Futuro da Santher é uma folha de papel em branco - Relatório Reservado

Acervo RR

Futuro da Santher é uma folha de papel em branco

  • 22/03/2013
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Não há biruta capaz de acompanhar a direção dos ventos que empurram a Santher. Como se não bastassem as súbitas mudanças de gestão nos últimos anos, as dúvidas agora envolvem o próprio futuro societário da empresa. A retomada do processo de profissionalização da gestão, anunciada no início deste ano, poderá ir além das fronteiras administrativas. Seria um preparativo para a venda de parte do capital ou até mesmo do controle da companhia. De acordo com informações obtidas junto a  Santher, o principal defensor da operação seria Fabio Haidar, presidente do Conselho de Administração e um dos mais influentes acionistas da empresa. A possibilidade de entrada de um novo sócio – para ficar na hipótese menos drástica – teria, inclusive, gerado uma divisão na família, segundo fontes próximas aos Haidar. O principal antagonista de Fabio neste enredo seria seu primo Plinio Haidar Filho, que, por sinal, está deixando a presidência executiva da empresa. Em abril, Ricardo Botelho, ex-Femsa, vai assumir a gestão executiva da Santher. Caso os acionistas realmente se decidam pela venda de parte do capital, Botelho terá uma dupla missão. Além da tarefa de preparar a empresa para o desembarque de um novo sócio, sua presença é cercado de enorme valor simbólico junto aos potenciais investidores. Poderá funcionar como uma oportuna e conveniente demonstração de aperfeiçoamento das práticas de governança corporativa da Santher. Neste quesito, a imagem da companhia junto ao mercado está manchada pelas mudanças no modelo de gestão. Entre 2003 e 2010, os Haidar apostaram em uma administração profissionalizada. Ao menos, da porta para fora, dizem fontes ligadas a  Santher. Nesse período, três executivos passaram pela presidência, mas todos teriam sucumbido a s ingerências dos acionistas. Em 2010, a família dispensou a presença de intermediários e reassumiu o comando. Agora, caberá a Ricardo Botelho mostrar aos investidores que os tempos são outros. Abrir as portas da Santher a um forasteiro sempre foi uma espécie de tabu entre a família Haidar. As resistências são grandes, notadamente entre as gerações mais antigas. No entanto, a recente performance da empresa só ajuda a reforçar os argumentos dos acionistas favoráveis a  negociação. Está difícil para a fabricante de papel reencontrar o caminho do lucro. No ano passado, entre janeiro e setembro, a Santher registrou prejuízo de R$ 31 milhões. A este valor, somam-se as perdas acumuladas em 2010 e 2011, superiores a R$ 90 milhões. Consultada pelo RR, a Santher negou “veementemente a intenção de abrir seu capital com a retomada da profissionalização de sua gestão” Garantiu ainda que o “retorno a  profissionalização diretiva” já estava definido pelos acionistas e pelo Conselho desde 2010, após a reestruturação de suas operações. A empresa não se manifestou em relação a eventuais discordâncias entre os sócios.

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