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Acervo RR
Bem me quer, mal me quer, bem me quer, mal me quer… Quanto mais pétalas arrancam, menos os executivos da Peugeot Citroa«n conseguem entender a relação bipolar entre os franceses e o Brasil. A subsidiária tem sido tratada a tapas e beijos, tamanha a dissintonia das decisões estratégicas e os sinais trocados emitidos pela montadora. Segundo informações filtradas junto a Peugeot, o grupo planeja duplicar os investimentos no país, que chegariam a marca de R$ 8 bilhões entre 2010 e 2017. Recentemente, aprovou a produção do Peugeot 208 na fábrica de Porto Real (RJ), que deverá receber ainda um novo modelo compacto desenvolvido em parceria com a General Motors. Por outro lado, a Peugeot Citroa«n Brasil acaba de sofrer uma dura derrota. Segundo as mesmas fontes, perdeu para a matriz o direito de comercializar o próprio modelo 208 no mercado mexicano, negócio que já era dado como certo nos corredores da montadora no país. O tapa doeu, mas nada que se compare ao que ainda está por vir. De acordo com informações filtradas junto a própria empresa, a subsidiária brasileira também deverá ser preterida no projeto de fornecer o mesmo veículo para os Estados Unidos e o Canadá, mercados considerados tabus pela companhia devido a s frustradas tentativas de ingresso. Consultada, a Peugeot Citroa«n confirmou apenas o investimento de R$ 3,7 bilhões de 2010 a 2015, cifra já anunciada anteriormente, e negou a produção de um novo compacto em Porto Real. Afirmou ainda que não há planos para a venda de carros aos EUA e ao Canadá. Ou seja: a pretensão da Peugeot Brasil de fechar o circuito Alca bateu de frente no poste. Significa dizer que a empresa perderá algo em torno de 20% das exportações do Peugeot 208 previstas para 2014. E ficará também sem algumas centenas de milhões de dólares que seriam investidas para adequar a produção do veículo aos contratos internacionais. Os efeitos da derrota deverão ser ainda mais sentidos no médio prazo. Projeções da Peugeot indicam taxas de crescimento menor para a indústria automobilística brasileira nos próximos cinco anos. Os contratos com outras subsidiárias funcionariam como um hedge natural. Recentemente, o presidente da Peugeot no Brasil, Carlos Gomes, manteve uma intensa agenda de contatos com Paris. Comunicado da perda do iminente contrato com o México, tentou evitar o mesmo destino em relação aos Estados Unidos e ao Canadá. Ninguém poderá dizer que Gomes não se esforçou, mas, segundo fontes próximas ao executivo, ele próprio já dá a batalha como perdida. Os franceses têm usado as exportações dentro do próprio grupo como uma espécie de política compensatória. A produção do Peugeot 208 para os mercados norte-americano e canadense ficará a cargo de fábricas na Europa, como forma de cobrir a retração econômica e as perdas acumuladas pela montadora no Velho Continente.
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