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Acervo RR
A Anhanguera Educacional é uma sala de aula dividida ao meio por um risco de giz. De um lado, estão sentados os sócios financeiros, capitaneados pelo Pátria Investimentos; do outro, o antigo controlador, Antonio Carbonari Netto, que permanece no negócio como acionista minoritário. Seriam crescentes os desentendimentos relacionados a destinação dos lucros da companhia. Maior acionista individual da Anhanguera, o Pátria acha que está mais do que na hora de se remunerar e recuperar boa parte do investimento no negócio. Para isso, defende uma política de distribuição de dividendos cada vez mais generosa. Tem a seu lado outros investidores de peso, a começar pela gestora de recursos norte-americana BlackRock. Esbarra, no entanto, na resistência de Carbonari. Presidente do Conselho de Administração, o empresário prega a cartilha da expansão da rede de ensino que criou em 1994, leia-se a manutenção da agressiva estratégia de aquisições que tem caracterizado a Anhanguera nos últimos anos. Oficialmente, os sócios da Anhanguera cantam no mesmo tom. No fim do ano passado, a empresa anunciou a decisão de puxar o freio de mão nos investimentos em aquisições ao longo de 2013 em prol de uma farta distribuição dos lucros. No entanto, segundo fontes ligadas a empresa, o duelo nos bastidores é intenso. Não obstante a posição de minoritário, Carbonari teria usado de toda a sua influência e poder junto a outros acionistas para que a companhia, ao menos, concretize negociações já engatilhadas. Diga-se de passagem que sua capacidade de finalização aumentou bastante com a tabelinha feita com o presidente da empresa, Ricardo Scavazza, curiosamente egresso do Pátria. Em janeiro, a Anhanguera desembolsou R$ 18 milhões pelo Instituto Excelência, de Salvador. Não deve ficar nisso. De acordo com as mesmas fontes, estão em curso tratativas para a aquisição de outra rede de ensino no Nordeste, um negócio que giraria em torno de R$ 15 milhões. A se confirmar a nova investida, significa dizer que, ainda no primeiro trimestre, a Anhanguera poderá consumir praticamente todos os recursos originalmente reservados para aquisições em 2013 – algo em torno de R$ 40 milhões. Para o Pátria Investimentos, já está de bom tamanho. A instituição promete usar seu peso de maior acionista para fazer valer o que foi acertado no fio de bigode no fim do ano passado: a divisão de até 25% dos dividendos em 2013. Procurada, a Anhanguera não quis comentar o assunto.
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