BlackRock é um inquilino do barulho na Cyrela - Relatório Reservado

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BlackRock é um inquilino do barulho na Cyrela

  • 14/03/2013
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Elie Horn, fundador e principal acionista da Cyrela, tem a sensação de estar enclausurado em um cubículo sempre que divide a sala com os executivos do BlackRock. E a recíproca é verdadeira. Está cada vez mais difícil abrigar o empresário e os norte-americanos sob o mesmo teto. Dono de 5,38% da Cyrela, o private equity estaria fazendo ferrenha oposição a  gestão de Horn. O principal motivo seria o duplo chapéu usado por ele, que acumula a diretoria- executiva e a presidência do Conselho de Administração. Aos olhos do BlackRock, o empresário centralizou o poder e alijou os principais minoritários das decisões estratégicas, jogando a governança corporativa para um quartinho nos fundos da construtora. Os norte-americanos preparam o contra-ataque. Estariam se movimentando para comprar a participação de outros acionistas e ganhar vários metros quadrados no capital e na administração da Cyrela. Um dos principais alvos do BlackRock seria a fatia pertencente a  Tarpon Investimentos, dona de aproximadamente 7% das ações ordinárias. Procurada, a Cyrela informou que “não comenta especulações de mercado”. Alguns indicadores financeiros e operacionais da Cyrela têm ajudado a azedar ainda mais as relações entre o BlackRock e Elie Horn. É bem verdade que, entre janeiro e setembro do ano passado, o lucro da companhia subiu quase 30% em relação ao mesmo período em 2011. No entanto, o crescimento da empresa trouxe a reboque um indesejável inquilino: o aumento do passivo. Em pouco mais de dois anos, a dívida bruta saiu de R$ 3,5 bilhões para quase R$ 4,5 bilhões. Para uma empresa com um patrimônio de R$ 5,5 bilhões, a situação ainda é razoavelmente confortável. No entanto, na avaliação dos norte- americanos, a expansão da empresa neste período não justificou o crescimento do passivo. Outro fator de descontentamento do BlackRock é o desempenho da Living, braço do grupo voltado para a população de baixa renda. Nos nove primeiros meses de 2012, o Valor Geral de Vendas (VGV) decorrente de lançamentos caiu 11% na comparação com o mesmo intervalo no ano anterior.

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