Lenovo aposta suas fichas no "bug" da Positivo - Relatório Reservado

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Lenovo aposta suas fichas no “bug” da Positivo

  • 22/02/2013
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A aquisição da CCE não saciou, nem de longe, o apetite da Lenovo. Os chineses estão mais famintos do que nunca para ficar com o controle da Positivo Informática, seu eterno sonho de consumo no Brasil. Mas agora, em vez do ímpeto que sempre marcou suas investidas sobre a companhia paranaense, o grupo asiático acredita que o tempo é o seu maior aliado. Alguns executivos da própria Lenovo chegam a dizer, em tom de blague, que, se esperarem um pouco mais, comprarão a Positivo pelo preço de um chip. Pode ser uma soberba descarada, mas os chineses desdenham da reestruturação em curso na fabricante brasileira – não obstante o lucro de R$ 20 milhões acumulado entre janeiro e setembro de 2012, depois de um prejuízo de quase R$ 70 milhões no ano anterior. Segundo o RR apurou, a Positivo passa por um intenso período de ajustes. Entre as medidas, estariam cortes de despesas, sobretudo nas áreas administrativa e de vendas, redução de investimentos, notadamente em marketing, e uma estratégia de lançamentos bastante cautelosa. Para retornar ao azul, a empresa teria também adotado uma política de formação de preços mais rígida do que o habitual, inclusive com o aperto dos descontos para o varejo ? o que, aliás, estaria lhe rendendo alguns atritos com velhos parceiros comerciais. Procurada pelo RR, a Positivo negou qualquer problema com redes varejistas e afirmou que não há negociações para a venda do controle. Em relação a custos e investimentos, informou que “de fato, tem avaliado constantemente sua estrutura e dimensão nos últimos dois anos” Segundo informações obtidas junto a  própria Lenovo, os chineses têm acompanhado com lupa cada etapa do processo de ajustes em andamento na Positivo. De acordo com uma das fontes ouvidas pelo RR, a percepção do grupo chinês é que a empresa paranaense pode até retomar sua lucratividade em níveis sustentáveis, mas não conseguirá chegar nem perto de seus anos dourados. Noves fora o natural parti pris, os chineses embasam este diagnóstico não apenas em informações sobre a Positivo que têm batido em seus ouvidos, mas também em indicadores da empresa, a começar pelo seu rastejante desempenho em Bolsa. Há três anos, a Lenovo teria oferecido o equivalente a R$ 31 por ação para comprar a Positivo. Na ocasião, o papel chegou a ser negociado na Bovespa na faixa dos R$ 9,50. Ou seja: o grupo asiático estava disposto a pagar, como prêmio de controle, mais do que o triplo da cotação em Bolsa. De lá para cá, no entanto, o valor de mercado da fabricante brasileira caiu praticamente a  metade. Hoje, o papel está abaixo dos R$ 5, a léguas de distância da cifra ofertada pelos asiáticos e a anosluz do seu pico histórico: R$ 47. Diferentemente do cenário de três anos atrás, hoje tudo conspira a favor dos chineses. Além da forte depreciação da fabricante brasileira, a compra de uma empresa no país deixou de ser uma sangria desatada para a Lenovo. Vá lá que a CCE esteja longe de ser uma Positivo. Mas, desde que adquiriu a fabricante sediada em Manaus, o grupo chinês passou a ter uma base de produção no Brasil e ainda ampliou sua rede de distribuição. A necessidade de uma aquisição a qualquer custo vai ficando esmaecida em algum lugar do passado. Por essas e por outras, os chineses acreditam que o jogo virou e é só uma questão de tempo para que a própria caça peça para o caçador atirar

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