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Acervo RR
A Agropalma está prestes a passar por uma reengenharia genética. O Grupo Alfa, de Aloysio Faria, pretende mudar o DNA operacional da companhia, conferindo um novo e valioso status a subsidiária. Hoje restrita ao segmento de biodiesel, leia-se o processamento de óleo de palma, a Agropalma vai se tornar uma holding, com ramificações em vários outros setores do agronegócio. A biodiversidade é ampla. A empresa deverá investir no cultivo de plantas com fins industriais e também no processamento e exportação destas matérias-primas. O plano estratégico prevê ainda a instalação de um laboratório de pesquisas de engenharia genética. O cardápio de novos negócios inclui também a entrada na produção de etanol. O objetivo do Grupo Alfa é aproveitar as sinergias na distribuição de álcool e biodiesel. Até porque, não obstante o ousado e dispendioso projeto de diversificação, a Agropalma não vai deixar de lado seu negócio original. Muito pelo contrário. Segundo uma das fontes ouvidas pelo RR, a companhia planeja construir quatro usinas de extração e processamento de óleo de palma. Procurada, a Agropalma negou a instalação de quatro unidades de biodiesel. A empresa não se pronunciou em relação aos demais investimentos. O upgrade da Agropalma deixará a empresa em condições de disputar novos segmentos de mercado, de valor agregado mais alto – na maioria dos casos, batendo de frente com grupos estrangeiros. Segundo fontes familiarizadas com a empresa, as cifras são superlativas. Na companhia, fala-se em investimentos de até R$ 800 milhões. Dinheiro, não é problema – como, aliás, nunca foi em se tratando de uma corporação controlada por um dos homens mais ricos do país, caso de Aloysio Faria. Além disso, a Agropalma já surge como forte candidata a buscar recursos no âmbito do “Inova Empresa”, programa recém-anunciado pela presidente Dilma Rousseff, que prevê o desembolso de mais de R$ 32 bilhões para investimentos ligados a s áreas de pesquisa e desenvolvimento. A companhia tem tudo o que o governo espera: projetos, lastro financeiro e conhecimento. Em tempo: não há como falar da expansão da Agropalma e ignorar o constante assédio de grupos internacionais sobre a empresa. No passado recente, a norte-americana ADM, por exemplo, já teria feito duas investidas. Portanto, o upgrade da empresa deixa uma pergunta no ar: Aloysio Faria e seus herdeiros estariam realmente empenhados em criar uma grande empresa nacional de biotecnologia e até fortalecer o negócio contra o assédio de investidores estrangeiros ou, no caminho oposto, apenas dourando a pílula para uma eventual venda do controle.
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