-presidente eleito, já se declarou favorável à reforma da Previdência dos militares. Olhando-se friamente para os números, a proposta é mais do que justificável.

Exército, Aeronáutica e Marinha têm um impacto 16 vezes maior no rombo da Previdência do que os beneficiários do INSS. No ano passado, em média o déficit per capita dos integrantes das Forças Armadas foi de R$ 99,4 mil, contra R$ 6,25 mil da seguridade social. No entanto, esta é uma questão complexa, que vai além das cifras. A reestruturação do sistema previdenciário dos militares mexe não apenas com direitos adquiridos, mas, sobretudo, com um senso de
justiça e merecimento que cerca o regime especial de aposentadoria das Forças Armadas. Esta separação está
longe de ser uma jabuticaba.

A maior parte dos países adota sistemas de proteção social distintos para militares e civis. Contam-se nos dedos as nações que uniformizaram suas previdências, entre elas Japão, Bulgária, Luxemburgo e Kuwait. A manutenção de um sistema previdenciário próprio para Exército, Aeronáutica e Marinha se apoia em importantes premissas, ressaltadas em minucioso estudo elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Especificidades da própria natureza do serviço militar justificam a seguridade social em separado: as Forças Armadas desempenham funções exclusivas do Estado, como a defesa nacional e as ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO); não recebem tratamento privilegiado, mas, sim, compatível com os deveres exigidos.

Além disso, mudanças prejudicariam a “atratividade da carreira e a retenção de profissionais”. Adicione-se que os militares não usufruem de direitos trabalhistas de caráter universal; não se trata de um serviço público convencional – à categoria, por exemplo, é vetado o direito de greve. Os integrantes das Forças Armadas tampouco recebem hora extra e adicional noturno: se tivessem estes direitos, a estimativa é que sua remuneração seria algo em torno de 115% maior. É importante que não se compreenda este movimento como uma sinalização de que o futuro governo pretende equiparar militares e civis. Pelo contrário: Jair Bolsonaro pretende respeitar ao máximo as particularidades do serviço militar na reforma da Previdência. Mesmo porque, como já sinalizado, a gestão Bolsonaro dará uma atenção e um status especial às Forças Armadas, com a participação direta do estamento não só em cargos, casos dos generais Mourão e Augusto Heleno, mas na formulação e execução de políticas públicas para áreas fulcrais, como infraestrutura e tecnologia.

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30.10.18
ED. 5984

Holofotes sobre o FAT

O orçamento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em 2019 vai monopolizar a próxima reunião do Conselho de Desenvolvimento do FAT, marcada 5 de novembro. O tema ganhou ainda mais relevância com as declarações de Paulo Guedes, futuro ministro do Fazenda de Jair Bolsonaro. Ao pregar a desoneração da folha de pagamento, Guedes admitiu mexer no abono salarial, hoje pago a 23,6 milhões de pessoas. Por sinal, no dia seguinte à reunião, o BNDES fará um seminário em sua sede para comemorar os 30 anos da Constituição Federal e seu artigo 239, que destinou a arrecadação do PIS-PASEP para o financiamento do seguro-desemprego e do abono salarial.

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30.10.18
ED. 5984

Bolsonaro apaga o fogo do PSL

Jair Bolsonaro enquadrou a bancada do PSL. À exceção de Eduardo Bolsonaro, que não conta, os 52 deputados do partido estão desautorizados a negociar cargos no futuro governo. Isso vale até mesmo para posições no próprio Legislativo. A autocampanha promovida pela deputada eleita Joice Hasselmann para assumir a liderança do governo na Câmara já foi desarmada. O nome para a função será discutido diretamente por Bolsonaro com o virtual ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Na mesma linha, o Capitão desarticulou a indicação de Beatriz Kicis, procuradora do Ministério Público Federal-DF e eleita deputada federal, para a presidência da poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

O PSL já se credencia como o grande consolidador partidário pós-eleitoral. Gustavo Bebianno, que formalmente deixou a presidência do partido ontem, desembarca em Brasília nesta semana para reuniões com dirigentes do PTC, Patriotas e PMN. As três siglas não alcançaram a cláusula de barreiras e deverão se fundir ao PSL. Caso isso ocorra, a legenda de Bolsonaro ganhará o reforço de dez deputados.

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29.10.18
ED. 5983

Paulo Guedes incorpora Roberto Campos e prepara um cardápio de medidas para a posse

O futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, trabalha dia e noite com sua equipe para, tão logo Jair Bolsonaro tome posse, anunciar um grandioso programa de medidas. Guedes, segundo a fonte do RR, vai apresentar as ações imediatas e de médio e longo prazos. Muitas ações. Como tem uma verdadeira fixação em Roberto Campos, estaria se inspirando no ex-ministro em seu discurso de posse no Senado. Na ocasião, Campos anunciou nada mais, nada menos, do que 100 projetos de lei. Paulo Guedes talvez seja o mais ferrenho discípulo, no Brasil, das teorias dos economistas Robert Lucas Jr. e Thomas Sargent, apóstolos da teoria das expectativas racionais. Não quer deixar um fiapo de tempo para que os operadores do mercado iniciem suas especulações. Vai trabalhar as expectativas desde a primeira hora. O virtual ministro sabe disso porque, além de economista, conhece como se comportam as raposas da área financeira. E preparem-se para ver Guedes ocupando todos os espaços para argumentar. Ele é um dos economistas mais bem dotados de inteligência verbal do país. O RR tem críticas de sobra a atitudes de Guedes em sua trajetória, mas duvida e dobra a aposta quando dizem que ele não aguentará o tranco ou sairá choramingando logo que um dos quatro estrelas de Bolsonaro apertá-lo. Paulo Guedes se preparou a vida toda para esse momento. Quanto maior o desafio maior o seu estímulo. Seu ego é maior do que o de Bolsonaro.

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29.10.18
ED. 5983

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político – Os primeiros alvos do governo Bolsonaro

Os últimos acontecimentos, relativos às ações da polícia nas universidades a título de reprimir manifestações contrárias ao autoritarismo, com a complacência do Executivo e do Legislativo e a reprovação do Supremo e da Procuradoria Geral da República, simplesmente prenunciam os movimentos que se verificarão no ano que vem. Executivo e Legislativo “conservadores” avançarão sobre as universidades, vistas como último bastião do “socialismo”, e sobre o Judiciário, último bastião do “liberalismo”. Assim como, aos olhos da esquerda, liberais e conservadores são todos “direita”, aos olhos da direita, socialistas e liberais são todos “esquerda”. Resultado involuntário da “Revolução Judiciarista” que, a título de purgar o país da corrupção da esquerda em nome de valores liberais e republicanos, parece tê-lo atirado nos braços dos conservadores e alguns fascistas.

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26.10.18
ED. 5982

Sondagem RR – Pena de morte e liberação da posse de armas são prioridades máximas na segurança

É compreensível a liderança de Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais diante do conservadorismo da sociedade brasileira, notadamente no que diz respeito à segurança pública. Parte expressiva da população apoia o uso de ações mais duras contra o crime, a exemplo da pena de morte e da liberação da posse de armas, que estão na base da pregação histórica de Bolsonaro. É o que revela sondagem realizada pelo Relatório Reservado em seis capitais de todas as regiões do país – Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Salvador e Manaus – publicada nesta edição especial que antecede o segundo turno da eleição à Presidência da República. O RR consultou 800 pessoas com a seguinte questão: “Classifique o grau de prioridade (Máxima, Média, Mínima ou Nenhuma) das medidas a seguir para o combate à violência”. Entre as 15 propostas apresentadas aos entrevistados, ficou patente o desejo da população pela instituição da pena de morte: 49% disseram que esta é uma ação de prioridade máxima. Outros 23% responderam média. Para 8%, trata-se de uma medida de urgência mínima.

Há, ressalte-se, uma parcela significativa contrária à punição radical: 20% afirmaram que a medida não tem prioridade nenhuma. Entre os presidenciáveis, Bolsonaro é o único que prega abertamente a pena de morte, assim como a prisão perpétua. Da mesma forma, sua defesa intransigente da liberação das armas também encontra eco na opinião pública. Entre os consultados, 61% afirmaram que esta é uma decisão de prioridade máxima para o combate ao crime, ao passo que 22% classificam a medida como de média urgência.

Entre os entrevistados, 2% e 15% tratam a autorização para a posse de armas como algo, respectivamente, de mínima ou de nenhuma importância para a redução da criminalidade. Outra medida severa e igualmente polêmica também conta com a aprovação da maioria da população. Respectivamente 51% e 32% consideram a redução da maioridade penal prioridade máxima ou média. Para 10%, a necessidade de mudança na lei é mínima, ao passo que 7% não enxergam qualquer impacto da medida sobre o combate à violência. Bolsonaro venceu mais uma vez.

O candidato apregoa a proposta e já deixou claro reiteradas vezes que trabalhará para baixar o sarrafo da punibilidade de 18 para 16 anos. Para isso, é necessário alterar o artigo 228 da Constituição e o artigo 27 do Código Penal, que dizem que menores de 18 anos são “penalmente inimputáveis” e estão sujeitos às normas de legislação especial. Parte do caminho já foi percorrida. Em 2015, a Câmara aprovou a PEC 171, de autoria do agora ex-deputado Benedito Domingos (DF), diminuindo a maioridade penal para 16 anos. O texto diz que a partir desta idade o jovem pode ser responsabilizado penalmente por crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. A PEC foi encaminhada ao Senado para ser votada na Comissão de Constituição e Justiça e, posteriormente, no plenário da Casa.

Intervenções militares
A enquete mostra o apoio da população a uma medida que foi trazida para o centro da questão da segurança pública neste ano: a intervenção federal no Rio de Janeiro. Entre os consultados, 78% classificam como urgência máxima que o expediente seja estendido para outros estados. A resposta reflete a confiança da sociedade em relação ao estamento militar e reforça a percepção de que, para a opinião pública, a solução da grave crise na segurança passa pelas Forças Armadas. Há ainda 10% que consideram a ação de prioridade média.

Apenas 6% apontam a possibilidade de intervenção em outras unidades da federação como de necessidade mínima, mesmo percentual dos que não enxergam nenhuma pressa na proposta. Haddad já se mostrou reiteradamente contra a intervenção militar. O petista propõe a substituição das Forças Armadas por policiais federais, com o argumento de que o apoio aos governos estaduais no combate ao crime deve ser feito por uma força policial civil. Bolsonaro é adepto da medida, mas com uma ressalva ao melhor estilo Bolsonaro.

Diz que uma intervenção militar não pode ser “branda” como a do Rio e usa como referência o Haiti: “Lá, o militar podia atirar! E aqui?” Em fevereiro deste ano, inclusive, durante uma das repetidas guerras de quadrilhas da Rocinha, no Rio, o candidato do PSL disparou sua solução: “Eu daria um prazo para que os bandidos saíssem da favela. Caso ficassem, metralharia o local”. Se a população quer mais intervenções, o mesmo não se pode dizer de outra experiência que teve o Rio de Janeiro como lócus. Se, um dia, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), uma criação do governo Sergio Cabral, pareciam ser, enfim, a solução adequada para escorraçar quadrilhas criminosas, hoje o modelo caiu em descrédito. Perguntados sobre a adoção de UPPs em todo o Brasil, apenas 6% entendem que a medida tem urgência máxima. Para 26%, trata-se de uma ação de prioridade média. Outros 14% consideram a proposta de necessidade mínima. A maior parte, contudo, 54%, acredita que a instalação de UPPs em outros estados não tem importância alguma no pacote para a área de segurança pública caso venha a ser proposta pelo próximo governo.

Descriminalização das drogas

O conservadorismo manifestado na iminente eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República se reflete também na opinião da população quanto à descriminalização das drogas como forma de combate ao crime – uma pauta mais afeita ao campo da esquerda. Entre os entrevistados pelo RR, 41% entendem que a proposta nada tem de prioritária. Para 28%, sua importância é mínima. Apenas 14% e 17%, respectivamente, consideram a medida como de prioridade média ou máxima para o equacionamento da grave crise da segurança pública no Brasil. A questão é tão controversa que o próprio Haddad tirou a proposta de descriminalização das drogas do seu programa de governo na campanha do segundo turno.

Crime organizado
O discurso duro contra a violência, que permitiu a Bolsonaro chegar a dois dias da eleição com meio corpo dentro do Palácio do Planalto, se reflete também no clamor por ações mais contundentes contra o crime organizado. Perguntados sobre a necessidade de um combate radical a facções criminosas, 67% responderam se tratar de uma prioridade máxima do próximo governo. Para 20%, esta é uma ação de premência média. Dos entrevistados, 12% classificaram a medida como de prioridade mínima.

E um índice irrisório de apenas 1% afirmou que não há razão na providência. Mais uma vez, ponto para o Capitão, que se apropriou como nenhum outro candidato do tema da segurança pública e, mais especificamente, do discurso agressivo contra criminosos. No Google, por exemplo, há 249 mil menções a “Jair Bolsonaro e crime organizado”; no caso de Haddad, seu concorrente, a mesma busca aponta menos da metade destes resultados: cerca de 114 mil. Sempre que pode, Bolsonaro e seu entorno trazem este assunto para o epicentro da campanha.

Na última quarta-feira, o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, disse que “o crime organizado aceita qualquer candidato, menos Jair Bolsonaro”. Embora exista a percepção de que toda a cadeia do crime organizado passa ou até mesmo começa na entrada de drogas e armas no país, curiosamente o reforço do patrulhamento das fronteiras não é apontado como uma questão a ser emergencialmente atacada pelo novo presidente da República. Apenas 9% dos entrevistados pelo RR disseram que esta é uma medida de prioridade máxima.

Em contrapartida, 60% afirmaram que não existe nenhuma urgência em se intensificar o monitoramento das fronteiras. Talvez esta parcela da população entenda que toda a energia deve ser concentrada, no curtíssimo prazo, no combate à violência nas áreas urbanas. Outros 19% consideram a medida de prioridade média, enquanto 12% responderam que esta é uma providência de urgência mínima. Não obstante o apoio à liberação da posse, a abertura do mercado brasileiro a fabricantes estrangeiros de armas não é tratada como uma medida prioritária, ainda que ela possa trazera reboque a ideia de um melhor aparelhamento das forças policiais.

Entre as 800 pessoas consultadas pelo RR, 68% disseram que a entrada de indústrias internacionais de armamentos e munição no país não tem prioridade alguma para o combate à violência. Outros 19% apontaram esta ação como de importância mínima. Somente 9% entendem a proposta como algo de relevância média para a segurança. E menos pessoas ainda, apenas 4%, classificaram a medida como de prioridade máxima.

Colégios militares
Verdade seja dita, nem todas as propostas de Jair Bolsonaro que tangenciam o combate ao crime encontram guarida na opinião pública. É o caso, por exemplo, da ideia de construção de colégios militares em comunidades, que perpassa tanto a educação quanto a área de segurança pública. A maioria esmagadora (70%) não vê qualquer senso de urgência na medida. Outros 13% consideram o expediente de prioridade mínima, ao passo que 14% responderam “prioridade média”.

Apenas 3% afirmaram que fincar escolas militares em comunidades é uma decisão de necessidade máxima para a melhoria da segurança pública. Em contrapartida, investimentos em educação, não necessariamente um ensino militar, são, sim, percebidos como ações importantes no curto prazo para a redução dos índices de violência. Para 52% dos entrevistados, esta é uma medida de premência máxima. Outros 32% classificam como uma providência de prioridade média.

Na opinião de 10% dos consultados, no horizonte imediato, esta é uma ação de necessidade mínima. Por fim, 6% não reconhecem na maior alocação de investimentos em educação um instrumento de mitigação do crime. polícias. Em 2015, a Câmara dos Deputados criou uma Comissão Especial de Estudo sobre a matéria. O grupo encerrou seus trabalhos em julho deste ano com uma série de proposições para a execução do projeto, incluindo a criação de um plano de carreiras único para os policiais. No entanto, com a composição da próxima legislatura e a crescente presença de representantes das polícias militares no Congresso, é pouco provável que a proposta avance. Eduardo Bolsonaro, filho do Capitão e reeleito como o deputado federal mais votado da história, é um crítico contumaz da proposta. Costuma dizer que a ideia vem dos grupos políticos que “defendem bandido”. Haddad não fez qualquer pronunciamento mais agudo em relação à integração das forças policiais nos estados. Pelo contrário. Nos remendos que fez para o segundo turno, o petista até mesmo tirou de seu programa de governo a proposta de desmilitarização da polícia.

Efetivo policial

O RR também ouviu a população acerca de duas medidas que costumam pontificar em qualquer receituário de candidatos para a área de segurança. Perguntados sobre a ampliação do contingente policial, 73% afirmaram que esta ação deve ser executada imediatamente. Outros 25% entabularam esta providência como de prioridade média. Os que consideram o aumento do efetivo das forças policiais algo de menor importância formam, como poderia se esperar, um universo residual.

Apenas 1% disse que esta medida é de prioridade mínima, mesmo índice dos que a classificaram como algo sem qualquer sentido de urgência. Ressalte-se que esta é uma questão complexa, de difícil efetivação, uma vez que a expansão dos contingentes das polícias militar e civil é atribuição dos governos estaduais, cada qual com realidades e condições financeiras distintas. Na mesma linha, o RR ouviu a população sobre a integração entre as polícias militar e civil.

Não chega a ser um tema que cause palpitação na opinião pública. Dos consultados, 33% afirmaram que não há qualquer prioridade nesta medida, enquanto outros 41% a classificaram como uma ação de urgência mínima. Apenas 7% entenderam que a integração das polícias no curto prazo é uma condição indispensável para o combate ao crime. Por fim, 19% dos entrevistados apontaram este expediente como de prioridade média.

Há, ressalte-se, cinco PECs em tramitação no Congresso que abordam a reestruturação das forças de segurança estaduais e a integração entre as duas polícias. Em 2015, a Câmara dos Deputados criou uma Comissão Especial de Estudo sobre a matéria. O grupo encerrou seus trabalhos em julho deste ano com uma série de proposições para a execução do projeto, incluindo a criação de um plano de carreiras único para os policiais. No entanto, com a composição da próxima legislatura e a crescente presença de representantes das polícias militares no Congresso, é pouco provável que a proposta avance. Eduardo Bolsonaro, filho do Capitão e reeleito como o deputado federal mais votado da história, é um crítico contumaz da proposta. Costuma dizer que a ideia vem dos grupos políticos que “defendem bandido”. Haddad não fez qualquer pronunciamento mais agudo em relação à integração das forças policiais nos estados. Pelo contrário. Nos remendos que fez para o segundo turno, o petista até mesmo tirou de seu programa de governo a proposta de desmilitarização da polícia.

Política carcerária
Por fim, o RR consultou a população sobre a relevância de novas políticas carcerárias para o enfrentamento do crime. A implementação de um programa nacional de construção de presídios foi apontada por 28% como algo que deve ser tratado pelo futuro presidente da República como prioridade absoluta. Exatamente a metade dos entrevistados classificou a ação como de emergência média. Outros 20% disseram que a medida tem peso mínimo no combate ao crime.

Somente 2% afirmaram que a proposta não tem qualquer grau de prioridade neste momento. Por sua vez, a privatização do sistema penitenciário está longe de ser uma pauta que sensibiliza o eleitorado e é percebida como uma ação que terá efeito prático na mitigação da criminalidade. Apenas 7% dos entrevistados cravaram a medida como de prioridade máxima, e outros 14%, como de prioridade média.

Para 52%, a entrega dos presídios a investidores privados tem importância mínima no contexto da segurança pública. Já 27% não veem qualquer necessidade de privatização do sistema carcerário neste momento. A situação carcerária é uma das variáveis mais dramáticas, pode-se dizer até desumanas, da equação da segurança pública no país. O índice de lotação nos presídios brasileiros é de 197%, ou seja, há praticamente dois detentos no espaço que deveria ser ocupado por apenas um.

Segundo estudos, zerar o déficit de vagas exigiria a construção de uma penitenciária por dia ao longo de um ano, considerando-se o gap em torno de 360 mil vagas. Em seu programa, Haddad prevê a criação de um Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária e de uma Política Nacional de Alternativas Penais. O petista defende ainda a implementação de uma Escola Penitenciária Nacional para capacitação de gestores de presídios, além de ações de reintegração social. Já Bolsonaro costuma tratar do tema com a crueza sincera que lhe é peculiar. Tem dito que a superlotação das cadeias é preocupação de quem está dentro e não fora da cela: “Não venham com essa historinha de que os presídios são cheios e não recuperam ninguém. Isso é problema de quem cometeu o crime…”

Sondagem
“Classifique o grau de prioridade (Máxima, Média, Mínima ou
Nenhuma) das medidas a seguir para o combate à violência”

Quem
800 entrevistados

Onde
Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Salvador e Manaus

Quando
Entre os dias 22 e 24 de outubro

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25.10.18
ED. 5981

Campanha tem seu vale-tudo final

O TSE está de olho nas redes nestes últimos dias da campanha eleitoral. A expectativa é que um tsunami varra a internet com propaganda dos dois candidatos. Os motivos de Haddad são óbvios: é avançar ou avançar. Ele está perdendo de goleada, mas a queda da sua rejeição, conforme as pesquisas, assim como o ânimo trazido com o exemplo Wilson Witzel no Rio –surpresas acontecem – induzem a um grande esforço na reta final. Bolsonaro, por sua vez, viu aumentar sua rejeição e a perspectiva de ter uma queda de votos em relação ao que as pesquisas apontaram nos últimos dez dias. O Capitão precisa de muito voto para fazer uma lasca do que tem prometido. Como são os últimos minutos de uma finalíssima, bola para o mato que o jogo é de campeonato. A fake news está “liberada”.

A reta final da campanha petista tem sido marcada por uma disputa em relação à estratégia de comunicação. De um lado, o ex ministro Franklin Martins, com a autoridade de quem esteve com Lula na semana passada; do outro, o marqueteiro Sidrônio Palmeira, ligado a Jaques Wagner. Ao seu estilo, Franklin defende o acirramento do confronto com Jair Bolsonaro. Chegou a propor até a volta do vermelho ao material de campanha. Já Sidrônio prega que Haddad dê mais ênfase às propostas para a economia e a área social. É uma queda de braço de dois perdedores.

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25.10.18
ED. 5981

Projeto de campanha

O empresário Luciano Hang abriu o cofre para ampliar a operação de e-commerce da Havan, demasiadamente concentrada nas lojas físicas. Os planos para 2019 incluem a criação de uma plataforma de marketplace. Não deixa de ser uma aposta de fé de Hang no iminente governo de Jair Bolsonaro, que tanto apoia.

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25.10.18
ED. 5981

Projeto de campanha

O empresário Luciano Hang abriu o cofre para ampliar a operação de e-commerce da Havan, demasiadamente concentrada nas lojas físicas. Os planos para 2019 incluem a criação de uma plataforma de marketplace. Não deixa de ser uma aposta de fé de Hang no iminente governo de Jair Bolsonaro, que tanto apoia.

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25.10.18
ED. 5981

Ministros de transição

Ministros de Michel Temer vêm se achegando a Jair Bolsonaro. Sergio Sá, da Cultura, se engajou na campanha do Capitão e mantém intensa interlocução com Flavio Bolsonaro. Quem também se aproxima de Bolsonaro é o ministro do Turismo, Vinicius Lummertz.

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24.10.18
ED. 5980

Bolsonaro ganha um presente na economia

O capitão Jair Bolsonaro, prestes a se tornar o presidente do Brasil, vai receber uma primeira boa notícia na área econômica antes das festas natalinas. O IBGE vai anunciar os números da sua Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que periodicamente realiza uma revisão das contas nacionais. O instituto ainda não divulgou os dados devido ao tradicional atraso em função de problemas orçamentários, além da decisão política de não apresentar a revisão dos cálculos antes do fim das eleições. O RR, contudo, apurou que a revisão estatística trará um crescimento adicional entre 5% e 6% sobre o aumento de 1% do PIB, em 2017, com promessa de carregamento positivo para o “governo bolsomínico”. É um percentual pequeno, mas de graça não se recusa nada. Este avanço significará uma redução dos indicadores que têm o Produto Interno como base de mensuração. Exemplo: a dívida pública bruta, atualmente na faixa de 77% do PIB, vai cair apenas em função da rodada da POF. Ela deverá diminuir ainda mais em razão da queda do dólar e de uma pequena subida do PIB, no pós-Bolsonaro. Mas isso já é um outro capítulo. Ao que tudo indica, as estrelas estão iluminando o caminho do Capitão, que não mostrou até agora ter lanterna própria.

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24.10.18
ED. 5980

Munição chinesa

No momento em que Jair Bolsonaro abre fogo contra a invasão chinesa no setor elétrico, a China Huadian Corporation ensaia sua entrada no país. Na mira, o segmento de energia eólica. O grupo controla 15 parques geradores na China.

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24.10.18
ED. 5980

Bolsonaro arruma as peças no tabuleiro

Jair Bolsonaro e Gustavo Bebianno, presidente do PSL, estão conversando, um a um, com os 53 deputados federais eleitos pelo partido. A todos, passam o mesmo recado: é preciso moderação no apetite por cargos no futuro governo. Antes que alguém pense em algum purismo, a recomendação está eivada de pragmatismo. Bolsonaro e sua equipe já começam a separar algumas fatias do pão para entregar a outros partidos.

Por sinal, Onyx Lorenzoni, virtual ministro da Casa Civil de Jair BoLsonaro, defende a escolha de um parlamentar de fora do PSL para ser o líder do governo na Câmara. Seria uma forma de ampliar o arco de apoios a Bolsonaro no Congresso. Lorenzoni já tem até um nome no bolso do colete: seu companheiro de partido Arthur Maia (DEM-BA), relator do atual projeto de reforma da Previdência.

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23.10.18
ED. 5979

Vigilantes da Constituição

Lançado recentemente, o movimento dos juristas contra Jair Bolsonaro pretende continuar ativo mesmo após as eleições. A ideia do grupo é se credenciar como uma instância de defesa da Constituição e do Judiciário. Quem desponta como líder da mobilização é o advogado criminalista Fábio Tofi c Simantob. O arco de juristas engajados no movimento vai de Mariz de Oliveira, amigo e advogado de Michel Temer, a Sigmaringa Seixas, fi gura histórica do PT.

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23.10.18
ED. 5979

Falcon

A Brinquedos Estrela, uma das principais entusiastas da candidatura de Jair Bolsonaro, já estuda até lançar um bonequinho em homenagem ao Capitão.

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22.10.18
ED. 5978

Gazin bomba na eleição do WhatsApp

Circula nas redes sociais um curioso vídeo do empresário Mario Gazin, dono da rede de lojas Gazin, do Paraná, pedindo votos para Jair Bolsonaro ainda no primeiro turno. Na imagem, ele aparece ao lado de Luciano Hang, um dos grandes cabos eleitorais junto ao empresariado. Até aí, zero de problema. No entanto, chama a atenção uma frase usada por Gazin para justificar por que Bolsonaro deveria ser eleito logo na primeira votação: “Para nós não termos que gastar mais dinheiro”. À luz das denúncias de que empresários teriam ajudado a disseminar mensagens contra o PT no WhatsApp, a frase tem causado um rebuliço no Twitter e no Facebook. Consultada pela RR, a Gazin confirmou que “Mario Gazin tem se posicionado em favor de Jair Bolsonaro em forma de indignação com o atual estado do país”. Sobre a declaração que tem causado controvérsia nas redes, a companhia diz que Gazin “presumiu que o prolongamento da campanha geraria um gasto genérico para o Brasil como um todo, mencionando que ‘todos gastariam menos’ se não houvesse segundo turno”.

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22.10.18
ED. 5978

A complexa simplicidade do fator Bolsonaro

Há dúvidas se as frentes democráticas de resistência tiveram papel determinante na queda das ditaduras. Com todo respeito ao comportamento heroico de personagens como o Dr.Ulysses Guimarães, Mário Covas e Luiz Inácio Lula da Silva, os regimes estavam caindo de podre. Há decerto uma histeria com as consequências exponencializadas do autoritarismo de Jair Bolsonaro A percepção popular sobre a probabilidade de um totalitarismo é rala.

As pessoas continuam indo à rodoviária e aos aeroportos, se defendendo na Justiça, lendo jornais e… votando. A comparação com Hitler, Átila ou Nero, ou a menção ao apoio da Ku Klux Klan soam à declaração de derrota. O tsunami no WhatsApp, sim, deve ser considerado como de alguma influência. Verdade seja dita, o fenômeno Bolsonaro vem sendo cevado não é de hoje. O capitão intuiu o drama do homem conservador normal: uma rotina desesperante de desacertos e um pavor da escalada da violência, que passou a ser considerada o motivo maior para o fechamento dos postos de trabalho, e não inverso.

Quem quiser conhecer o eleitor de Bolsonaro, pode assistir no Netflix ao filme “Dia de Fúria”. O “bolsonauta” é interpretado pelo ator Michael Douglas. De manhã até a noite nada dá certo na vida do personagem. Com base nessa demanda reprimida de autoridade Bolsonaro, sem nenhuma opinião, clareza de ideia ou projeto para as mazelas da Nação, convidou o homem comum e sem esperanças a embarcar nesta aventura do “ou vai ou racha”.

A esquerda insistiu em ofertar o que já vinha sendo dado: políticas assistencialistas, respeito às minorias, combate à fome, medidas na área social sociais, planos de emprego etc etc. Provável que o eleitor tenha considerado essas bandeiras como direitos já adquiridos. Ficou parecendo mais do mesmo. O fenômeno Bolsonaro foi ainda anabolizado pelo trágico destino do ornitorrinco formado por um grande líder popular, uma presidente esquizofrênica e um cleptocrata golpista. Em tempo: Ciro Gomes compreendeu o Zeitgeist. O PT não entendeu bulhufas.

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22.10.18
ED. 5978

Assim é se lhe parece

O empresário Flavio Rocha tem se apresentado entre seus pares como futuro ministro de Jair Bolsonaro. Já deixou até o irmão Elvio Gurgel Rocha, vice-presidente do Conselho da Lojas Riachuelo, de sobreaviso para assumir seu lugar como chairman do grupo.

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18.10.18
ED. 5976

Cardápio de Bolsonaro inclui até consulta popular sobre o destino de Lula

Teria partido da dupla Janaina Paschoal e Miguel Reale Junior a inusitada proposta a Jair Bolsonaro de que, devidamente diplomado, o então presidente envie ao Congresso pedido de consulta nacional sobre a manutenção ou não de Lula no cárcere. Curiosa a origem da ideia. Foram os dois jurisconsultos os responsáveis pelo requerimento de impeachment da presidente Dilma Rousseff e consequentemente pela demolição do governo do PT. A fonte do RR identifica na controversa sugestão dos dois juristas – Janaina agora coroada como a deputada estadual mais votada da história do país – uma medida multiuso.

Primeiramente, atenderia, em parte, ao clamor internacional, notadamente o provocado pelo Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), que defendia que o ex-presidente pudesse concorrer nestas eleições e permanece intercedendo pela sua liberdade. Bolsonaro poderá afirmar que era apenas um candidato e Lula, seu adversário, ainda que indireto, cabendo aos Poderes da República que se manifestassem sobre o assunto. Na situação de presidente, ele estaria em condições legais de encaminhar ao Congresso a consulta de julgamento popular, o tribunal mais legítimo para avaliação da condenação sui generis de Lula.

Jair Bolsonaro estaria dando também o maior recado de alerta à desinibida judicialização que vem pautando as instâncias juridicantes. A iniciativa sancionaria a realização de outros referendos ou plebiscitos que o Capitão já antecipou pretender utilizar no futuro. Se for liberto, teoricamente Lula estaria constrangido a ser um interlocutor afável de Bolsonaro na Presidência da República. O que não seria nada excepcional, conhecendo-se o pragmatismo do petista.

Por outro lado, se a criminalização do ex-presidente for reiterada pelo povo, Bolsonaro se livraria de um permanente problema político. O ícone estaria sepultado. O RR enviou aos dois mencionados juristas uma série de perguntas sobre o assunto. Janaina Paschoal negou a informação. Garantiu não ter tratado da questão com o candidato Jair Bolsonaro e tampouco com integrantes do Judiciário.

Está feito o registro. Por sua vez, Miguel Reale Junior não quis se pronunciar. A proposta, ressalte-se, estaria sendo guardada a duzentas mil chaves pela campanha do Capitão nesse período do segundo turno, onde os votos do antipetismo são considerados essenciais não somente para dar a vitória a Bolsonaro nas urnas, mas também para proporcionar uma diferença expressiva no escrutínio. Caso a consulta popular venha a se confirmar e seja favorável ao ex-presidente, será a maior rasteira na História, jamais concebida em todos os tempos, como diria o próprio: Bolsonaro e seus generais, com a ajuda do povo, libertando Lula do cárcere.

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17.10.18
ED. 5975

Carrapato

João Doria ficou sem o tão aguardado encontro com Jair Bolsonaro, mas não se dá por vencido. Tenta a todo custo gravar, ainda nesta semana, um depoimento do Capitão em apoio a sua candidatura ao governo de São Paulo para usar no programa eleitoral.

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16.10.18
ED. 5974

O “furo” de Joice Hasselmann

A deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) conseguiu a proeza de levar uma descompostura tanto de Jair Bolsonaro quanto de João Doria. Partiu da jornalista a desastrada iniciativa de arrastar Doria para o encontro com o Capitão no último sábado, que não aconteceu. De Bolsonaro, recebeu um pito por tentar impor uma agenda que não estava previamente combinada. De Doria, uma reprimenda por lhe vender uma “mercadoria falsa”.

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15.10.18
ED. 5973

Aproximações sucessivas

Há um novo ponto de aproximação entre petistas e tucanos. José Gregori, ex-ministro de Direitos Humanos de FHC, e Paulo Vannuchi, que comandou a área na gestão Lula, deverão se encontrar nesta semana em São Paulo. Gregori resiste a declarar apoio a Fernando Haddad, mas já sinalizou que aceita assinar um manifesto contra Jair Bolsonaro.

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11.10.18
ED. 5972

Bolsonaro alista seus cabos eleitorais pelo mundo

A campanha de Jair Bolsonaro vai torpedear as redes sociais e os grupos de WhatsApp com mensagens preparadas especificamente para brasileiros que moram no exterior. Um dos motes deverá ser “Com Bolsonaro, eu volto”. Mais do que resgatar os “expatriados”, o objetivo principal é sensibilizar o eleitorado daqui de fora para dentro. O staff do Capitão nas mídia digitais detectou um expressivo grau de influência dos “estrangeiros” sobre familiares que vivem no país. Por razões óbvias, aqueles que deixaram o Brasil em meio à crise econômica dos últimos quatro anos são fortes irradiadores de ódio ao PT. Basta ver o resultado das urnas pelo mundo. No primeiro turno, Bolsonaro ganhou de goleada no exterior, com 58% dos votos, contra 14% de Ciro Gomes. Fernando Haddad não chegou sequer a 11%.

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11.10.18
ED. 5972

PSL conhece as “dores” de partido grande

O súbito crescimento do PSL, provocado pela onda Bolsonaro, deflagrou uma disputa interna de poder entre as duas principais correntes regionais do partido. Rio de Janeiro e São Paulo já duelam pela liderança da bancada e, sobretudo, pela indicação de um eventual candidato à presidência da Câmara dos Deputados. O PSL do Rio alega estar na frente por ter contribuído com mais deputados, 12 no total. São Paulo, no entanto, puxa para si a primazia por conta de Eduardo Bolsonaro, o candidato mais votado do estado, com 1,8 milhão de votos. O impasse só deve ser resolvido após o segundo turno. Por ora, a roupa suja ficará acumulada.

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11.10.18
ED. 5972

Todos querem um pouco de Ometto

Rubens Ometto já foi procurado por emissários tanto de Jair Bolsonaro quanto de Fernando Haddad em busca de apoio financeiro. Até o momento, o dono da Cosan é o grande “mecenas” destas eleições. Lidera o ranking de doações, com R$ 6,8 milhões distribuídos para mais de 50 candidatos de 13 partidos. Ressalte-se que, no primeiro turno, Ometto não deu sequer um centavo para qualquer candidato à Presidência. Tem pelo menos duas semanas para sair do zero…

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11.10.18
ED. 5972

O jogo de Kassab

Formalmente, Gilberto Kasssab declarou a neutralidade do PSD no segundo turno; longe dos holofotes, no entanto, o ministro das Comunicações faz campanha e empurra seus correligionários na direção de Jair Bolsonaro.

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10.10.18
ED. 5971

Campo minado

Há um choque de egos no QG de campanha de Jair Bolsonaro. Mal chegou, egresso do PSDB, Xico Graziano já disputa espaço com o ruralista Frederico D´Ávila como a principal ponte entre Bolsonaro e o agronegócio. O que está em jogo é a futura indicação para o Ministério da Agricultura.

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10.10.18
ED. 5971

O silêncio dos aliados

A exemplo do que já fez com Paulo Guedes e seu vice, General Mourão, Jair Bolsonaro decretou lei do silêncio para Janaína Paschoal. Em sua primeira entrevista como deputada estadual eleita, Janaína irritou o núcleo duro da campanha ao defender o sistema de cotas nas universidades e atacar o aumento do número de ministros no STF, bandeira hasteada pelo Capitão.

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09.10.18
ED. 5970

Fator previdenciário

Em meio ao frenesi eleitoral, a agenda do Judiciário reserva para amanhã uma discussão fundamental para o próximo governo, seja ele encabeçado por Jair Bolsonaro ou por Fernando Haddad. O Superior Tribunal de Justiça vai julgar o recurso da União contra o pagamento de um adicional de 25% aos aposentados que necessitem de cuidados de terceiros. Hoje, há 769 processos parados na Justiça aguardando o veredito do STJ. O que está em jogo é um gasto extra da ordem de R$ 3,5 bilhões por ano para a Previdência.

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09.10.18
ED. 5970

A rentrée de Bolsonaro

Flávio Rocha, das Lojas Riachuelo, articula um jantar entre Jair Bolsonaro e empresários paulistas ainda para esta semana. Se os médicos liberarem, será um dos primeiros atos na retomada da campanha do Capitão.

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09.10.18
ED. 5970

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político – Jair Bolsonaro: candidato a “Trumputin”

Ouço sempre comparações entre Jair Bolsonaro e Donald Trump. Não gosto muito desse tipo de análise porque presume que o que acontece na vida política brasileira é mero eco do que chega lá de fora, quando na verdade o que há é uma interação com o que existe de preexistente na cultura política brasileira. Aqui dentro, há uma tradição de conservadorismo estatista em versão militar, que, pela doutrina do “cidadão fardado”, atribui ao Exército a função de guardião da República em última instância, diante da ameaça da “anarquia”, especialmente a comunista.

Essa ideologia está aqui misturada com o culturalismo (a cultura brasileira é cristã e conservadora; liberalismo e socialismo são ideologias “alienígenas”) e, pela primeira vez, com o “liberalismo judiciarista” e o liberalismo de mercado. É a mesma coalizão em torno de Carlos Lacerda que derrubou Jango em 1964. Por tudo isso, acho que a melhor comparação em termos do que acontece lá fora não é com Trump, mas com Vladimir Putin.

Ambos ex-agentes e símbolos de um antigo regime autoritário e militarista, percebido depois idilicamente como uma época de ordem e paz desfeita pela anarquia liberal e pela corrupção. São símbolos patrióticos “restauradores”, que poderão governar “democraticamente” através da exploração de um populismo de direita auxiliado pela burocracia do Estado, na forma de um “Estado forte de direito” (seja lá o que isso signifique). Por outro lado, tendo em vista nosso notório gosto por macaquear os irmãos do Norte, o Brasil oferece uma alternativa média: nem Trump, nem Putin: Bolsonaro é candidato a ser o nosso “Trumputin”.

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09.10.18
ED. 5970

Tropa de choque

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), cotado para assumir a Casa Civil em um eventual governo de Jair Bolsonaro, desembarca hoje em Brasília com algumas missões a cumprir. Deverá anunciar uma lista com mais de 150 deputados que apoiarão o Capitão no segundo turno. Além disso, tem reuniões agendadas com líderes do PSDB, PR e do próprio DEM, legendas que, em tese, estiveram na campanha de Geraldo Alckmin no primeiro turno.

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09.10.18
ED. 5970

Xadrez sem peças

No primeiro dia após o primeiro turno, o PT já teve uma amostra da dificuldade que encontrará para fechar alianças com vistas à disputa final entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Emissários petistas tentaram contato com Eduardo Paes (DEM) e José Ivo Sartori (MDB), candidatos aos governos do Rio e do Rio Grande do Sul, em busca de palanque nos dois estados. Por ora, encontraram a porta fechada.

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08.10.18
ED. 5969

Bolsonaro rumo aos 60%?

De acordo com tracking fechado pelo PSL no fim de semana, Jair Bolsonaro deverá aparecer com algo em torno de 57% dos votos válidos nas primeiras pesquisas para o segundo turno. O índice ultrapassa, com alguma margem, os 51% registrados pelo Ibope e pelo Datafolha no último sábado. Ressalte-se que os levantamentos do staff de Bolsonaro têm mostrado acertadamente números superiores aos dos grandes institutos de pesquisa, por conta de diferenças nos métodos de amostragem do eleitorado – conforme antecipou o RR na edição de 21 de setembro.

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08.10.18
ED. 5969

“Fidelidade” tucana

Os deputados Carlos Sampaio (SP), Bruno Araújo (PE) e o senador Cássio Cunha Lima (PB) estão entre os tucanos que provavelmente sequer apertaram “45” na urna eletrônica. O trio passou o fim de semana fazendo campanha para Jair Bolsonaro.

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05.10.18
ED. 5968

Açúcar e carne viram moeda eleitoral de Bolsonaro

Não bastasse o notório conservadorismo dos ruralistas, nos últimos dias Jair Bolsonaro fez importantes acenos para garantir o apoio maciço do agronegócio a sua candidatura. O Capitão comprometeu-se a entrar pesado em duas graves questões no âmbito do comércio multilateral: a disputa com a Índia no mercado de açúcar e o embargo russo à carne brasileira. Os interlocutores de Bolsonaro junto à Frente Parlamentar da Agropecuária e empresários do setor, notadamente o ruralista Frederico D ́Ávila, asseguraram que o seu eventual governo vai acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os crescentes subsídios públicos da Índia aos produtores de açúcar locais, pleito dos usineiros nacionais. Ao mesmo tempo, os porta-vozes do Capitão garantem empenho redobrado logo no início do mandato para equacionar o impasse com o governo Putin. A suspensão das importações de carne brasileira já dura dez meses. Nesse período, os frigoríficos nacionais depenaram mais de três mil postos de trabalho.

A campanha de Jair Bolsonaro dá como certa a vitória em primeiro turno. Ao menos entre os brasileiros que moram no exterior. Simulações contratadas pelo PSL apontam que a preferência pelo Capitão passa dos 55% em países como Estados Unidos e Portugal. Ressalte-se que o Ministério das Relações Exteriores abriu 33 novas seções, chegando a 99 países. Em 2014, eram 350 mil eleitores aptos a votar no exterior. No domingo, serão mais de 520 mil – contingente vitaminado, claro, pelo êxodo de brasileiros nos últimos anos.

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04.10.18
ED. 5967

O presidente do varejo

Jair Bolsonaro parece exercer algum fascínio especial sobre empresários do varejo. Depois de Luciano Hang, dono da Havan, e Pedro Zonta, proprietário da rede de supermercados Condor, agora é a vez do mineiro Romeu Zema se descobrir Bolsonaro de carteirinha. Candidato ao governo de Minas Gerais pelo Partido Novo, o empresário não apenas anunciou seu voto no “Capitão”, a despeito do correligionário João Amoedo, como já colocou as mais de 450 lojas da rede Zema à disposição para “Bolso” fazer campanha em um eventual segundo turno. Seriam mais se Zema não tivesse fechado 60 pontos de venda no últimos dois anos.

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04.10.18
ED. 5967

Suprema Janaína

Virtualmente eleita para a Câmara, Janaína Paschoal sonha com outro endereço na Praça dos Três Poderes em caso de vitória de Jair Bolsonaro: o STF. Durante o próximo mandato presidencial, duas vagas no Supremo serão abertas, com as saídas de Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

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03.10.18
ED. 5966

ESPECIAL – Christian Lynch, jurista e cientista político: Um “golpe fechado” espera por Haddad na esquina

Há muito se percebe que a magistratura e o Ministério Público agem como partido contra o PT como meios de contrabalançar o peso eleitoral de Lula. Já está mais que manjado o mecanismo dos vazamentos seletivos das delações premiadas e das liminares extemporâneas inaugurado por Moro, ou das proposituras de processo pelo MP às vésperas das eleições. Agora, o novo presidente do STF, Dias Toffoli, dá sinais de acreditar que um golpe militar pode ser possível. Homem político, flexível, Toffoli afirma que a Suprema Corte deve agir como um poder moderador, evitando crises políticas ou gerá-las.

Convidou um general quatro estrelas para assessorá-lo e afirma que 1964 não foi golpe, mas “movimento”. Ontem, manteve liminar de Fux contra Lewandowski, destinada a impedir que Lula seja entrevistado e assim “interfira nos resultados eleitorais”. Para bom entendedor, meia palavra basta. Toffoli acredita na possibilidade de um golpe militar e apruma o Supremo para as eventualidades. Toffoli sabe que parte expressiva das Forças Armadas não quer a volta do PT, nem o da magistratura. Se depender deles, Lula não sai mais da cadeia. Como nem sempre o eleitorado ajuda, as duas corporações darão uma mãozinha para Bolsonaro vencer, como já se está a ver.

É possível imaginar cenários possíveis para desatar o nó em que o país se meteu. Caso Bolsonaro vença e encontre dificuldades no Congresso, militares e juízes darão o impulso necessário para as reformas constitucionais que “dinamizem a economia” e “restabeleçam a autoridade”. Se der Haddad, haverá comoção da metade do país que não quer mais saber de PT e pressão por não empossá-lo. Como um golpe aberto é difícil, tentarão primeiro arrancar dele algum compromisso de rompimento com o petismo; um equivalente do parlamentarismo imposto a Jango em 1961. O resto do script a gente já conhece.

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02.10.18
ED. 5965

Jair Bolsonaro entrega o comando da infraestrutura nacional ao seu “Estado Maior”

Engana-se quem pensa que o economista Paulo Guedes será uma espécie de primeiro-ministro se o capitão Jair Bolsonaro for eleito. O economista vai mandar um bocado, conforme é sabido, mas não tanto o quanto propala aos quatro ventos. Desde já dois comandos centrais estão decididos: a macroeconomia vai para o civil Guedes; mas a infraestrutura ficará sob o mando dos generais Augusto Heleno (provável ministro-chefe do Gabinete Civil e um dos coordenadores da campanha de Bolsonaro) e Hamilton Mourão (vice-presidente na chapa militar).

O general Mourão já confirmou que pretende assumir a pasta da infraestrutura ou o comando de toda a área de projetos deste setor. O general Heleno, por sua vez, é quem tem tratado dos assuntos com maior impacto na formação bruta de capital fixo. O modelo liberaloide de Guedes exclui os agentes clássicos de desenvolvimento da economia. Os cabeças de ponte da intervenção do Estado. Os generais não concordam com a ideia de que basta o ajuste das contas públicas e um bom ambiente regulatório para que o capital estrangeiro chegue em profusão para resolver o déficit de investimento do país.

O pensamento dos militares é contraditório com o do virtual ministro da Fazenda em pontos sensíveis. O papel do BNDES é um exemplo do dissenso. Enquanto Guedes detona o banco, considerando deletéria sua participação, Mourão e Heleno teriam planos diferentes para a instituição. Na visão dos generais, o BNDES teria sua função espraiada para a análise de projetos – uma das maiores deficiências da área de infraestrutura – e auditoria de performance das obras. Uma das críticas ao banco é que os empreendimentos que financia atrasam e estouram os custos.

Para o cumprimento das missões, uma hipótese seria o reforço da capacidade operacional do BNDES, com a realização de convênios junto ao Departamento de Engenharia e Construção do Exército e o Instituto Militar de Engenharia (IME). Ambos cumpririam papéis hoje distribuídos junto a distintas instituições do governo, tal como a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Desde o início da candidatura Bolsonaro foi previsível que o governo teria o maior componente militar desde a abertura democrática. O que ninguém imaginou é a combinação do pensamento friedmaniano de Paulo Guedes com a visão nacionalista, patriota e desenvolvimentista dos generais.

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02.10.18
ED. 5965

O príncipe

Por falar no time de Bolsonaro, o “príncipe” Luiz Philippe de Orléans e Bragança já circula como se fosse o ministro das Relações Exteriores. Tem feito contatos com embaixadores e convidado jornalistas para apresentações sobre relações internacionais.

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28.09.18
ED. 5963

O “programa de governo” radical, porém sincero do General Mourão

Desde já, estamos entendidos: o General Hamilton Mourão não vocalizou nem o seu superior hierárquico na política, o candidato Jair Bolsonaro, nem seus companheiros de farda ao defender o fim de conquistas trabalhistas, tais como o 13o salário e férias. Ontem mesmo Bolsonaro não somente desautorizou a incontinência do seu vice como fez gestões para que os pares de Mourão nas Forças Armadas intervenham junto ao general, pedindo a ele que se contenha nas suas manifestações. O General Mourão, segundo o RR apurou junto a alguns oficiais, é considerado um caso perdido fora do seu ambiente de origem, o Exército. Sua extrema sinceridade é aceita como natural na área militar.

Nas Forças Armadas, os oficiais estressam suas opiniões ao limite, sendo naturalmente interpelados conforme a cadeia de comando. É razoável que Mourão sequer pense aquilo que tem dito. De toda a maneira, as diatribes do General têm incomodado civis e militares envolvidos na campanha de Bolsonaro.Do praça ao general quatro estrelas, se há um estamento na República que tem pleitos represados na esfera trabalhista é justamente o militar, a começar pela periodicidade dos reajustes. A regra em vigor prevê aumentos salariais de três em três anos – o próximo está previsto apenas para 2019. As Forças Armadas reivindicam reajustes anuais. Outro ponto bastante sensível é a defasagem na remuneração da categoria, uma bola de neve que rola desde o já longínquo governo de FHC.

Hoje há uma dezena de forças policiais que pagam a seus integrantes valores superiores aos recebidos pelos militares em patentes equivalentes. Em alguns casos, a remuneração é quase o dobro. Um exemplo: um coronel da Polícia Militar de Santa Catarina recebe algo em torno de R$ 28 mil, ao passo que o salário mensal de um coronel do Exército é da ordem de R$ 15 mil. Há cerca de um mês, em sua despedida do cargo de chefe do Estado-Maior do Exército, o general Fernando Azevedo e Silva, até então o primeiro na linha sucessória do Comandante Villas Bôas, fez críticas aos salários pagos aos militares. Por certo, verbalizou um pensamento comum a seus colegas de Alto-Comando. Mourão errou na forma e no conteúdo, tocando em um ponto nevrálgico para os militares.

A fonte do RR lembra que as demais corporações do aparelho de segurança exercem maior pressão sobre o governo e a própria opinião pública dos que as Forças Armadas. Militares não fazem greve, ao contrário de policiais militares e civis, bombeiros ou mesmo a Polícia Federal. É sintomático, por exemplo, que o Projeto de Lei 5.492, de autoria do deputado Cabo Daciolo e já aprovado em diversas comissões da Câmara, proponha o pagamento de adicional de periculosidade aos “órgãos de segurança pública previstos no Artigo 144 da Constituição”: Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, polícias militares e corpos de bombeiros. Exército, Aeronáutica e Marinha não fazem parte dessa “corporação”. Todos perderiam se fosse adotado o duríssimo “programa de governo” do General Mourão.

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28.09.18
ED. 5963

O magazine do Bolsonaro

Luciano Hang vai buscar o “voto” dos nordestinos. Um dos grandes entusiastas da candidatura de Jair Bolsonaro entre o empresariado, Hang prepara a entrada da rede varejista Havan no Ceará e no Rio Grande do Norte. Hoje, a empresa catarinense está presente apenas em dois estados da região: Bahia e Pernambuco.

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27.09.18
ED. 5962

Porta fechada

Com 3% nas pesquisas, Alvaro Dias foi sondado nesta semana pelo PSL sobre a hipótese de retirar sua candidatura e apoiar Jair Bolsonaro no primeiro turno. O emissário de Bolsonaro foi o Major Olímpio, colega de Dias no Congresso Nacional. Voltou para o PSL com um “não”.

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26.09.18
ED. 5961

A rentrée de Bolsonaro

O staff bolsomita conta com dois acontecimentos fortes para turbinar o voto no Capitão no segundo turno: a aparição de Jair Bolsonaro no debate eleitoral, cambaleante e demonstrando dor; e um fato novo e relevante na investigação do episódio da facada.

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25.09.18
ED. 5960

As mulheres do Capitão

Os marqueteiros de Jair Bolsonaro querem aumentar a participação de Janaina Paschoal e Joyce Hasselmann no programa eleitoral do Capitão na reta final da campanha. O objetivo é aproveitar o crescimento do “Bolso” entre o eleitorado feminino. Janaina e Joyce são candidatas, respectivamente, a deputadas estadual e federal.

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24.09.18
ED. 5959

Campo minado

A principal ponte entre Jair Bolsonaro e o agronegócio ficou um tanto quanto esburacada. Frederico D´Ávila afastou-se da diretoria da Sociedade Rural Brasil (SRB) após desentendimentos com o presidente da entidade, Marcelo Vieira. D´Ávila estaria usando e abusando do cargo em sua campanha a deputado federal sem combinar com os russos.

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24.09.18
ED. 5959

O prontuário do Capitão

Na edição da última quinta-feira, o RR publicou que Jair Bolsonaro se exaltou querendo sair do hospital para retomar sua campanha. A mesma informação circulou com diferentes versões nas redes sociais. Apesar da fonte do RR ser muito boa, a newsletter decidiu procurar a assessoria de Bolsonaro para tirar a história a limpo. Os assessores do candidato preferiram não comentar o assunto. Portanto, fica o dito pelo dito

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21.09.18
ED. 5958

Bolsonaro está mais perto da vitória no primeiro turno do que mostram as pesquisas

O PSL tem fortes motivos para acreditar na vitória de Jair Bolsonaro já no primeiro turno. As pesquisas realizadas pelo partido indicam que as intenções de voto atribuídas a Bolsonaro tanto no Ibope quanto no Datafolha estão subestimadas. A defasagem seria da ordem de 2,5%, o que representaria algo entre 3,5 milhões e quatro milhões a mais na conta do Capitão.

O gap estatístico se deve aos critérios adotados pelos maiores institutos de opinião pública do Brasil. Tanto o Ibope quanto o Datafolha usam, como amostragem, um corte do colégio eleitoral baseado no Censo de 2010. Ocorre que essas ponderações estão descalibradas: as sondagens realizadas pelo PSL têm revelado que há um Brasil conservador, fruto da recessão econômica, que não está representado no universo dos institutos de pesquisa. De 2010 para cá, o PIB caiu 10%.

Nesse mesmo intervalo, o desemprego disparou de 4% para a casa dos 13%. Esse efeito gera o que os estatísticos chamam de uma subestimativa da medida amostral. Algo similar ocorreu na eleição de João Doria para a Prefeitura de São Paulo. As pesquisas não captaram a guinada conservadora na periferia paulistana. Nas últimas sondagens às vésperas da eleição, Doria tinha 44% dos votos válidos. Acabou eleito em primeiro turno, com 53,2%.

Na última pesquisa do Ibope, Bolsonaro apareceu com 35,5% dos votos válidos. Considerando-se a margem de erro de dois e meio pontos percentuais para cima e para baixo, na verdade, no melhor cenário, ele já estaria com 38%. Aplicando-se o modelo adotado pelos consultores do PSL, com o grau de dispersão de 2,5% não capturado nas pesquisas, o Capitão já chega, portanto, a 40,5% dos votos válidos nas sondagens recebidas pelo partido. O problema para Bolsonaro é que esse diferencial continuará sem ser quantificado nas próximas pesquisas dos grandes institutos. Ou seja: ele perde o impacto do “já ganhou”, que costuma ter um efeito-retroalimentador sobre a opinião pública.

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21.09.18
ED. 5958

Ministro “Paulinho” tropeça na matemática

Paulo Guedes é um sujeito inteligente, mas relapso. Apresentou seu esboço de reforma tributária sem combinar com o chefe Jair Bolsonaro, que não gostou do que ouviu. “Paulinho” propôs simplificar o mosaico tributário, adotando dois gravames: um substituindo a mordida sobre as receitas que não são transferidas para estados e município e outro sobre a contribuição sindical. Nenhum deles se espelha no IVA do economista Marcos Cintra ou no Imposto Único, do ex-ministro Roberto Campos, bem mais radicais, porém organizados. A proposta do economista de taxar a movimentação financeira tem por objetivo ampliar a base da arrecadação, e não repetir a velha CPMF, em que o imposto se superpõe a todos os demais. No projeto do virtual ministro da Fazenda de Bolsonaro, a carga tributária encolherá devido à extinção ou à redução dos demais impostos e alíquotas. Até aí, tudo bem. O problema de “Paulinho”, como sempre, é a falta de rigor com números e o exagero nas associações. Na apresentação do novo modelo, o economista simplesmente falou os percentuais que lhe vieram à cabeça, ignorando a matemática. Um crime para qualquer “Chicago Boy”. O resultado, feita a simulação, foi um corte de dois terços na arrecadação tributária. Uma vacilada típica do “Paulinho”.

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20.09.18
ED. 5957

O destempero do paciente Bolsonaro

Jair Bolsonaro teve uma crise de exaltação, na presença do filho Eduardo. O Capitão quis deixar o hospital, dizendo que precisava retomar sua campanha de qualquer maneira. Referia-se bastante ao General Mourão como incapaz de substituí-lo nos programas de TV e em comícios. Transtornado, dizia: “Temos uma eleição para vencer… Temos uma eleição para vencer…” A muito custo, foi contido por Eduardo.

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20/09/18 8:31h

msiqueira@jeffreygroup.com

disse:

É boato - https://www.boatos.org/politica/audio-bolsonaro-enfermeira-teatro.html

20.09.18
ED. 5957

O primeiro desertor da campanha de Alckmin

O PRB deverá ser o primeiro partido a roer a corda a abandonar a coalizão que apoia a candidatura de Geraldo Alckmin. A sigla tem tudo para embarcar, ainda no primeiro turno, na campanha de Jair Bolsonaro. As conversas estão bem adiantadas: de um lado, o Pastor Marcos Pereira, ex-ministro de Michel Temer, pelo PRB; do outro, o Major Olímpio, um dos articuladores políticos do Capitão, pelo PSL.

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19.09.18
ED. 5956

Você esfola daí que eu fuzilo daqui

Jair Bolsonaro vai gravar um vídeo agradecendo pela manifestação de apoio do jogador Felipe Mello, do Palmeiras. A julgar pelo trackrecords da dupla, será algo na linha “Você esfola daí que eu fuzilo daqui”.

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17.09.18
ED. 5954

Bolsonaro já ganhou a eleição

Alertado por partidos como PT e PSDB, o TSE está investigando o site www.urnadigital.com. Nova coqueluche no WhatsApp e redes sociais, a ferramenta simula a eleição de outubro, recolhe votos dos internautas e disponibiliza a apuração online. O que mais intriga é o desempenho do clã Bolsonaro no escrutínio cibernético. O patriarca aparece com 61% dos votos, mais do que o dobro do seu melhor resultado nas pesquisas. Ou seja: “vence” no primeiro turno. Flavio Bolsonaro, que disputa vaga no Senado pelo Rio de Janeiro, surge com 39% – na última pesquisa do Ibope, tinha 19%. Em São Paulo, a lista dos quatro mais “votados” para deputado federal é encabeçada – adivinhem só – por Eduardo Bolsonaro. A seguir, Joice Hasselmann, Alexandre Frota e o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, todos correligionários de Bolsonaro. Convenientemente, o site disponibiliza ferramenta que permite disseminar os resultados por WhatsApp. Por falar em Bolsonaro e internet, seus advogados estão entrando com uma ação para obrigar o Facebook e o Twitter a tirar do ar posts com comentários ou insinuações de que o atentado ao Capitão foi uma farsa.

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Paulo Guedes vem tentando cooptar Jorge Gerdau para a campanha de Jair Bolsonaro. Pensando bem, o duet entre o Capitão e o Kaiser faz todo o sentido.

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14.09.18
ED. 5953

Meu voto, minha vida

No intuito de avançar sobre o eleitorado das classes C e D, notadamente no Nordeste, a campanha de Jair Bolsonaro vai tonitruar nos próximos dias a promessa de expansão do “Minha Casa Minha Vida”. Ressalte-se que o Capitão tem como conselheiro um expert no assunto: o empresário Meyer Nigri, dono da incorporadora Tecnisa.

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13.09.18
ED. 5952

Os muitos inimigos de Alckmin

Jair Bolsonaro não é mais um problema para Geraldo Alckmin. Diante do consenso de que o Capitão já está garantido na disputa final, a campanha do tucano vai se voltar de forma contundente contra os seus adversários diretos pela vaga no segundo turno, leia-se notadamente Ciro Gomes, Fernando Haddad e Marina Silva. O ponto não é o impacto negativo que os ataques a Bolsonaro possam ter após o atentado, como chegou a ser discutido pelos marqueteiros de Alckmin na noite da própria quinta-feira. Trata-se de puro pragmatismo e foco. Os “inimigos” são outros. Além da disputa direta contra Ciro e Haddad, tracking diários realizados pelo PSDB mostram que Marina e até mesmo João Amôedo e Alvaro Dias vêm drenando seguidamente votos do tucano.

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12.09.18
ED. 5951

O Capitão e a Padroeira

Jair Bolsonaro confidenciou a aliados que o visitaram na UTI do Albert Einstein a intenção de ir à Aparecida do Norte em 12 de outubro. Bolsonaro aproveitaria o Dia da Padroeira do Brasil para agradecer por sua recuperação e, assim espera, pela passagem para o segundo turno. E, claro, para gravar imagens de forte apelo para o horário eleitoral.

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exercito-rj
10.09.18
ED. 5949

Atentado contra Bolsonaro encurta a ponte entre militares e as eleições

A reunião do Alto Comando do Exército, realizada na última quinta-feira sob a comoção do atentado contra o candidato Jair Bolsonaro, teve uma participação excepcional de dois oficiais quatro estrelas da reserva, os generais Hamilton Mourão e Augusto Heleno. Mourão, candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, comandou as tropas do Sul do país, consideradas as maiores das Forças, até 2016, quando foi retirado do posto, preventivamente, pelo Comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, devido a declarações ameaçadoras feitas no Dia do Soldado. general Heleno liderou as tropas de paz da ONU no Haiti e defende que se trate os criminosos como inimigos de guerra, fuzilando-os imediatamente.

Os dois expoentes do Estado-Maior de Bolsonaro não estiveram de corpo presente na reunião extra no Forte Apache, mas, sim, por meio de contatos diversos com o generalato, contribuindo com subsídios para a análise da situação. É desnecessário, por previsível, carregar nas tintas sobre o grau de excitação do momento. Mourão e Heleno até ontem, pode se dizer assim, pertenciam ao Alto Comando da Força. Algo comum que mantivessem contato intenso com seus pares na grave circunstância.

Por tendência natural, as conjecturas dos militares percorrem perímetros largos em torno do estado de saúde do candidato. Eles prospectam riscos psicossociais, entre os quais o país tornar-se um caldeirão fervente, o que poderia levar, em hipótese extrema, até ao adiamento das eleições. Todos os cuidados devem ser tomados para que a situação não se radicalize. A militância de Bolsonaro não é o que pode se chamar de mansa. E violência gera violência, um velho clichê de atualidade eterna. Nunca o país viveu uma conjuntura política tão odienta.

O manejo de arma branca, a própria expressão “facada”, a despeito das motivações serem de fundo religioso, trazem inusitados componentes, real e simbólico, de uma violência aguda. O psiquismo da sociedade já se manifestava com fúria inaudita nas redes sociais. Faltava transbordar da internet para o mundo físico. Transbordou. Um cenário considerado pouco provável passaria pela caserna, ainda que apenas tangenciando-a; seria um estado mais preocupante de saúde de Bolsonaro que o levasse a permanecer até depois das eleições em unidade de terapia intensiva – hoje, este não é um quadro provável, mas não é absurdo.

Digamos que o capitão, mesmo na UTI, fosse eleito. Nessa hipótese, há dúvidas se o seu vice-presidente, o general Mourão, assumiria na condição de interino, ou seria empossado diretamente como titular da presidência, na medida em que Bolsonaro não pudesse comparecer à cerimônia de diplomação. E se, mesmo diplomado, Jair Bolsonaro fosse impedido por um tempo mais prolongado de governar o país? O cenário seria parecido: Mourão, autor das frases mais intimidadoras da democracia, assumiria definitivamente a Presidência da República. Mesmo que a recuperação do capitão seja breve, o ambiente psicossocial permaneça sob controle e as eleições ocorram sem turbulências, como a população deseja, o fato é que a agressão a Bolsonaro é, desde já, a facada que mudou o rumo da história.

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10.09.18
ED. 5949

Guarda especial

Está em discussão no comando do Exército a formação de uma guarda especial para acompanhar o capitão Jair Bolsonaro até as eleições.

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10/09/18 12:00h

Marival Mattos

disse:

O que será do Capitão? Do fuzil às flores? Ou à faixa presidencial em 1 de janeiro de 2019? Vejo algo de muito obscuro para retirá-lo do pleito eleitoral. Yo no creo en las brujas pero que las hay, hay

06.09.18
ED. 5948

Guerra dos cem dias

As equipes de filmagem que acompanham Jair Bolsonaro colhem imagens não só para a campanha eleitoral, mas também para um documentário. A ideia é lançar o filme sobre o Capitão até maio de 2019, tendo como mote os cem primeiros dias de seu eventual governo.

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05.09.18
ED. 5947

Dersa, Dersa, Dersa!

Os marqueteiros de Jair Bolsonaro preparam uma reação pesada à agressiva campanha de Geraldo Alckmin, que, entre outros ataques, já associou o Capitão à violência contra a mulher. O chumbo grosso virá até o fim desta semana pela agenda da corrupção.

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04.09.18
ED. 5946

Além mar

Brasileiros e portugueses bolsonaristas deram um espetáculo ontem no Mercado da Ribeira, em Lisboa. Embalados por garrafas de bagaceira, entoaram juntos por horas o seu grito de guerra: “Mitooo, mitooo…”

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04.09.18
ED. 5946

“Marina Pitbull” entra na arena eleitoral

Os marqueteiros de Marina Silva estão trabalhando o lado “pitbull” da candidata. A recomendação é que ela adote um estilo mais agressivo nos próximos debates, a exemplo do que ocorreu no embate com Jair Bolsonaro no último programa. Os assessores defendem que Marina use a causa feminista como o principal mote para o enfrentamento dos adversários.

Seu staff está garimpando nas redes sociais e na mídia declarações dadas pelos demais candidatos em agravo às mulheres. No caso do próprio Bolsonaro, chega até a ser covardia. Mas ele não será o único alvo. Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, por exemplo, deverão ser arguidos por Marina em relação à baixa presença de mulheres em suas gestões em São Paulo e no Ceará.

Com esta estratégia, os marqueteiros de Marina Silva vislumbram a possibilidade de valorizar a imagem da mulher aparentemente frágil que defende com vigor suas posições em meio a candidatos homens. A “enquadrada” de Marina em Jair Bolsonaro no programa da Rede TV foi o momento que mais gerou reações no ambiente digital. Os tweets com menção à candidata cresceram aproximadamente 300% poucos minutos após o embate com o capitão. O assunto permaneceu no trend topics do Twitter após o encerramento da transmissão, como um dos cinco pontos mais comentados na rede social.

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02.09.18
ED. 5945

Bolsonaro nas vitrines do varejo

O catarinense Luciano Hang, dona da rede varejista Havan, se dispôs a organizar encontros entre Jair Bolsonaro e empresários da Região Sul. Um dos primeiros deverá reunir representantes da esgarçada indústria têxtil de Santa Catarina. Entusiasta declarado do Capitão, Hang chegou a cogitar a hipótese de abrir suas próprias lojas (122 em todo o Brasil) para que Bolsonaro fizesse campanha. Foi demovido por seus executivos.

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02.09.18
ED. 5945

Linha de tiro

Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin estarão na linha do tiro dos próximos programas eleitorais de Henrique Meirelles. Lula também será citado, mas na prateleira dos autoelogios à gestão de Meirelles no BC.

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31.08.18
ED. 5944

Jair Bolsonaro e João Doria dançam um bolero eleitoral

Jair Bolsonaro e João Doria têm feito aproximações sucessivas. Ambos executam uma coreografia de colaborações cruzadas, que podem avançar e ganhar mais corpo à medida que as pesquisas assim determinem. O liaison entre ambos vem sendo promovido por Paulo Guedes, ministro da Fazenda em uma eventual gestão Bolsonaro. Os sinais de estreitamento das relações entre o presidenciável e o candidato ao governo de São Paulo surgem a olhos vistos.

É o caso do jantar oferecido pelo empresário Fabio Wajngarten a Bolsonaro há cerca de dez dias, em São Paulo. A maior parte dos presentes era ligada ao Grupo Lide, de Doria, convescote de empresários extremamente liberais, a rigor muito mais afeitos ao discurso de Guedes do que, por exemplo, ao de Pérsio Arida, coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin. Para Bolsonaro, essa aproximação poderá ajudá-lo a construir a imagem de um candidato mais pró-empresariado. João Doria, que conspirou até o último instante para ser o presidenciável tucano, movimenta -se no tabuleiro com duas peças.

Para todos os efeitos, seu candidato é o correligionário Geraldo Alckmin. E assim será se as próximas pesquisas apontarem para o crescimento de Alckmin. Caso contrário, o mais provável é que o candidato ao governo de São Paulo deslize de vez na direção de Bolsonaro, vislumbrando um acordo para o segundo turno. Por sinal, aliados de Doria no PSDB, notadamente o grupo Conexão 45, já têm feito reuniões no interior de São Paulo pedindo voto para o Capitão.

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João Amôedo tem dito a aliados próximos que Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin se comprometeram a aderir ao abaixo-assinado pedindo a sua participação nos debates presidenciais. Até agora, no entanto, nem sinal do chamegão de um e de outro.

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30.08.18
ED. 5943

Bolsonaro cria manual de etiqueta para presidenciáveis

A entrevista de Jair Bolsonaro ao Jornal Nacional acendeu uma luz para os marqueteiros das campanhas presidenciais. O Capitão criou um padrão: fatura o evento quem é mais rude com os entrevistadores. Ou seja: é mais importante contraditar duramente do que ser convincente nas respostas. A própria Globo engendrou essa receita.

Em parte por transmitir a mensagem de que o entrevistado enfrentou um poder até então imbatível; em outra, devido à postura arrogante e antipática dos âncoras Willian Bonner e Renata Vasconcellos. O primeiro candidato entrevistado, Ciro Gomes, não tinha descortinado esse caminho, e, preocupado com sua fama de destemperado, manteve-se demasiadamente manso frente a perguntas intimidatórias e com cerca de um minuto de duração. Daqui para frente, após Bolsonaro, as próximas entrevistas no JN serão sessões de tiro livre.

É muito mais divertido ver tapas e revides na Globo do que a resposta a temas complexos ou que já embutem uma desculpa ou desmentido na arquitetura da pergunta. Em tempo: o entorno de Jair Bolsonaro passou o dia de ontem exultante com os resultados da entrevista ao Jornal Nacional. Levantamento feito pela campanha do Capitão mostrou que o número de menções ao candidato nas redes sociais triplicaram em relação ao debate da Rede TV. Mais do que isso: cerca de 70% das citações foram favoráveis a Bolsonaro. O pico veio com o “embate” travado com a apresentadora Renata Vasconcellos sobre a questão dos salários das mulheres.

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23.08.18
ED. 5938

Emprego é a nova arma no coldre de Jair Bolsonaro

O capitão Jair Bolsonaro quer dar um tiro de morte na sua concorrência. Vai prometer o que até agora ninguém prometeu: emprego maciço com treinamento. O “keynesianismo bolsomita” é uma contribuição ainda duvidosa de Paulo Guedes à campanha. Seria a prova que mesmo os liberais mais xiitas cedem em suas convicções diante da vontade de poder. Seja como for, o programa “Trabalho para todos” vem como uma cereja nessa fase em que o tempo de televisão tende a favorecer candidaturas adversárias, e Bolsonaro tem um espaço exíguo.

A proposta combinará austeridade fiscal, controle da dívida mobiliária, reformas estruturais e frentes de emprego no melhor estilo militar, muitas vezes tendo a colaboração dos batalhões de engenharia do Exército. Não faltam pontes, fossas, trilhos, estradas e casas para levantar. E a dinheirama para tudo isso? Coloque-se tudo na conta da megaprivatização, supercorte das renúncias fiscais, hiperredução do funcionalismo público, maxirreforma da Previdência e outros superlativos tão ao gosto do virtual ministro da Fazenda, Paulo Guedes. A última vez que alguém trouxe o emprego para o centro do debate nacional foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, radical antípoda de Jair Bolsonaro.

Betinho pode até ter tomado uns cascudos do capitão, quando ambos atravessavam sua fase mais hard core. Sabe-se lá. Mas o fato é que o sociólogo tentou contagiar o país ofertando soluções criativas para que as unidades federativas privilegiassem projetos mais intensivos em mão de obra. Não deu tempo para sua sedução extrair da terra os postos de trabalho. Betinho virou anjo e a fome de emprego perdeu sua urgência. Hoje é quase um sonho de heterodoxia pensar que um economista triliberal ouse colocar o emprego no centro de um programa de campanha arquiconservador. Trata-se de uma heresia tão grande que não serão suficientes as promessas do capitão ao vivo e a cores. Enquanto Paulo Guedes não vier em público afiançar seu malabarismo, o emprego prosseguirá sendo um apêndice da crença neoliberal misturada com as esquisitices bolsomitas.

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22.08.18
ED. 5937

Dupla missão

Jair Bolsonaro reserva uma dupla missão para o general Hamilton Mourão em seu eventual governo. Além de vice, ele assumiria também o Ministério da Segurança Pública.

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22.08.18
ED. 5937

Novos e velhos “bolsonaristas” duelam

Jair Bolsonaro tem sido seguidamente alertado por seus aliados sobre as crescentes disputas internas no pequeno PSL. O assunto é tratado pelos mais cautelosos como uma bomba-relógio na campanha do capitão. Antigos seguidores – casos dos deputado federais Major Olímpio (SP), Delegado Francischini (PR) e Delegado Eder Mauro (PA) – estão bastante incomodados com o espaço reservado a novos “bolsonaristas”. No último fim de semana, circulou em grupos de WhatsApp de integrantes do PSL um manifesto acusando “correligionários de ocasião” de “oportunistas”. O torpedo tinha endereço certo: a Janaína Paschoal e a jornalista Joice Hasselmann. A primeira se mantém bastante próxima da campanha de Bolsonaro, mesmo tendo recusado o convite para ser sua vice. Joyce, por sua vez, que também esteve cotada para compor chapa com Bolsonaro, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. Os “bolsonaristas”-raiz dizem que o candidato ouve as duas em demasia. A mesma crítica é feita à aproximação com o deputado Onyx Lorenzoni, que, mesmo filiado ao DEM, embarcou na candidatura Bolsonaro e dá pitacos na sua campanha.

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21.08.18
ED. 5936

Bolsonaro prepara uma blitzkrieg para gringo ver

Vai dar no New York Times: o staff de campanha de Jair Bolsonaro costura, a toque de caixa, uma agenda de entrevistas a veículos da mídia estrangeira. A ideia é que ele seja escoltado nas conversas pelo economista Paulo Guedes, seu virtual ministro da Fazenda. A tendência é que esse road show seja reforçado por um encontro com investidores internacionais, provavelmente em Nova York. O sinal de alerta quanto à necessidade de aproximação com a imprensa internacional veio, sobretudo, após o editorial publicado na última edição da The Economist. Com o título “Brasília, we have a problem”, o texto classifica sua candidatura como um “risco à democracia”. Os assessores do candidato têm identificado também um aumento das menções, em publicações estrangeiras, de que sua eleição representa um risco ao capital estrangeiro. Bolsonaro tem de manter a sua fama de “mau”, mas tudo tem um certo limite.

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20.08.18
ED. 5935

O peixe

Sem candidato no Rio, Jair Bolsonaro vem tentando, nos bastidores, emplacar uma tabelinha com Romário. Mas o Peixe prende a bola e finge que não é com ele.

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17.08.18
ED. 5934

Reunindo depoimentos

Bastante popular entre os “boleiros”, Jair Bolsonaro está reunindo depoimentos de jogadores em apoio a sua candidatura. Um de seus grandes cabos eleitorais é o vigoroso Felipe Melo, do Palmeiras, uma espécie de “Bolsonaro dos gramados”.

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15.08.18
ED. 5932

Bolsonaro teme inimigos infiltrados na sua campanha

O comando da campanha de Jair Bolsonaro está paranoico com o risco de infiltração de subversivos entre os seus eleitores. A preocupação não é só com os eventos e aglutinações, mas também com ações de baderna ou destruição isoladas feitas por pequenos grupos de falsos militares; elementos vestidos com uniforme das Forças Armadas e plantados entre seus apoiadores somente para denegrir a imagem de Jair Bolsonaro. Os palanques das principais candidaturas são o alvo potencial que mais causa apreensão.

O temor é de que confrontos sejam estimulados em comícios com os pseudo bolsonaristas. Até mesmo as recepções de milhares de bolsonaristas à chegada do capitão aos gritos de “mito, mito” são vistas com cautela. Um atentado em qualquer um dos encontros dos candidatos adversários seria facilmente atribuível à militância do capitão, mesmo que sem pistas tão evidentes.

O alto comando da campanha de Jair Bolsonaro acredita que a popularidade do candidato vai crescer bastante ainda, na medida em que seu estilo vai se tornando “pop”. O medo é que ocorra um terrorismo reverso ao dos anos de chumbo, com os bandidos saindo supostamente em seu nome para afrontar a sociedade. Pode ser fantasia conspiratória ou simples pânico. Mas é fato que Bolsonaro já viu esse filme do outro lado da cerca.

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15.08.18
ED. 5932

Imagem e semelhança

Tão ou mais insondável do que o pensamento econômico de Jair Bolsonaro é o posicionamento de seu partido, o PSL, sobre questões fulcrais. Os deputados da sigla não fecharam questão sobre os projetos de lei da cessão onerosa da Petrobras e da privatização das distribuidoras de energia administradas pela Eletrobras, ambos em tramitação no Congresso.

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13.08.18
ED. 5930

O capitão é pop

O PSL, de Jair Bolsonaro, foi a sigla que mais recebeu filiados no primeiro semestre de 2018. Foram 13 mil fichas assinadas, nove mil a mais do que a soma obtidas por todos os demais partidos. Mais de 90% das adesões se deu depois de março, quando Bolsonaro chegou ao PSL.

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09.08.18
ED. 5928

Os pontos em comum de Bolsonaro e Skaf

Após uma primeira e frustrada tentativa de aproximação, Jair Bolsonaro e Paulo Skaf voltaram a conversar. A interlocução tem sido conduzida pelo “diplomata” do capitão em São Paulo: o deputado Major Olímpio, presidente do PSL local. O que está em jogo é uma espécie de mutualismo entre órfãos eleitorais. Embora seja o líder nas pesquisas em São Paulo, como de resto em todo o Brasil, Bolsonaro não tem alianças no maior colégio eleitoral do país. Seu partido, o PSL, praticamente inexiste no estado. Sequer terá candidato. Na corrida pelo governo de São Paulo, Skaf, por sua vez, garantiria desde já o palanque de um presidenciável forte, algo que ele não terá, mesmo que a candidatura de Henrique Meirelles vá adiante. E, mesmo que vá, Skaf não tem o respaldo do magma do partido, leia-se, notadamente, Eliseu Padilha, Romero Jucá e Moreira Franco.

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08.08.18
ED. 5927

Pergunta à Janaína..

Janaína Paschoal já virou um fetiche na campanha de Jair Bolsonaro. Após a frustrada negociação para ter a “musa do impeachment” como vice, Bolsonaro quer anunciar Janaína como a futura ministra da Justiça em seu eventual governo. Talvez seja bom para Paulo Guedes, citado ad nauseam pelo capitão nos programas de TV, ganhar um descanso.

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01.08.18
ED. 5922

O elo perdido de Paulo Guedes para as privatizações

O economista Paulo Guedes, virtual ministro da Fazenda em um governo de Jair Bolsonaro, extrai sempre ideias criativas das suas caraminholas. Dessa última leva, uma proposta merece atenção especial. Guedes anunciou publicamente que quer privatizar todas as estatais – ou “metade que seja”, minimiza. Diz que levantaria um valor entre R$ 500 bilhões e R$ 700 bilhões. Mas como realizar o milagre? Vender essa miríade demoraria o tempo de um governo. Ou mais.

O pulo do gato do economista é embalá-las todas em um fundo, que seria trocado por dívida da União. As empresas passariam a ter gestão profissionalizada e governança no conceito corporation. A mágica de Guedes se dá toda dentro do governo, sem editais, leilões, várias instâncias reguladoras e demais burocracias. A receita do bolo contém só o valuation das companhias, a transferência das empresas para um fundo de estatais e o abatimento das cotas desse fundo da dívida pública bruta interna.

A privatização para valer, no melhor estilo Chicago University, se daria em um segundo momento, quando as cotas do fundo iriam a mercado. Nas contas do economista, a dívida poderia descer de 73% para algo na casa de 40%. Com a efetuação das reformas que foram adiadas, a exemplo da tributária e previdenciária, o Brasil desentortaria o seu ajuste fiscal passando a ter zero de déficit primário no orçamento. As contas permitiriam uma queda acentuada da Selic real, talvez para algo em torno de 3%. E a relação dívida bruta/PIB baixa e cadente permitiria a conquista de um ciclo virtuoso da economia. Parece ser simples e bom demais, para emergir da dupla Bolsonaro e Paulo Guedes. O RR não crê em brujas, pelo que las hay, las hay.

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31.07.18
ED. 5921

Âncora

Pré-candidato à Câmara, o ator Alexandre Frota se ofereceu para ser o apresentador do programete eleitoral de Jair Bolsonaro. Ou melhor: dos centésimos que sobrarem dos oitos segundos a que o Capitão terá direito na TV.

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27.07.18
ED. 5919

Quindins de Iaiá

O publicitário Eduardo Fisher é a noiva da vez dos políticos. Pelo menos três pré-candidatos ao Palácio do Planalto em busca de marqueteiro de campanha o sondaram: Henrique Meirelles, Jair Bolsonaro e Álvaro Dias.

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26.07.18
ED. 5918

Azeite e vinagre

O ex-diretor do BNDES, Darc Costa, estaria flertando com o capitão Jair Bolsonaro. Darc, que era apelidado no banco de Darth Vader, é egresso dos quadros da Escola Superior de Guerra (ESG). É difícil, contudo, imaginar qualquer análise combinatória com Darc, o embaixador informal da Bolívia e Venezuela no Brasil, e Paulo Guedes, o coordenador da campanha de Bolsonaro.

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25.07.18
ED. 5917

Pastas em extinção

O Ministério do Meio Ambiente não está sozinho. Se eleito, Jair Bolsonaro pretende também extinguir a Pasta dos Esportes, varrendo-a para algum canto do Ministério da Educação.

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20.07.18
ED. 5914

Janaína dançou?

Ontem, no fim da tarde, aliados de Jair Bolsonaro “vazavam” a informação de que a jornalista Joyce Hasselmann, que já atua na campanha do capitão, poderia ser indicada como candidata a vice em sua chapa. Parece coisa de fogo amigo. A dica era acompanhada da ressalva de que Joyce está em “guerra interna” com o deputado Major Olímpio, presidente do PSL em São Paulo

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17.07.18
ED. 5911

Bolsonaro vai ao campo

Jair Bolsonaro terá uma agenda cítrica na última semana de julho: é aguardado em Bebedouro (SP) para participar de uma das maiores feiras agrícolas do país. No evento, organizado pela Coopercitrus, Bolsonaro vai falar para uma plateia de ruralistas, notadamente produtores de laranja, com negócios na casa dos R$ 4 bilhões/ano. Trata-se de mais um movimento feito por Frederico D’Ávila, diretor da Sociedade Rural Brasileira, para aproximar o capitão do agronegócio. Será mais uma oportunidade para Bolsonaro desfiar seu discurso pela defesa da propriedade rural, contra os sem-terra e a favor do amplo armamento no campo.

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16.07.18
ED. 5910

Discreto

O empresário Josué Gomes da Silva, no seu estilo discreto, trabalha para distanciar o PR, seu partido, de Jair Bolsonaro.

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13.07.18
ED. 5909

Aproximação

Jair Bolsonaro vem tentando se aproximar de Luiza Helena Trajano. A dona do Magazine Luiza preenche dois vazios na campanha do capitão: é empresária e mulher.

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12.07.18
ED. 5908

Bolsonaro no Araguaia

O pré-candidato Jair Bolsonaro fará um périplo pela Região Norte a partir de hoje. O local escolhido para o início da viagem do “capitão”, por sinal, é repleto de simbolismo histórico: Bolsonaro estará em Marabá e Parauapebas, no Pará, cidades localizadas na região onde se deu o confronto entre as Forças Armadas e a Guerrilha do Araguaia.

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10.07.18
ED. 5906

Costurando uma visita

Com a devida escolta do onipresente Paulo Guedes, Jair Bolsonaro está costurando uma visita a bancos de investimento em Nova York para agosto.

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05.07.18
ED. 5903

Paulo Guedes alista empresários na campanha de Bolsonaro

O economista Paulo Guedes foi encarregado da missão de atrair os empresários para a candidatura de Jair Bolsonaro. Guedes é o assessor econômico do capitão. Ele tem se reunido com líderes empresariais pesos-pesados, notadamente de São Paulo. Guedes sabe que os dirigentes de grandes corporações tendem a apoiar o PSDB, o partido da iniciativa privada oligárquica. Para demover essa preferência, o economista tem usado uma moeda de troca valiosa: se os empresários institucionalizarem a campanha de Bolsonaro, terão participação expressiva no futuro governo. A julgar pelo discurso do economista e ex-sócio do Banco Pactual, noves fora a intenção golpista, a articulação eleitoral de Jair Bolsonaro lembra à distância a conspiração do pré-64. À época, empresários e militares se juntaram para a tomada do Estado, com um projeto econômico ortodoxo. Hoje, não consta que haja militares cogitando qualquer intervenção autoritária. Pelo contrário! Os oficiais que comporão a maioria de um eventual governo Bolsonaro virão da reserva das Forças Armadas. Mas é bom que, mesmo por cautela, os detentores do capital se lembrem de 1964. Os empresários que financiaram o golpe e um projeto amplo de reforma do Estado, achando que participariam do governo, foram devidamente rifados. O combinado saiu caro.

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04.07.18
ED. 5902

O jogo já começou

O TSE já contabiliza 11 processos por propaganda antecipada de pré-candidatos à Presidência. A maior parte, oito deles, contra Lula ou Jair Bolsonaro.

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28.06.18
ED. 5898

Lula fixa o piso da candidatura Haddad

Lula disse “que pensaria” na hipótese de descartar sua candidatura e indicar Fernando Haddad para substitui-lo caso o ex-prefeito de São Paulo alcance 15% do eleitorado nas pesquisas de julho. O percentual deixaria Haddad acima de Marina Silva e em condições de ser o grande adversário de Jair Bolsonaro. Na última pesquisa da XP Investimentos, Fernando Haddad estava empatado com Marina, em 12%, nas duas primeiras semanas de junho. Se Lula não se posicionar mais rapidamente, corre o risco de ver desinflar o seu portfólio pessoal de votos e reduzir a capacidade de transferi-los. A informação é de um dos escudeiros com acesso ao ex-presidente, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba.

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26.06.18
ED. 5896

O “Brasil profundo” de Bolsonaro arrepia

A defesa da pena de morte que Jair Bolsonaro vem fazendo tem amparo popular. O candidato realizou pesquisa sobre a receptividade das suas propostas de campanha mais polêmicas. A tese da pena de morte recebeu aprovação de 68% dos entrevistados. Esse é o “Brasil profundo” que Bolsonaro afirma conhecer melhor do que os concorrentes. Dá até um calafrio na espinha imaginar quais as outras perguntas da pesquisa e as respostas do nomeado “Brasil profundo”.

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26/06/18 9:48h

douglasvalverde

disse:

Nossa constituição atual não permite a pena de morte. Como dito no final da matéria a reportagem não teve acesso as demais perguntas, portanto escreve sobre o que ouviu dizer, o que caracteriza baixa capacidade investigava do relatório reservado.

19.06.18
ED. 5891

Bolsonaro dois a zero

O staff do capitão Jair Bolsonaro já está encomendando as cervejas e os salgadinhos para comemorar. Nesta semana, antes do jogo da seleção brasileira, na sexta-feira, serão divulgadas três pesquisas: Ipsos (hoje), de avaliação da imagem dos políticos e não de intenção de voto; Paraná Pesquisas (também hoje), intenção de voto, mas somente para São Paulo; e XP/Ipespe (21/06), intenção de voto para presidente em nível nacional. O “Bolso” acha que fatura as duas pesquisas para presidente.

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18.06.18
ED. 5890

Supremo se veste de Justiça Eleitoral e decide as regras do jogo para o pleito de outubro

O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se o grande árbitro das eleições de outubro – como de resto, de quase tudo na República. Com o consentimento do próprio TSE, o STF tem promovido uma espécie de take over da Justiça Eleitoral, assumindo o papel
de definidor das regras do jogo. Prova disso é a mobilização que a presidente da Suprema Corte, Cármen Lucia, tem feito junto a seus pares para acelerar a votação da pauta eleitoral que está parada no STF. O RR apurou que a meta fixada pela ministra é julgar até 10 de agosto – uma semana após o retorno do recesso do Judiciário e seis dias antes do início oficial da campanha – as seis ações pendentes no STF que podem virar de ponta-cabeça a disputa entre os candidatos.

Na verdade, seis ações que devem virar sete. Na última terça-feira, o senador Romero Jucá protocolou no TSE consulta sobre a possibilidade de partidos de uma mesma coligação lançarem individualmente candidatos ao Senado – sob a a alegação de que se trata de eleição majoritária, tal qual para governador e presidente da República. A tendência é que o presidente do Tribunal, ministro Luiz Fux, empurre a questão para o STF, como tem feito sucessivamente com outras pautas. De acordo com informações filtradas do STF, até pela complexidade das pautas, aquelas com maior impacto sobre a disputa eleitoral deverão ser justamente as últimas a serem julgadas. São as que tratam da divisão do tempo de TV e das regras para o autofinanciamento de campanha.

No primeiro caso, entre os partidos há uma percepção de que o Supremo está inclinado a alterar as regras atuais e considerar a atual bancada como critério para fixar o tempo a que cada partido terá direito na propaganda gratuita. Hoje, o que vale é a proporção das siglas no Congresso na eleição de 2014. Se a chave for virada, siglas como o DEM e o PSL, de Jair Bolsonaro, seriam as grandes favorecidas. Ambas tiveram a maior captação de parlamentares na última janela partidária, encerrada em abril.

Pela regra em vigor, tomando-se como base apenas a bancada do PSL, sem contabilizar as coligações, Bolsonaro terá apenas um segundo em cada bloco de propaganda e somente duas inserções ao longo da semana. Será praticamente uma vinheta a dividir o programa de seus concorrentes. Se o STF mudar a legislação, o Capitão iria para 11 segundos e 14 programetes por semana. Entre os partidos, a proposta de mudança nas regras de autofinanciamento já ganhou a alcunha de “Emenda Meirelles”, uma referência à notória prosperidade patrimonial do ex-ministro Henrique Meirelles.

Hoje, o candidato só pode financiar sua campanha no limite de 10% dos seus rendimentos brutos no ano anterior. Um dispositivo aprovado no Congresso, mas vetado por Michel Temer, permite que que o candidato banque integralmente suas despesas. Em tempo: ressalte-se que, nas seis ações em curso na Corte, qualquer decisão do STF que altere as regras do pleito não configurará alteração na Lei Eleitoral, mas, sim, mudança na interpretação da Constituição. Por esta razão, terão efeito já em outubro, não precisando aguardar pelo prazo de um ano, aplicado a emendas na legislação eleitoral.

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14.06.18
ED. 5888

O baiano e o capitão

Há indícios de que Nizan Guanaes, o profeta que previu a vitória de Jair Bolsonaro no primeiro turno, fará o marketing de campanha do candidato da extrema direita. De olho no bolso do “Bolso”, Nizan considera o capitão “um Dorflex para as dores do Brasil”.

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11.06.18
ED. 5885

Janaina perde altitude

Cotada, inicialmente, para ser candidata vice na chapa de Jair Bolsonaro ou concorrer ao governo paulista, Janaina Paschoal deverá ter uma missão mais modesta dentro do PSL. O mais provável é que a “musa” da direita no impeachment de Dilma Rousseff dispute uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo.

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08.06.18
ED. 5884

Fogo amigo contra Josué

Mal saiu do chão, o balão de ensaio da candidatura de Josué Gomes da Silva já é soprado para longe pelo seu próprio partido, o PR. O líder da legenda, Valdemar da Costa Neto, tem conversado simultaneamente com Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes. Na hora certa, deverá pular no zeppelin que estiver voando mais alto.

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06.06.18
ED. 5882

Bolsonaro enche de afagos os extremos da pirâmide eleitoral

A ordem na campanha de Jair Bolsonaro é conquistar os polos do eleitorado – de acordo com as pesquisas onde se concentram as maiores barreiras a sua candidatura. Se, de um lado, Bolsonaro acena às classes mais baixas, com a promessa de uma carta de princípios em defesa do Bolsa Família e dos demais programas sociais, do outro vai intensificar a interlocução com o andar de cima,
leia-se o empresariado. Segundo o RR apurou, a partir da segunda quinzena de junho o candidato do PSL vai anunciar, seguidamente, “programas de governo” específicos para diferentes setores da economia.

A ideia é disparar ao menos um petardo por semana, sempre em apresentações feitas pelo próprio Bolsonaro a empresários do segmento em questão. De acordo com informações filtradas do QG de campanha do Capitão, os dois primeiros setores contemplados deverão ser o agronegócio e a área de construção. Um dos objetivos dos seus estrategistas de é desarmar algumas das críticas mais contumazes desferidas contra o candidato: a de que ele faz uma campanha quase monocórdica, praticamente concentrada na agenda da segurança, e de que não tem profundidade nos assuntos que aborda, notadamente na esfera econômica.

A intenção dos assessores Bolsonaro é realizar uma blitzkriegde forte impacto midiático, casando o anúncio de cada pacote de propostas com uma entrevista à imprensa. As recentes pesquisas têm mostrado o crescimento de Jair Bolsonaro em todos os estratos sociais. Ainda assim, a maior parte de seus eleitores segue concentrada no intervalo de cinco a dez salários mínimos – sua intenção de votos nessa faixa chega a 30%. Por isso, o empenho do seu staff de campanha em avançar nos dois polos do eleitorado. Em relação ao topo, dois nomes têm se notabilizado na construção de pontes entre o candidato do PSL e o empresariado: Meyer Nigri e Frederico D´Ávila.

Não por coincidência, ambos representam os dois primeiros setores que serão abordados por Bolsonaro.Nigri, fundador da Tecnisa, tem ciceroneado o Capitão em encontros com aelite paulistana. Segundo o RR apurou, está previsto para daqui a duas semanas um jantar de adesão de empresáriosà candidatura de Bolsonaro, quando ele deverá anunciar a primeira versão do seu programa econômico, assinado por Paulo Guedes. D´Ávila, por sua vez, tem sido o semeador da candidatura de Bolsonaro junto ao agronegócio e, desde já, é dado como pule de dez para o Ministério da Agricultura em caso de vitória do presidenciável nas eleições. Irmão do cientista político Luiz Fernando D´Ávila, coordenador da campanha de Geraldo Alckmin, Frederico D´Ávila é diretor da Sociedade Rural Brasileira.

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04.06.18
ED. 5880

Bolsonaro ao alvo

A campanha de Jair Bolsonaro está discutindo a realização de um evento esportivo em São Paulo para promover sua candidatura. Parece até piada pronta, mas a ideia que ganha força é a de um torneio de tiro. Mais simbólico e popular junto ao eleitorado de Bolsonaro, impossível.

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01.06.18
ED. 5879

Regulação da mídia

Jair Bolsonaro já iniciou seu projeto de “regulação da mídia”. O pré-candidato tem um índex de jornalistas para os quais não dá entrevista e sequer autoriza o envio da sua agenda de campanha.

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29.05.18
ED. 5877

Tiroteio na base aliada de Bolsonaro

Alguns dos principais grupos de apoio de Jair Bolsonaro travam um duelo entre si. Policiais, militares, bombeiros, líderes evangélicos e maçons abrigados no PSL, a casamata partidária de Bolsonaro, disputam o direito de indicar um número maior de candidaturas ao Legislativo. Só em São Paulo há mais de 30 pré-candidatos ligados às Forças Armadas e à PM e outro tanto vinculado a igrejas evangélicas. Vagas até existem, o problema é como financiar toda essa tropa. Com apenas oito deputados federais, incluindo o próprio Bolsonaro, o PSL terá direito a uma fatia bem fininha do fundo partidário. A missão de aplainar as arestas foi entregue ao deputado Major Olímpio, presidente do PSL-SP. A julgar pelo estilo do Major, é mais fácil ele colocar ainda mais pólvora no paiol.

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25.05.18
ED. 5875

Bolsonaro atropela seu partido

O PSL parece fadado a servir apenas de hospedagem eleitoral para Jair Bolsonaro. Dois meses após a sua filiação, o Capitão ainda não “entrou” no partido. Sua interlocução com os líderes da sigla, incluindo Luciano Bivar, presidente do PSL, é praticamente nula. Tudo que diz respeito a sua campanha passa exclusivamente pelas mãos de seus fi lhos – Flavio, Eduardo e Carlos Bolsonaro – além do economista Paulo Guedes, seu virtual ministro da Fazenda. Será que alguém no PSL esperava algo diferente?

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17.05.18
ED. 5869

Bolsonaro abusará do “marketing mata-leão”

O que, para qualquer outro candidato, seria um terrível antimarketing, no caso de Jair Bolsonaro se torna uma propaganda valiosa. A fama de brigão será explorada ao máximo possível em sua campanha. Pesquisas recém-chegadas ao seu comitê mostram que a reputação de “durão”, “agressivo” e “pit bull” lhe traz mais bônus do que ônus: não tem só ajudado a galvanizar seu eleitorado fiel como a atrair indecisos numa escala maior do que as intenções de voto eventualmente deixadas pelo caminho. A imagem de Bolsonaro será cada vez mais associada ao combate, de forma a valorizar o seu jeito “brawler” de ser.

Vale tudo para reforçar o “marketing do octagon”, inclusive recorrer aos próprios profissionais do ramo: uma das ideias é atrair famosos lutadores de UFC como garotos-propagandas de Bolsonaro. Os primeiros golpes dessa estratégia de campanha foram ensaiados no último sábado. Eram pouco mais de 23 horas, quando o homem de camisa social azul para fora de calça, escoltado por seguranças e assessores, irrompeu por uma das entradas  laterais e ganhou vagarosamente o piso central da Jeunesse Arena, no Rio. Mal conseguiu andar diante da aglomeração que instantaneamente se formou ao seu redor.

Bastaram poucos segundos para que os urros de “Mito!” e “Uh, é Bolsonaro” revoassem pelo ginásio, abafando as vaias que espocavam aqui e ali. Entre as redes do octagon, Lyoto Machida e Vitor Belfort, que fazia a última luta da sua carreira, viraram mero detalhes, dois engaiolados perdidos na paisagem. Naquele momento, Bolsonaro tornava-se a grande estrela do UFC 224.  Acomodado na quinta fileira de trás pra frente entre as cadeiras dispostas na área VIP, Bolsonaro passou boa parte do tempo acenando para o público e disparando autógrafos. Ali, o capitão estava em casa. Pouco mais de 20 minutos depois, deixou o local para se instalar em um setor reservado. O evento, cuidadosamente organizado nos mínimos detalhes, não suportava duas atrações simultâneas. Bolsonaro já havia ganho o cinturão da noite, além de milhares de posts nas redes sociais e preciosas imagens para seus programas de campanha.

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04.05.18
ED. 5860

Bolsonaro não quer saber de Índio

Índio da Costa tem buscado o apoio de Jair Bolsonaro a sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro. O Capitão, no entanto, recusa a aproximação. No seu entendimento, tem mais a perder do que a ganhar com a aliança. Qualquer crescimento de Índio de Costa, do PSD, ajudaria a dar fôlego no Rio ao candidato à Presidência apoiado pelo partido – seja ele Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles ou mesmo Michel Temer.

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24.04.18
ED. 5853

Nobel de medicina

Paulo Guedes quer voltar à PUC-Rio, não exatamente como professor, mas como sócio. O virtual ministro da Fazenda de Jair Bolsonaro fez uma oferta para se associar à universidade na montagem de uma faculdade de medicina. A primeira proposta foi descartada pela direção da PUC-Rio, mas Guedes prepara nova ofensiva. “Paulinho” e o sócio Júlio Bozano uniram-se ao empresário Elie Horn, dono da Cyrela, em um fundo para a área de saúde. Com cerca de R$ 800 milhões em carteira, o trio tem como objetivo criar uma rede de escolas de medicina e comprar ativos no setor hospitalar. No ano passado, adquiriu o Hospital São Lucas, em Ribeirão Preto (SP).

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O apresentador Ratinho tem ajudado Jair Bolsonaro a construir pontes com a classe artística. Padrinho por padrinho, trata-se de upgrade em relação a Alexandre Frota.

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13.04.18
ED. 5846

Suspense total

A pesquisa Datafolha do fim de semana trará respostas a algumas questões chave da disputa presidencial:

. O coeficiente eleitoral de Lula após a prisão;

. As intenções de voto de Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Marina Silva;

. O percentual dos votos em Joaquim Barbosa;

. A mudança ou não do viés de baixa de Geraldo Alckmin.

. Os dados estatísticos de Henrique Meirelles, Rodrigo Maia e Michel Temer não são relevantes.

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10.04.18
ED. 5843

O pito do capitão Bolsonaro

O reduzido público na manifestação a favor da prisão de Lula, na última quinta-feira, em Brasília, ainda repercute na campanha de Jair Bolsonaro. O capitão põe a culpa pelo baixo quórum – cerca de 1,5 mil pessoas – na conta do PSL, que não teria conseguido mobilizar filiados e os milhares de seguidores de Bolsonaro.

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28.03.18
ED. 5835

Sólidas pontes

O construtor Meyer Joseph Nigri, dono da Tecnisa, tem erguido sólidas pontes entre o candidato Jair Bolsonaro e a comunidade judaica.

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23.03.18
ED. 5832

Uma cruzada anti-Ciro Gomes

Ciro Gomes foi variável decisiva na reaproximação entre Jair Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia. Ambos estavam rompidos desde o ano passado, quando o capitão decidiu deixar o Partido Social Cristão (PSC), o que lhe rendeu, à época, duras críticas do líder religioso. O pragmatismo fechou a cicatriz. Além da chance real de um representante da extrema direta no segundo turno, o potencial de crescimento da candidatura do pedetista contribuiu para amalgamar a coalizão político-religiosa. O “risco Ciro” foi amplamente discutido nas conversas entre Bolsonaro e Malafaia, intermediadas pelo senador Magno Malta. O pedetista pode até não vir a ser o “ungido” por Lula, caso, como tudo indica, o ex-presidente fique alijado da corrida eleitoral. Mas é visto por Bolsonaro e pela bancada
da fé que o cerca, a começar pelo próprio Malta, como o nome do campo da esquerda a ser combatido desde já. Nas conversas entre o candidato e Malafaia, chamou a atenção a ausência do nome de Lula como o outro “anticristo”. Tribuna não faltará a Jair Bolsonaro. Malafaia emprestará ao capitão seu poder de influência e alcance nas redes sociais: são dois milhões de seguidores no Facebook, 1,3 milhão no Twitter e 350 mil em seu canal no YouTube. Há ainda os 112 templos da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Por enquanto. Amanhã, Malafaia inaugura uma nova filial no Rio de Janeiro.

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22.03.18
ED. 5831

Sem graça

O discretíssimo octogenário Julio Bozano, lenda viva da banca nacional, não acha nenhuma graça na agitação do sócio Paulo Guedes com a campanha de Jair Bolsonaro.

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16.03.18
ED. 5827

La meme chose

A julgar pelo programa de campanha – uma agenda liberal com ênfase em uma ampla privatização – o Partido Novo, de João Amoedo e Gustavo Franco, segue o Partido Social Liberal, de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes.

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15.03.18
ED. 5826

#Parabénscapitão

A campanha de Jair Bolsonaro quer fazer da próxima quarta-feira, dia 21, quando o candidato completará 63 anos, uma sonora demonstração da sua força junto ao eleitorado. A meta é alcançar um milhão de posts, curtidas e compartilhamentos nas redes sociais alusivos ao aniversário do capitão.

Jair Bolsonaro está burilando com carinho sua estratégia para as eleições ao governo do Rio, seu reduto. Trabalha com dois cenários. O primeiro, uma chapa puro-sangue, , com o lançamento da candidatura de seu filho, Flavio Bolsonaro. A alternativa é o apoio a um candidato de outro partido, sacrificando o rebento em nome de uma aliança nacional. O nome, neste caso, seria o de Índio da Costa, do PSD.

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