Karoon busca recursos até no fundo de seus poços - Relatório Reservado

Acervo RR

Karoon busca recursos até no fundo de seus poços

  • 20/03/2013
    • Share

O pré-sal é o oásis de uns e a miragem de outros. A petrolífera australiana Karoon, que chegou ao Brasil com a expectativa de mergulhar em um mar de lucros, vive momentos de aridez. Dona de cinco blocos de exploração e produção, a empresa tem encontrado dificuldades para capitalizar sua operação e acelerar o ritmo de investimentos no país. Após a frustrada tentativa de IPO na BM&F Bovespa em 2010, os australianos pareciam decididos a ressuscitar a abertura de capital neste ano. Pareciam. Segundo informações obtidas junto a  companhia, até agora não há qualquer movimento ou sinal de retomada da operação. Entre os próprios executivos da Karoon, a começar pelo número 1 do grupo na América do Sul, Tim Hosking, a percepção é que, diante das condições dos mercados mundiais, a empresa não conseguirá chegar nem perto do valor de US$ 1 bilhão que pretendia captar em 2010. Sem o IPO e diante da política de investimentos cada vez mais austera da matriz, todos na Karoon Brasil se perguntam de onde sairão os recursos necessários para a manutenção de seu plano estratégico – cerca de US$ 800 milhões até 2015? Os dirigentes da companhia até têm a resposta na ponta da língua, mas a solução mais factível para esta equação vem acompanhada de um problema. O caminho natural para a Karoon fazer caixa e aumentar sua capacidade de investimentos no Brasil é a venda de parte de suas ações no consórcio formado com a canadense Pacific Rubiales Energy, desde setembro do ano passado sua sócia em quatro blocos na Bacia de Santos. Já existem conversas neste sentido. No entanto, para cada casa que avançam, as duas empresas recuam dois passos, Hoje, os canadenses detêm 35% da sociedade. Ciente das limitações financeiras dos australianos, a Pacific Rubiales faz pressão para comprar mais 16% do capital e, desta forma, assumir o controle do consórcio. A Karoon resiste. Aceita, no máximo, dividir a operação meio a meio. O impasse coincide com um momento crucial para a Karoon no Brasil. No início deste ano, a empresa encontrou petróleo no bloco Canguru, em Santos. A definição da viabilidade comercial da operação depende agora de investimentos intensivos. Ainda neste ano, a empresa australiana pretende iniciar também os trabalhos de perfuração em mais dois dos blocos que controla e opera no país. Procurada, a Karoon disse que “está concentrada em sua campanha exploratória” e que não tem planos de vender novas ações a  Pacific Rubiales.

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima