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Acervo RR
Não satisfeita em carregar a pecha de um dos grandes micos da história recente das Bolsas de Valores e do setor de agribusiness, a Agrenco tornou-se um sanguinolento ringue societário. De um lado, está o empresário Antonio Iafelice, principal acionista da Agrenco Holding; do outro, o consultor Nelson Bastos, da antegra, enfiado goela abaixo dos sócios majoritários por imposição dos credores. As cenas a seguir são descritas por um importante private equity, acionista minoritário da empresa. Nos últimos dias, a pancadaria se intensificou, com golpes quase sempre abaixo da linha de cintura. Iafelice não se conteve em esperar pelo dia 20 de setembro, data para a qual convocou uma assembleia de acionistas com o declarado objetivo de expurgar Bastos e, consequentemente, romper o acordo com a antegra. A menos de um mês da reunião, tem procurado credores e minoritários na tentativa de desqualificar a atual gestão, inclusive levantando dúvidas sobre as reais intenções e procedimentos de Nelson Bastos. De acordo com a mesma fonte, Iafelice tem batido na tecla de que a antegra não estaria trabalhando pela reestruturação financeira da Agrenco, tarefa para a qual foi contratada, mas sim única e exclusivamente com o interesse de acelerar a venda dos ativos da companhia, pela qual receberia generosas comissões. Paralelamente, Iafelice entrou com um recurso na CVM alegando haver conflito de interesses no duplo chapéu usado por Bastos, ao mesmo tempo integrante do Conselho de Administração e sócio da antegra. O fundador da Agrenco ensaia também um cruzado no queixo do desafeto. Tem se movimentado para tentar por vias judiciais o afastamento de Bastos e da antegra Consultoria independentemente do resultado da assembleia prevista para 20 de setembro. Segundo a fonte ouvida pelo RR – Negócios & Finanças, na tentativa de angariar o apoio de credores e minoritários, Antonio Iafelice garante que nos próximos dias conseguirá captar recursos que assegurariam o capital de giro da Agrenco até o fim do ano. Afirma que tem investidores dispostos a aportar recursos na empresa. Só não diz o nome do santo e o tamanho do milagre. Apenas para retomar a produção na usina de soja do Alto Araguaia (MT), estima-se que a companhia precise de R$ 60 milhões. Curiosamente, o empresário não ignora a rejeição que seu nome provoca entre acionistas e instituições financeiras. Em todas as conversas, afirma que não voltará a presidência da empresa caso consiga defenestrar a antegra. Promete contratar um executivo para tocar o negócio. As promessas de Antônio Iafelice são tratadas com escárnio entre alguns dos principais credores e pela própria equipe de Nelson Bastos. Os “novos investidores” alardeados por Iafelice são vistos pela antegra como um grande blefe. A rigor, a própria situação da Agrenco praticamente impede a eventual chegada de um novo sócio e, principalmente, a obtenção de empréstimos pela falta de garantias. A maior parte dos ativos está vinculada a recuperação judicial. De acordo com a mesma fonte, assim como Iafelice, a antegra também tem suas promessas. Aos credores garante que a Agrenco está correndo para obter o nada consta da Receita Federal e o Selo Social do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Desta forma, a companhia ainda conseguiria participar do leilão de biodiesel da ANP, que começa hoje e vai até a próxima sexta-feira.
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